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    São Paulo - A fundação do universalismo

    Alain Badiou

    Boitempo
    2009
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788575591505
    Português Brasileiro
    3.9
    14 avaliações
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    Favoritos2Desejados31Avaliaram14

    A partir do discurso do apóstolo Paulo, tido como o fundador do cristianismo, o filósofo Alain Badiou formula uma investigação sobre os fundamentos do universalismo. Para o intelectual francês, Paulo inaugura um novo discurso, distinto da filosofia grega e da lei dos judeus, fundado na experiência e portador de uma nova perspectiva, a universalidade. Ao longo desse ensaio, Badiou aborda a conexão paradoxal feita por Paulo entre um sujeito sem identidade e uma lei sem suporte, que funda a possibilidade de uma predicação universal na história. Nas palavras do filósofo francês: “Se, hoje, quero retraçar em poucas páginas a singularidade dessa conexão é porque trabalho por todos os ângulos, até com a negação de sua possibilidade, a busca de uma nova figura militante, demandada para suceder àquela cujo lugar Lenin e os bolcheviques ocuparam, no início do século passado, e que se pode dizer ter sido a do militante de partido”. Este livro é testemunho do não conformismo de Paulo e de Badiou, que mostra a mesma paixão política que vê nas epístolas do primeiro e para quem “o pensamento não espera e jamais esgota sua reserva de força, a não ser para quem sucumbe no profundo desejo de conformidade, que é a via da morte”. São Paulo, publicado no âmbito do Ano da França no Brasil, contou com o apoio do Ministério francês das Relações Exteriores e Européias. O livro conta ainda com um posfácio de Vladimir Safatle, no qual o professor da USP avalia a produção intelectual e trajetória de Badiou. Em suas palavras, "podemos dizer que Badiou parte do princípio de que a política não pode ser guiada por exigência de realização de ideais normativos de justiça e consenso que já estariam atualmente presentes em alguma dimensão da vida social. Pois isso nos impediria de desenvolver uma crítica mais profunda capaz de questionar a gênese de nossos próprios ideais e valores".

    Resenhas (1)Ver mais
    Charles picture
    Charles23/02/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    São Paulo em uma perspectiva emancipatória

    Conheci as tentativas de traçar um núcleo verdadeiramente subversivo e revolucionário de dentro do cristianismo através do Slavoj Zizek e seus livros: "O absoluto Frágil" e "O sofrimento de Deus", uma leitura ateia, mas curiosamente rica sobre os evangelhos e o cristianismo como um todo. Uma coisa que sempre me incomodou no Zizek é sua tentativa de traçar um cristianismo sem ressurreição, o ponto central para ele era a morte e logo em seguida a vinda do Espírito Santo (a comunidade de crentes em sua leitura revolucionária), contudo, Badiou faz um caminho diferente a partir do Apóstolo Paulo, o evangelho é reduzido a uma única sentença "Cristo ressuscitou" e é daqui que todo o projeto revolucionário se desenvolve (nesse sentido, se o Zizek é o "teólogo materialista da cruz" Badiou seria o "teólogo materialista da graça"). Badiou faz uma leitura simplesmente fantástica traçando no santo a formação do que é chamado de "universalismo" contra os identitarismos (religiosos, nacionais e de gênero) presentes tanto na época quanto no mundo contemporâneo. Vale lembrar que Badiou procura montar uma espécie de doutrina "materialista da graça" (como diz o próprio autor em outro texto: "Eu prefiro ser um ateu revolucionário escondido sob uma linguagem religiosa que um 'democrata' ocidental perseguidor de muçulmanos e fantasiado de feminista laica"), uma leitura de fins políticos das epístolas de Paulo, apesar disso, as leituras são bastante condizentes com o conteúdo das cartas, apesar de algumas discordâncias que possuo com o autor (afinal, ele é ateu, então não está muito preocupado em harmonizar certas passagens ou procurar um consenso entre os evangelhos e Paulo). É uma leitura riquíssima e que com certeza pretendo revisitar em breve.

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    • 4 estrelas14%
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    Alain Badiou profile picture

    Alain Badiou

    Filósofo, dramaturgo e novelista francês, nascido em Marrocos, conhecido por sua militância maoista e sua defesa do comunismo. Deu lições na Universidade de Paris VIII e na ENS até ser nomeado diretor do departamento de filosofia desta em 1999.

    39 Livros
    20 Seguidores
    Rabat-Salé-Zemmour-Zaer, Marrocos

    Alain Badiou