É notável a contribuição que este livro pode trazer para os professores de Língua Portuguesa ou Redação que desejem tornar sua sala de aula um espaço agradável e, ao mesmo tempo, bastante funcional. Partindo do apontamento dos erros relativos a produção textual mais comuns aos alunos de primeiro e segundo graus para, em seguida, esboçar as suas causas e propor “remédios”, traça-se um caminho que objetiva primordialmente a aplicação prática do conteúdo, de maneira a clarificar a postura a ser tomada pelos profissionais da área. Para eles, o exercício da licenciatura tem se provado uma atividade cada vez mais difícil, pois aquilo que aprendem na teoria raramente se torna eficaz no momento do ensino.
Tendo este problema como pressuposto, a obra expõe uma série de atividades a serem adaptadas e ampliadas pelos professores com o fim de haver um aprimoramento da tarefa de produzir textos em língua materna. Ocorre, no entanto, uma focalização distinta da usual no que diz respeito ao modo como esse processo se dá: “assume-se o texto falado como ponto de partida para se chegar ao texto escrito” (p. IX). A opção decorre do fato de se considerar que algumas habilidades requeridas na produção textual independem da modalidade, o que de fato se comprova no decorrer do relato das pesquisas realizadas. Além disso, o aprendizado é facilitado quando se opta por iniciar de algo que o aluno já saiba.
Dessa forma, pretende-se manter uma postura contrária a estigmatização do dialeto não-padrão, de maneira que se propõe uma abertura para que o aprendiz possa falar de sua realidade e ver seu discurso como objeto de transcrição e tradução do dialeto de prestígio. Disto decorre que ele se torna mais ativo, passando a refletir sobre a língua e suas variações e a encarar o assunto com mais interesse.