Mantendo uma postura politizada que permeia seu modo de ver o mundo, o autor tematiza a necessidade de transformação da leitura em uma prática social, pela qual não somente a escola é responsável, mas também a família e toda a comunidade. Ressalta, contudo, a função fundamental das instituições de ensino nesse aspecto e por isso privilegia-as.
A obra se constitui basicamente de sugestões para a inserção e aprimoramento da leitura nas escolas, denunciando os fatores que levaram tal atividade ao esvaziamento constatado nos dias atuais. Dentre eles podemos citar a falta de recursos oferecidos pelos governos aos colégios e bibliotecas, bem como aos professores, como forma de censurar o conhecimento da população, mantendo-a ignorante e, portanto, dócil. Há ainda uma participação negativa de autores e editoras que incentivam uma compreensão única através de fichas de estudo e roteiros facilitados.
Apesar da situação complicada em que se coloca a questão da leitura no Brasil, o autor insiste na necessidade de se manterem as esperanças e a confiança no aluno, a fim de que novas formas de ação social sejam estabelecidas e o espaço conquistado. Para tal, destaca a importância da relação que o docente deve ter com os livros, mostrando sua admiração por eles diante da classe e desmistificando a palavra escrita, de forma que todos se sintam à vontade em dizer suas interpretações. Esse ambiente descontraído é fundamental para a evolução das atividades e cabe ao professor usar sua criatividade para mantê-lo.
A obra cumpre com o que oferece a princípio, uma vez que leva o educador a entender quais são os obstáculos para a transformação da leitura em uma prática social e a saber como contorná-los. Saliente-se que não se chega a tal conquista facilmente, uma vez que é necessária uma conscientização do profissional acerca de sua função, por mais que se possam encontrar "receitas" de como praticá-la.