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    O espetáculo da ausência -

    Ney Anderson

    Patuá
    2020
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9786586130058
    Português Brasileiro
    4.3
    6 avaliações
    Leram7Lendo0Querem7Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos1Desejados7Avaliaram6

    “Artistas e santos são quase a mesma coisa. Cada um expurga os seus pecados e demônios da maneira que lhes convém.” É com essa lógica que Ney Anderson expurga literatura nos 33 contos de seu livro de estreia. Um Recife urbano é não apenas cenário, como purgatório para seus personagens, que estão sempre pagando pecados e esbarrando com demônios, em narrativas onde a escrita e os escritores são vistos como uma tábua de salvação. Anderson tem um olhar afiado para detalhes, um observador mordaz para vidas alheias, com uma sensibilidade ao mesmo tempo lírica e pop. É uma visão atualíssima do nordeste, pouco estabelecida ainda no cenário literário, que nos aproxima do mundo do autor e nos tira do eixo". – Santiago Nazarian "Ney Anderson supre, com esse livro, uma dívida que nós, escritores de hoje em dia, tínhamos com o Recife: transformar seu centro antigo em literatura contemporânea. As próprias narrativas de histórias sobrepostas e interligadas umas às outras, entrecortadas pelo Capibaribe e seus mistérios, salpicadas em cada esquina de referências literárias que estão impregnadas na sua essência - como Carrero, Gilvan Lemos e Clarice Lispector - são uma reprodução da cidade que nos habita. Mistério, sensualidade, lirismo e violência urbana são elementos habilmente enxertados pelo autor no vazio - no espetacular vazio - existencial dos seus personagens, sempre em confronto com um dos temas mais universais da literatura: a morte. O Espetáculo da Ausência também flerta com o gênero policial, sem, contudo, seguir sua fórmula clássica, pois seu compromisso não é a resolução completa e cartesiana dos enigmas postos - já que se propõe mais a surpreender e encantar do que convencer. Afinal, como diria o personagem de um dos seus contos, parecer é muito melhor do que existir" – Andrea Nunes

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 19/08/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Livro De Estreia

    Publicado em 2020 pela Editora Patuá, O Espetáculo Da Ausência é o livro de estreia do jornalista, escritor e crítico literário Ney Anderson. Com apresentação de Raimundo Carrero, posfácio de Cícero Belmar e textos de Andréa Nunes, Gilvan Lemos e Ney Matogrosso, ele reúne uma seleção de 33 contos que fazem de Recife seu pano de fundo. Como afirma Santiago Nazarian na contracapa, a obra apresenta “uma visão atualíssima da região, pouco estabelecida dentro do panorama literário, que nos aproxima do mundo do autor e nos tira do eixo”. Resumidamente, trata-se de um instantâneo urbano, povoado por pessoas comuns, que escapam do preconceituoso estereótipo nordestino e com as quais se poderia cruzar não só na capital de Pernambuco, mas em qualquer metrópole, como São Paulo, Paris ou Nova York. Os contos, carregados de angústias, medos e incertezas, abordam de forma direta situações-limite e podem ser lidos separadamente, entretanto, se reunidos, assemelham a uma colcha de retalhos de instigante desenho, ou melhor, exibindo uma técnica esmerada, eles dispensam rótulos, não se prendem a gêneros e estão singularmente interligados. Aliás, como meticuloso observador, Anderson aproxima a linguagem literária da visual, uma ferramenta que se redimensiona, quando o real passa a ser interpretado como inseparável do imaginário, fazendo supor a existência de outra ordem que desconhecemos e desta lista, despontam sugestivas intertextualidades, como em Um Conto Possível (O Corvo, Edgar Alan Poe) e Janela Secreta (A Descontinuidade Dos Parques, Julio Cortázar). Contudo, há muito mais, por exemplo, a metaficção A Morte Nunca Tem Nome, a cacofonia hipnótica de A Estação Final, a hipocrisia de O Espetáculo da Ausência, que intitula o livro, e o comovente Já Não Sou O Único Que Encontrou A Paz cujo assunto é a complexa relação entre pai e filho. Por sinal, não é por acaso que Anderson dedica o livro ao pai, falecido em 2015. Recomendo, em especial, se você deseja escapar do óbvio.

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