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    Adoração na igreja primitiva -

    Ralph P. Martin

    Vida Nova
    2012
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788527504942
    Português Brasileiro
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    A Igreja é uma comunidade adoradora. O crescente reconhecimento deste fato entre cristãos de todas as denominações tem fomentado um interesse renovado nos aspectos da adoração e uma variedade de experimentação e revisão litúrgica. Os doze capítulos deste volume lança luz bíblica sobre o modo de os cristãos mais primitivos adorarem a Deus; ao fazer assim, fornecem iluminação para aqueles que gostariam de levar a efeito sua adoração hoje de modo autêntico e genuíno, aberto a inovações mas também ancorado nos princípios bíblicos.

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    Douglas Gomes picture
    Douglas Gomes07/04/2015Resenhou um livro
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    Aprender com a Igreja Primitiva

    A abordagem de Martin neste livro em relação à adoração na Igreja Primitiva é bem ampla e abarca diversas facetas e costumes da Igreja do primeiro século. De forma geral, o autor trabalha a definição de adoração, aqueles que adoram, as influencias do templo e das sinagogas na adoração e culto da Igreja Primeva, oração e louvores, tratados de fé, cânticos e hinos, contribuição, além de momentos litúrgicos como batismo e ceia do Senhor – que chama de “sacramentos”. Vemos que a comunidade da Igreja é povo que adora. Isto se dá, pois é este povo que reconhece em Deus o criador de tudo. Apesar do Antigo Israel também reconhecer isto em Jaweh, a Igreja reconhece em Cristo o caminho da adoração. Adoração é “atribuir valor”. Esta definição é feita a partir do inglês – o que me pareceu estranho na leitura, pois o ponto de partida não foi os originais; contudo, posteriormente o autor recorre ao hebraico e grego. Percebemos que no Antigo Testamento adoração está relacionada – a partir do termo hisahawah – com “curvar-se reconhecendo em alguém sua soberania”. Certamente o termo só pode ser aplicado plenamente a Deus, pois é Soberano sobre todos, porém, a terminologia foi vastamente utilizada para se referir a reis e pessoas importantes. Também no Antigo Testamento observamos o termo abodah, que traz a idéia de serviço. No entanto, é importante frisar que esta palavra hebraica não tem exatamente o sentido grego do servo e escravo que está distante de seu senhor. A idéia vétero-testamentária é a do servo que encara a sua escravidão como um privilégio e existe relação e aproximação entre o servo e o Senhor. Penso ser importante esta abordagem das terminologias hebraicas, pois me remete ao episódio em que Jesus os chama não mais de servos, mas de amigos (Jo 15:15). Para estabelecer mais alguns princípios da adoração é necessária uma reflexão sobre a pessoa de Deus em sua revelação. Adoração tem haver em reconhecer quem Deus é. Portanto, podemos buscar as características divinas na revelação das escrituras como Sua santidade, majestade, exclusividade enquanto Deus. Assim, podemos adorar a Deus porque Ele é único, santo, majestoso e digno. A respeito da santidade de Deus, Martin faz menção do conceito de Otto: “repele e atrai ao mesmo tempo”. Deus é tão majestoso, poderoso e santo que somos acometidos de uma percepção de distância, mas ao mesmo tempo tais evidências nos atraem a Ele. Além disso, podemos relacionar nossa adoração a Deus por suas dádivas a nós. No Novo Testamento isto se dá mais contundentemente em relação à dádiva da salvação. Já que estabelecemos alguns princípios da adoração cristã, trataremos agora (com a ajuda de Ralph Martin) de questões mais práticas e litúrgicas da adoração na Igreja Primeva, começando das influências do judaísmo praticado no templo e nas sinagogas. Como não existiria cristianismo sem judaísmo, é de se esperar que alguns aspectos da religião (judaísmo) do “Mentor” do cristianismo continuassem na Igreja Primitiva ou que fossem ressignificados por ela. Portanto, notemos que Jesus frequentou o templo, mas não há menção de sacrifícios de animais feitos por ele e seus discípulos. E também percebemos que até mesmo ensinou nas sinagogas – palco também em que o apóstolo Paulo iniciava sua missão aos gentios. Diante de tanto contato com esses locais, percebemos que a linguagem do templo continua na Igreja, mas ganha novos significados – menos literais e mais espirituais. Termos como templo, sacerdote e sacrifícios permanecem sendo usados. Contudo, o templo não é mais feito por mãos humanas, os sacerdotes não são mais substituíveis a partir da descendência e a igreja tem apenas um sacerdote, e os sacrifícios ganham uma abertura paradoxal, pois não são mais mortos e sim vivos! A liturgia da sinagoga parece ter influenciado sobremodo o culto da Igreja, visto que foi palco das missões. As reuniões começavam com um louvor, depois havia a oração e em seguida a instrução. Esta estrutura nos remete até mesmo às estruturas de culto contemporâneas. E na Igreja Primitiva não foi diferente. Interessante perceber que os louvores estavam ligados ao saltério, e que, por este motivo, há a possibilidade de os salmos do Antigo Testamento terem feito parte constante na adoração na comunidade do primeiro século, até mesmo pelo fato da existência de salmos messiânicos. Também podemos encontrar pequenos tratados de fé em forma de louvores e declarações. Algumas expressões eram muito comuns, tais como: “Jesus é o Cristo” (entre os judeus), ou “Jesus é o Senhor” (entre os gentios). A partir dessas pequenas declarações podemos vislumbrar os tratados de Cristologia desenvolvidos posteriormente pelos Pais Apostólicos e Pais da Igreja. A contribuição é tema presente na Igreja Primitiva. Entendemos que serviço é adoração e, portanto, o levantamento de recursos para o serviço cristão e atendimento dos necessitados é de extrema importância. É tema principalmente das cartas do apóstolo Paulo e mais especificamente de 2 Co 8-9. Contudo, é interessante notar que a contribuição na Igreja Primitiva está norteada de um princípio de voluntariedade e espontaneidade – diferente do desastre visto a respeito de contribuição nas instituições contemporâneas. Observamos que em nenhum dos textos citados pelo autor, a prática do dízimo é feita como forma de contribuição na Igreja . Percebemos que a Ceia do Senhor e o batismo sempre fizeram parte das estruturas da Igreja. O Didaquê nos informa que essas práticas tiveram continuidade na tradição litúrgica da igreja. O mesmo documento traz informações preciosas de como a prática do batismo deveria ser feita. Diante de tantas informações encontradas no livro trabalhado neste exercício de reflexão, temos a possibilidade de pensar e repensar os assuntos abordados para quebrar alguns paradigmas e estabelecer outros a partir das lições que a Igreja Primitiva pode oferecer ao cristianismo contemporâneo que tem vivido tantas mudanças litúrgicas nos últimos tempos. É possível encontrar na Igreja Primeva os princípios de um culto voltado para Deus, mas que não negligencia a comunhão entre os membros da comunidade. A partir do Didaquê compreendemos que as formas não podem suplantar a essência (principalmente em relação ao batismo e as compreensões de imersão ou aspersão), mas também entendemos que a essência deve ser expressa em forma.

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