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    Mundo Animal e Outros Contos -

    Antonio Di Benedetto

    Editora Globo
    2008
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-13: 9788525043788
    Português Brasileiro
    3.6
    9 avaliações
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    A Argentina, ao longo do século XX, produziu grandes escritores e, particularmente, grandes contistas. Basta citar três nomes: Jorge Luis Borges, Julio Cortazar e Adolfo Bioy Casares. Um desses grandes contistas, apesar de menos conhecido que seus pares fora de seu país de origem, é Antonio Di Benedetto – de quem a Globo acaba de lançar a coletânea Mundo animal e outros contos, com prefácio de Martín Kohan. Os contos de Di Benedetto são curtos, alguns com apenas duas páginas (como “Voamos”), a maioria com cerca de dez páginas. O que, por um lado, de Kafka a Cortazar, segue certa tradição moderna de extrema exigüidade, e por outro lado, denota a maestria de Di Benedetto na história curta – e a síntese significativa é uma arte, se não mais trabalhosa, mais difícil e sutil do que a prosa larga (em que pese Di Benedetto também ter escrito romances). Como resume Martín Kohan no prefácio: “É uma escrita que se controla e se contém, mas deixando ver que há mais, que sempre há mais coisas. Se Di Benedetto se contém, é para conseguir esse milagre de precisão e clareza, esse milagre de justeza que são os seus textos. De resto, o seu fraseado tende para o despojamento, mas brilha igualmente nos períodos longos, rítmicos, sugestivos; as palavras em Di Benedetto parecem se ajustar sempre ao que querem dizer, e, no entanto, acatam o destino de dizer sempre mais do que estão dizendo.” Os contos, de um realismo fluido que beira mas não se deixa levar pelo realismo fantástico, retratam personagens comuns em situações pouco comuns, como o do velho que se revela um contista acabado para o amigo jornalista, mas logo desiste de escrever, com medo da própria imaginação (“Falta de vocação”), ou o homem que possui um gato que parece um cachorro e afinal revela poder voar, sendo portanto talvez uma ave, o que o leva a constatar a normalidade de nada ser o que parece (“Voamos”).

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    Gustavo Melo Czekster picture
    Gustavo Melo Czekster23/12/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Homem animal

    (...) Antonio Di Benedetto foi contemporâneo de Borges e Cortázar. A sua obra surgiu pouco antes do boom literário latino-americano, ocorrido por força do realismo mágico de Garcia Márquez. No entanto, ele não se encaixa com comodidade em nenhuma escola literária, e isto demonstra a grande capacidade do autor. Ele oscila entre múltiplos temas e cenários diferentes, mas parece um estrangeiro em todos eles. De tanto enxergar o diferencial que rodeia a realidade, o narrador não está confortável em nenhum lugar, seja na vastidão do campo, seja na solidão de um quarto escuro. De comum nas suas histórias, o traço humano. Na primeira parte do livro, os homens se misturam com os animais: insetos passam a viver dentro de um homem que tentou trazer a beleza para o seu interior ao ingerir uma borboleta (“Borboletas de Koch”, título deveras instigante, fazendo parte da história ao insinuar a tuberculose do narrador); um rato bestial rói as recordações deixadas por um pai (“Amigo inimigo”, com um singular paralelo formado com “O Flautista de Hamelin”); um menino que cria, na própria cabeça, um ninho para os pássaros (“Ninho nos ossos”). Existem momentos de puro terror, como a mãe que perde o nenê tão aguardado e mata uma gata prenha a chutes (“Trocas com a morte”), ou fantasmagóricos, como o menino proprietário de um cachorro que mora nos sonhos (“Reduzido”). Em todos os contos, Benedetto se destaca pela linguagem comum, simples, mas que esconde universos de significados. É mágico o alcance que ele dá para as palavras: as frases possuem significados ocultos, assim como a construção que ele fornece é realmente poética, repleta de simbolismo. Cada conto é um soco, e fica na memória muito tempo depois da leitura. (...) A resenha completa está em: http://wp.me/p24M2p-Y

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    Antonio Di Benedetto

    Escritor e jornalista argentino, que começou escrevendo histórias na juventude inspirado por Dostoevski e Pirandello. Durante a ditadura do general Videla, foi preso e torturado. O romance Zama é considerada sua obra-prima.

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    Antonio Di Benedetto