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    Para Sempre ou Nunca Mais (Detetive Philip Marlowe #07) - (Playback)

    Raymond Chandler

    L&PM
    2007
    173 páginas
    5h 46m
    ISBN-13: 9788525417053
    Português Brasileiro
    3.6
    108 avaliações
    Leram187Lendo6Querem99Relendo0Abandonos2Resenhas9
    Favoritos5Desejados99Avaliaram108

    Philip Marlowe está sendo pago para seguir uma ruiva um tanto melancólica chamada Eleanor King. Ou seria o seu nome verdadeiro Betty Mayfield? Ou sra. Kinsolving? E qual a conexão entre ela e o homem cujo poderoso e perturbador cruzado de direita Marlowe tem o desprazer de experimentar? Mesmo em uma aprazível cidadezinha como Esmeralda, não faltam detetives particulares, tiras e demais pessoas para dificultar a solução de um caso - e não tardará até que o incontornável sentido de justiça de Marlowe o coloque mais uma vez em apuros. Ao menos, a confusão toda envolve uma loira de olhar provocante e com um longuíssimo par de pernas...

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    Carla Silva02/04/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    ...E Marlowe se Despede de Nós...

    O último romance que Chandler conseguiu terminar antes de morrer e publicado em 1958, um ano antes de sua morte, traz as marcas já conhecidas do policial noir - gênero que Dashiell Hammett praticamente inaugurou nos anos de 1920 e que Chandler aperfeiçoou e deu seu charme próprio, nos anos de 1930, quando começou a escrever seus contos e publicou seu primeiro romance. Mas "Para Sempre ou Nunca Mais" também apresenta algumas mudanças, não no gênero em si, mas naquele detetive criado por Chandler que se tornou símbolo do noir: Philip Marlowe. Ele está aqui. Mas os críticos tem certa razão, Marlowe já não parece o mesmo das aventuras anteriores. Uma explicação possível tem relação com a vida de seu autor. Chandler ficara viúvo e sentiu profundamente a morte da mulher. Uma de suas tristezas era nunca ter escrito um romance tão bom que pudesse ter dedicado a ela - e, quando a esposa morreu, isso tornou-se impossível. Uma outra pode estar na feitura do livro. Consta que Chandler não o escreveu com o mesmo empenho, e a dedicatória a duas amigas na abertura do volume parece indicar que foi só pelo estímulo das duas é que a obra foi terminada. Marlowe parece triste. Marlowe mostra-se mais aberto a relacionamentos sem consequências. Contudo, paradoxalmente,também é aqui, neste último romance completado, que o anseio por amor - amor romântico, amor que perdure, que envolva um futuro juntos - se revela mais premente. Impossível não lembrar, de novo, que Chandler perdera a esposa e se sentia sozinho. Ainda assim, aqui e ali, nosso detetive que sempre narra na primeira pessoa lança suas metáforas invulgares, frequentemente engraçadas, às vezes irônicas, por vezes com toques de humor negro. Não, Marlowe está um pouco diferente, mas ainda está aqui. Ainda é ele, o homem durão, sentimental, generoso e possuidor de um código de honra que nunca vacila. Por evasivas, com frases ferinas ou inegavelmente gentis, ele ainda é o exemplar acabado do detetive do noir que iria inspirar tantos detetives e até figuras da lei no gênero (lembremos Harry Bosch, de Michael Connelly). A trama é clássica assim como as figuras: a ingênua desamparada, a mulher fatal (como sempre, Chandler embrulha as duas e equilibra-as na ambiguidade), a violência, a intriga labiríntica. Raymond Chandler em seu habitat. Um pouco mais triste, um pouco mais melancólico; e - inesperadamente - esperançoso. "O ar estava repleto de música".

    19 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 108
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas2%
    Raymond Chandler profile picture

    Raymond Chandler

    A Grande Depressão quebrou sua empresa, então começou a escrever para revistas pulp. Dez anos depois, seu primeiro romance: tornou-se renomado, foi para o cinema. A morte da esposa o derrubou, acabou amargurado como sua literatura.

    60 Livros
    139 Seguidores
    Illinois, Estados Unidos da América

    Raymond Chandler