Amberville - A lista da morte

    Tim Davys

    Amarilys
    2010
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788520429358
    Português Brasileiro

    Bichos de pelúcia num verdadeiro mundo cão. Um mistério em que os personagens são tão humanos quanto qualquer um de nós. Fábula noir adulta, fenômeno de vendas na Suécia. Eric tinha tudo: uma carreira de ascensão meteórica no ramo da publicidade, uma bela esposa e um apartamento magnífico no bairro mais cosmopolita da cidade. No entanto, seu passado ambíguo não estava tão distante como havia imaginado. Quando Nicholas, seu antigo chefe, bate em sua porta à procura de um último favor em memória dos velhos tempos, sua vida é virada de cabeça para baixo. Amberville, seu mundo, é habitado por seres que, a despeito de serem bichos de pelúcia, são tão humanos quanto a mais humana das virtudes ou vícios: trabalham, trapaceiam, casam-se, traem, viciam-se em drogas, pagam por sexo, odeiam, roubam, envelhecem... e amam. Nicholas Pombo, o chefão do crime para o qual Eric trabalhava quando era apenas um urso adolescente e rebelde, descobriu que seu nome consta na tão desacreditada Lista da Morte, a lista que define quais bichos de pelúcia devem ser levados pelos Choferes. A ameaça de Pombo é clara: se o urso não conseguir salvá-lo, sua esposa, Emma Coelho, será feita em pedaços. Com a ajuda de seus antigos parceiros de boemia, um corvo traumatizado que trocou a vida do crime por um plácido emprego no departamento de corte e costura de uma loja de shopping; uma gazela viciada em pílulas suspeitas e, não se sabe ao certo, michê sadomasoquista; e uma cobra burocrata corrupta, responsável pelo orçamento da pasta de cultura da cidade, Eric precisa correr contra o tempo, vasculhando cada um dos bairros de Mollisan Town para encontrar pistas que o ajudem a solucionar esse mistério. Se os bichos de pelúcia levados pelos Choferes não são escolhidos aleatoriamente, e a Lista da Morte não é apenas um mito, quem, então, é responsável por ela? E como é possível salvar alguém dessa sentença? Com um aceno para o noir e para as mais argutas alegorias, já foi definido como uma mistura de O sono eterno, de Raymond Chandler, com A revolução dos bichos, de George Orwell, Amberville - A lista da Morte apresenta um envolvente mundo alternativo que reflete nossas próprias realidades e dilemas morais, lançando uma crítica à visão que opõe de maneira simplista o bem e o mal, o certo e o errado. Em Amberville, nada é apenas preto e branco.

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    Skooblover05/07/2011Resenhou um livro
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    Amberville

    A estranheza que Amberville causa em suas páginas iniciais logo se dissipa ao longo do enredo que se desenvolve – afinal, o quão comum é adotar bichos de pelúcia como protagonistas de um romance quase policial? “O paradigma clássico é o quão maligna pode ser uma intenção maligna que leva a uma boa ação. Podemos nos perguntar o quão bondosa é uma boa intenção que acaba trazendo uma consequência maligna”. Esse curto trecho é um dos que melhor sintetiza o livro, que apresenta inúmeros capítulos voltados para uma reflexão mais séria, por vezes existencial, num tom tenso mas de forma alguma pesado; a chave do livro encontra-se não em tentar forçar uma mistura de diversos estilos – o suspense, a filosofia, o realismo, a fábula – mas sim em provar que tais variedades possuem um ponto em comum perfeitamente admissível. A incansável luta do bem contra o mal, que fascina os escritores desde que o mundo é mundo, assume um caráter de puro relativismo em Amberville. Numa cidade em que tudo depende do ponto de vista, fica fácil de entender por que o autor (sob o pseudônimo de Tim Davys) faz questão de ter seus heróis (ou anti-heróis, dependendo da situação em que se encontram) como bichos de pelúcia: estes, feitos por nós justamente como objetos de brinquedo, de manipulação, de puro capricho – personificam a metáfora perfeita para a ideia que se propõe: é impossível viver exclusivamente para o bem, assim como é impossível controlar os bons resultados que eventualmente surjam de ações voltadas para o mal. Eles, tão reais e humanos como nós, representam uma crítica contundente aos ideais inalcançáveis, aos subornos, à violência, ao descaso. Mas, sobretudo, temos aqui um romance divertido, objetivo, que não se demora em longas descrições e prefere abordar diretamente as situações de enredo. Estruturado na forma de capítulos alternados, as nuances e surpresas do livro são reveladas aos poucos. Temos trechos confessionais, de narrador onisciente, de desabafo, e até mesmo um momento de puro experimentalismo linguístico, que pretende apresentar o desespero de um dos personagens. Longe de ser um livro infantil, ou até infanto-juvenil, o romance peca, entretanto, num ponto: a pressa em dar um desfecho para o livro, que é desenvolvido no todo num ritmo rápido porém constante. Tem-se a impressão de que o autor precisou encaixar, num espaço de vinte páginas, um fim à altura das páginas que o precederam. Não é um término ruim – aliás, é de se ressaltar que quem ler desatentamente ao livro, provavelmente não entenderá a resposta final para os enigmas – mas poderia ter sido melhor explorado. Em termos finais, Amberville dirige-se àqueles que procuram uma leitura leve, mas nem por isso uma leitura esquecível ou necessariamente fácil. É uma obra que sabe como prender a atenção – que por si só já é um grande mérito – mas além disso, apresenta, por trás da aparente superficialidade de romance noir, uma crítica digna de leitura.

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