O livro é um compilado de testemunhos orais sobre o massacre ocorrido no dia 02 de outubro de 1968, quando franco-atiradores e o exército, sob ordem do então presidente do México Diaz Ordaz, abriram fogo contra a multidão (cerca de 10 mil pessoas) presente numa manifestação pacífica organizada pelo Movimento Estudantil e trabalhadores na Praça das Três Culturas, que reivindicava, entre outras coisas, a liberdade dos presos políticos e fim da repressão do Estado. O país estava a 10 dias de receber as Olímpiadas e as manifestações eram vistas como ameaça. O número oficial de mortos é 20, mas segundo testemunhas, jornalistas e documentos liberados posteriormente, o número mais aceito fica entre 300 a 400. No dia seguinte ao massacre os principais jornais abriram suas programações com a previsão do tempo ou notícias completamente distorcidas sobre o ocorrido.
Está dividido em duas partes. A primeira, intitulada gannar a la calle (ganhar as ruas), reúne depoimentos sobre os momentos anteriores que culminaram na grande manifestação do dia 02. São narrados a censura, prisões arbitrárias e sessões de tortura praticadas pelo Governo contra opositores políticos. Ainda assim, há um forte sentimento de esperança, pois o movimento nunca estivera tão forte. A segunda parte, La noche de Tlatelolco, são depoimentos sobre o momento do massacre, quando franco-atiradores e soldados munidos de fuzis e baionetas cercaram a multidão e começaram a atirar contra estudantes, trabalhadores, crianças. Além das mortes, mais de mil pessoas foram presas. O movimento estava aniquilado.
Me lembrou Svetlana Alexijevich pelo gênero testemunhal. Porém, no livro de Poniatowska o registro tem característica oral e o testemunho não é apenas uma forma de memória, mas uma reescrita da história oficial. Por isso, apesar de pesado e até mesmo repetitivo, sua importância é imensa num contexto de violência extrema e censura. O massacre permanece impune.
Tlatelolco no se olvida!
Os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer. (Benjamin)