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    A PELE DO OGRO -

    Miguel M. Abrahão

    SHEKINAH
    1996
    273 páginas
    9h 6m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.8
    19 avaliações
    Leram3Lendo0Querem2Relendo0Abandonos0Resenhas14
    Favoritos6Desejados2Avaliaram19

    A Pele do Ogro pretende ser um amplo panorama que aborda a História Européia do século XIX e passa em revista as idéias, as crenças, os homens e os conflitos que abalaram o Velho Mundo daquela época. A maior parte da ação tem a Inglaterra, a França, a Alemanha, a Rússia e a Itália por cenários e, como pano de fundo, a mitologia céltica. Conta à história fictícia do francês André Duroseille, bem nascido habitante de Lyon, constantemente aprisionado por obsessões. Narrada por ele mesmo à garota de programa Lívia, o personagem revisita sua história particular, começando por sua infância quando, aliado ao irmão, faz um juramento: o de manter-se casto em troca do poder para tudo possuir, para todos controlar. Contudo, conforme vai tornando-se homem feito, já na corte do Imperador Napoleão III, começa a rever seu desejo infantil: “De que adianta termos poder e força, se envelhecemos”? Nesse momento da vida, conhece a doce Claire e seu misterioso padrasto, Pierre Labatut. Este homem com mais de 50 anos mantém um vigor e uma aparência juvenil que assombra e encanta André. Enquanto deparava-se com o verdadeiro amor em Claire, toma ciência de algo terrível anunciado por um conselho da mãe da moça: “Pierre o quer(...) já perdeu um Duroseille na vida e não vai querer perder o outro.(...) Pierre há anos nutre um sentimento de ódio e amor por vocês, os Duroseille. Certa hora diz querer vingança; em outra, fala de desejo. Pierre se interessou por seu irmão há três anos atrás e esse jovem só não teve um fim trágico porque Lídia, a Romana interferiu.(...)” André, então, procura por Pierre. Quer saber o que aquele fizera com o seu irmão. Todavia, na estalagem onde se daria o fatídico encontro, algo pior esperava por ele. Ao entrar no quarto depara-se com um velho agonizante que, horas antes André encontrara jovem e viçoso. O moribundo em decomposição lhe diz que foi Pierre o responsável por ele perder a beleza, por agora estar morrendo... Com coragem, André resolve voltar para a moradia de Claire. Lá uma inusitada cena de horror o aguardava. Pierre cometera alguns crimes violentos e teria sido o responsável pelo fogo que consumira à própria casa como a ele próprio. E tudo por ódio: “ódio a André por desprezá-lo; ódio por Lídia, A Romana estar...”! Acusado pelos crimes cometidos pelo desvairado Pierre, André é preso. Na prisão trava contato com o louco Gaston que lhe revela: (...) Lídia, a salvadora! Lídia, a bela! Lídia, a imortal! Eu vos glorifico e peço para ti... Dê-me à felicidade prometida. (...) Lídia é a mestra! O Ser...! A que dá prazer! A que é sem ser! Ela está conosco desde o alvorecer da humanidade e existirá até que todo o firmamento sofra a ruptura final. Mesmo tomando a forma de Lídia, a Romana, ela é toda a mulher, assim como não é nenhuma. Então, é uma Deusa.” Mais uma vez Lídia está presente em sua vida! O herói, neste momento, perde sua alma! Precisa saber quem é Lídia. Quem seria a fascinante mulher? Que poderes ela dispunha? Torna-se obcecado... Antes que André pudesse descobrir o segredo de Lídia, Gaston tem o mesmo fim do jovem rapaz da estalagem: seu corpo está igualmente decomposto, destituído de juventude e vida por Lídia... André Duroseille, no seu egoísmo e ambição, passa a ter a obsessão por encontrar àquela que dava prazer e morte aos que dela se aproximavam. Contudo, mal sabia que Lídia também o procurava e que ele era o centro de tudo... Crimes, mistérios, julgamentos reais constituem a linha narrativa deste romance. Seria Lídia Visconti a responsável por todos os malefícios daquele conturbado mundo? Mesclando personagens reais como Oscar Wilde, Emile Zola, Alfred e Mathieu Dreyfus, Bran Stocker, políticos e reis, o livro é construído como um painel histórico do decadentismo e esteticismo que marcou a trajetória da humanidade do século XIX.

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    Sylvio Santiago02/06/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Simplesmente MARAVILHOSO.

    Estou lendo ainda. Só parei um pouco para comentar. Miguel M. Abrahão tornou-se meu autor brasileiro preferido de ficção histórica. Não sabia que a literatura brasileira tinha escritores de tão elevada qualidade no gênero histórico. Havia lido anteriormente o A Escola deste mesmo autor. Como é que as colunas literárias dos jornais não dão destaque para a obra desse gênio? Aliás, não há reedição deste livro? Tive que comprá-lo em sebo... Acho inacreditável que, após anos, somente agora os meios acadêmicos estão descobrindo e dando o devido valor ao autor Miguel M. Abrahão. Isso, provavelmente, é culpa do anacronismo peculiar que ronda a educação universitária do país. Ainda bem que, parece, estamos vendo uma luz no fim do tunel. Que eu saiba, atualmente, quatro teses estão sendo desenvolvidas sobre a obra do escritor no país. Um trabalho árduo por parte dos pesquisadores, por certo, devido as não reedições ou, mesmo, as edições atuais de algumas de suas obras, muitas sem qualquer cuidado gráfico. Autor prolífico, cuja obra é anterior a mídia eletrônica, torna-se dificil saber o que ele escreveu ou o quanto escreveu. Quando li A Pele do Ogro, como comentei acima, fiquei fascinado pela conjuntura histórica apresentada e pela narrativa quase que cinematográfica. Talvez, por isso, leitores falem em se produzir filmes baseado em sua obra. Lendo depois outros livros de Miguel, fiquei completamente absorvido por seu estilo e me deu vontade de conhecer melhor a sua literatura. Mas o que encontro no mercado? Quase nada!Por sorte, aqui no Skoob, algumas pessoas estão cadastrando outras obras como O Bizantino, por exemplo, ou mesmo a literatura infanto/juvenil do autor. Espero que com essa "descoberta" de seus textos pelos meios acadêmicos, as editoras sintam-se estimuladas por reedições.

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    Miguel M. Abrahão profile picture

    Miguel M. Abrahão

    Miguel M. Abrahão é um escritor e dramaturgo paulistano. É formado em história, comunicação social e pedagogia, tendo exercido várias atividades em instituições de ensino, além de dedicar parte de seu tempo à literatura. Lecionou História do Brasil para o curso de graduação em jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba nos anos 80. Nessa instituição de ensino foi, também, o responsável pela implantação do Núcleo de Teatro UNIMEP em 1979, tendo coordenado todas as atividades teatrais até 1981. Atualmente mora na cidade do Rio de Janeiro com a mulher e os filhos. A maior parte de sua obra infanto-juvenil, no entanto, apesar de escrita durante sua adolescência, só foi publicada em livro a partir de 1983. Fonte: Wikipedia

    19 Livros
    15 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Miguel M. Abrahão