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    An der Zeitmauer (German Edition)

    Ernst Jünger

    Klett-Cotta
    2014
    253 páginas
    8h 26m
    ISBN-13: 9783608106046
    Português Brasileiro
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    Marcel Fortes Portela29/03/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Batendo o nariz no muro do tempo

    Ernst Jünger é muito interessante como ensaísta (escrevia ensaios em aforismos longos, como Nietzsche), mas muito difícil de entender. Se em “Der Arbeiter” (que eu li como “L’Operaio”) é compreensível o seu otimismo com a Forma (tipo metafísico) do trabalhador, como via de superação das aporias do mundo burguês e liberal, otimismo esse compartilhado por tantos outros naqueles anos de Segunda Revolução Industrial, a sua confiança no desenvolvimento posterior do potencial emancipador da tecnocracia global soa temerária e alucinada. Jünger é um aristocrata do espírito (no sentido evoliano) e seu horizonte moral não vai muito além do velho vitalismo nietzscheano. A figura do trabalhador é uma atualização possível do tipo nobre do herói. Dele herda o espírito de sacrifício, a pulsão de domínio, o inconformismo com a vida entesourada nos próprios interesses, as noções de ordem, dever e honra. No Trabalhador, a democracia burguesa é superada em formas de liberdade coletivizada, o contrato social é substituído pelo planejamento do Estado Operário. O mundo político e econômico vive como que “em pé de guerra”, em estado de permanente engajamento. A sociedade funciona como uma oficina, um canteiro de obras, em mobilização total. Um estado transitório, de passagem para novas e ainda não imaginadas formas de reconstrução do homem. Confesso não haver entendido a empolgação de Jünger em “An der Zeitmauer” (que eu li como “Le Mur Du Temps”), obra de 1959. O autor parece ter que remeter a processos mais amplos (à longa duração do tempo, ao desenvolvimento da Vida na Terra) para ainda ser possível enxergar o afunilamento da história humana em direção à tecnocracia global como algo além da morte da liberdade e do advento do Último Homem. Do que eu consegui apreender, Jünger se presta a produzir quase um discurso legitimador da (obviamente minoritária) elite tecnocrática que “representará” a liberdade do homem futuro (o homem do lado de lá do Muro da História), o Übermensch a quem sobrará a liberdade possível na nova ordem: a liberdade de optar por ser vetor natural de transformação da Terra; a liberdade de se tornar o ser humano em Titã; a liberdade de assumir o homem seu papel de terraformação, de força natural mais poderosa da Terra.

    1 curtida

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    Ernst Jünger

    Ernst Jünger foi um escritor, filósofo e entomologista alemão. Depois de uma adolescência agitada e uma fuga aos dezesseis anos para se engajar na Legião Estrangeira, na qual pode conhecer a África no início do século XX, participou com entusiasmo da Primeira Guerra Mundial, sendo ferido quatorze vezes, motivo pelo qual recebeu a condecoração Pour le Mérite em 1918, denominada também por Max Azul (Blauer Max). Mais tarde escreveria a experiência das trincheiras com horror, mas também com a fascinação que lhe levou a escrever o livro In Stahlgewittern (Tempestades de Aço), talvez o mais acessível e que alcançou rápido sucesso. André Gide chegou a escrever, que o livro de Ernst Jünger era incontestavelmente o mais belo livro sobre a guerra de 1914 que lera. Depois da derrota alemã, Jünger continuou seus estudos de zoologia e botânica, e escreveu em diversas publicações nacionalistas-direitistas.

    50 Livros
    28 Seguidores

    Ernst Jünger