Salvation: Black People and Love faz parte da trilogia do amor de bell hooks, junto com All Abou Love: New Visions e Communion: The Female Search for Love.
Em apenas 12 capítulos (e uma introdução), hooks aponta o amor como a forma de pessoas negras encontrarem a salvação. Como hooks falou em livros passados, nós enquanto sociedade ignoramos o poder transformador do amor e o debochamos como algo pequeno e bobo.
No entanto, a desatenção do amor para a população negra auxiliou no crescimento de niilismo, desespero, violência contínua e oportunismo predatório. Ela fala:
“O amor permanece para os negros um caminho crucial para a cura. Em retrospecto, é claro que, se não criarmos uma base de amor sobre a qual construir nossas lutas por liberdade e autodeterminação, forças do mal, da ganância e da corrupção minarão e, finalmente, destruirão todos os nossos esforços. Não é tarde demais para os negros voltarem ao amor, para fazer novamente as perguntas metafísicas comumente levantadas por artistas e pensadores negros durante o auge das lutas pela liberdade, questões sobre a relação entre desumanização e nossa capacidade de amar, questões sobre racismo internalizado e auto-ódio”.
O amor próprio, o amor de mãe e pela mãe, o amor aos homens negros, independentemente do laço parental, assim como a valorização de mães solos são temas abordados em Salvation. hooks pretende, portanto, falar de todos os sujeitos que devem ser amados e devem amar; cada sujeito negro precisa de amor e o merece.
Amor próprio é um tema que reaparece em outras obras de bell hooks, assim como sua preocupação com homens [ao dissertar sobre masculinidades] e sua visão sobre maternidade. Mas, eu percebo, que em Salvation, mães negras solos ganham maior destaque em sua análise nesse livro [quando comparado com os demais livros].
hooks fala da imensidade de imagens populares na mídia de massa sobre mães negras solos, em que elas são representadas enquanto irresponsáveis, negligentes, violentas. A imagem de uma mãe solo negra querendo ter mais filhos para viver de bolsa-família é algo que existe no Brasil.
Inclusive, hooks destaca como a crítica ferrenha a essas mulheres está disfarçada de “valores familiares”, pois alega-se equivocadamente que famílias patriarcais são mais saudáveis.
No que diz respeito ao amor a um/a parceiro/a romântico, é abordado tanto relações com o sexo oposto tanto quanto o mesmo sexo, em suas respectivas dimensões. Isto é, quando hooks fala sobre “amor heterossexual” ela discute sobre machismo nesses relacionamentos, enquanto no que diz respeito a relacionamentos com o mesmo sexo, além de falar sobre o valor desse amor, ela frisa sobre a importância de abraçar a diversidade LGBT e recusar o ódio LGBTfóbico.
Para finalizar, hooks falar sobre amar a justiça. Afinal “não há amor sem justiça”.
Como de costume, hooks faz seu ponto. Em um mundo construído por um patriarcado supremacista branco e imperialista, o amor é desvalorizado a ponto de ser perdido. É fundamental para a população negra reivindicar o poder transformador do amor; é só através do amor que negros irão encontrar salvação.
Acredito que toda a trilogia de amor de bell hooks merece maior atenção das pessoas, especialmente Salvation.