Caçando Dragões #06 (Caçando Dragões) -

    Taku Kuwabara

    Panini
    2020
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9786555121988
    Português Brasileiro

    Durante a estadia do caça-dragões Quin Zaza em Harley, umas das maiores metrópoles do mundo, Mika reencontra seu velho companheiro Kujo. Os dois já caçaram dragões lado a lado, mas após um certo incidente, acabaram se separando. Nesse reencontro após tantos anos, Kujo convida Mika para uma nova empreitada. Ele está atrás de um dragão que escapou de sua perseguição 3 anos atrás e ainda tem seu arpão espetado nas costas. Assim Mika e Kujo levantam vôo para uma nova aventura!

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    Paulo Vinicius22/12/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A sexta edição é voltada para a exploração dos medos e ansiedades de Kujo que precisa finalizar um obstáculo de sua vida que ele havia deixado de lado após falhar em sua missão. Essas pontas soltas precisam ser amarradas para que ele possa seguir em frente e alcançar novos objetivos. Por outro lado, Mika vai se ver em uma situação onde necessitará olhar por outra pessoa e atirar-se no problema, como ele sempre faz, não irá resolver. Ao longo de toda essa jornada emocional, um perigoso dragão que ataca pessoas e naves será o alvo de nossa trupe que precisará de todas as suas habilidades e artimanhas para superar um adversário tão mortal. Fiquei impressionado com esta edição, no que diz respeito à arte. Por ser mais voltada para a ação, esperava algo bem menos trabalhado, mas o autor se superou e conseguiu criar belos cenários. Ele ainda tem bastante dificuldade com cenas de ação, já que ele usa pouco o sistema de linhas cinéticas e não trabalha bem os posicionamentos dos personagens pelo cenário. Estes momentos acabam sendo bastante confusos e entender a ordem em que as coisas acontecem se torna um desafio. Por outro lado, o autor conseguiu criar estratégias que o ajudaram a definir melhor os cenários, produzindo efeitos bem legais. Sem falar que ele tem boas ideias para diferenciar os combates com os dragões como a bota que se prende no dragão ou a necessidade de compreender o regime dos ventos no momento da caça. Me incomodou um pouco o excesso do cinza que se tornou parte de sua arte nos últimos volumes. Como sempre dizemos, nada em excesso é legal. O cinza deste volume produz algumas cenas estranhas e saturadas, com imagens que acabam chamando a atenção pelos motivos errados. Por exemplo, tem uma cena do Mika conversando com o Kujo, com a nave ao fundo com uma enorme linha cinza. Aquilo faz o olhar seguir naquela direção ao invés de permanecer aonde interessa, os dois personagens. O autor deveria ter tido mais parcimônia ao usar a "terceira cor". Essa é uma edição que vai tratar de obsessões, medos e ansiedades. É bem óbvio desde o começo que Kujo é baseado no famoso personagem Ahab, do livro Moby Dick. Toda a obsessão em perseguir aquela caça que sempre é capaz de fugir e o ato de estar atrás de tal criatura é o motivo para sua existência está ali. Mas, Kuwabara acrescenta mais uma camada que é a de que, na verdade, o personagem teme a colossal criatura. Ao ser confrontado com ela, seu instinto de sobrevivência bate e ele acaba imobilizado pela incapacidade de fazer algo contra ele. E compreensível principalmente quando estamos diante de um Mika, que tem um prazer selvagem em caçar estas criaturas. Seu olhar disfuncional faz a gente perceber nossas limitações. Para alguém como ele, não existe dúvida ou inércia, apenas a necessidade de colocar algo em prática. Confrontado com esse sentimento de Mika durante uma de suas caçadas, Kujo se vê como um hipócrita ao criticar seus companheiros por não terem força de vontade. Só que existe um segundo ângulo para essa história, que é o de Nora. E isso resgata as emoções de alguém que vive lado a lado com um "homem do mar". Alguém que sai cedo todos os dias para tocar seu modo de vida e chega tarde da noite ou pode levar vários dias fora. A angústia de não saber onde a pessoa amada se encontra, o medo por sua vida, a solidão de quem é deixado para trás e a sensação de abandono. Tudo isso se soma no peito de Nora que deseja, acima de tudo, manter a caça de dragões longe de seu pai. E ela sabe que a presença de Mika é algo que fará seu pai se lembrar dos "velhos tempos". Nora faz de tudo para impedir isso, até colocar a Guarda da cidade atrás dos personagens, mas se vê obrigada a agir e expressar o que sente frente a frente com seu pai. Só que ela começa a perceber que ele precisa enfrentar isso sozinho. O quanto isso vai ser perigoso é indiferente ao resultado final e ela começa a se preparar para algum resultado ruim. Duas boas edições tocando a história para a frente e nos apresentando mais sobre dois personagens da tripulação da nave. No começo temos o encerramento do arco da Vanney e uma discussão sobre sua importância dentro da nave e para seus companheiros para a seguir conhecermos mais sobre o insano Mika e como sua vida de caçador se iniciou. Kujo surge como uma espécie de figura paterna que o ensina a ser mais responsável e a conhecer o que faz de um caçador um homem tão dedicado. A arte continua a melhorar, mas Kuwabara ainda precisa afinar mais o seu traço e tomar cuidado com os excessos. Isso acaba por prejudicar a imagem final daquilo que ele produz.

    1 curtida

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