E nasce um bebê branquinho, branquinho que causa uma comoção em seu povoado.
Tavita Ndjombo mora no povoado Manguluane, sua vida é boa e seu marido a trata com muito carinho, até seu filho nascer totalmente branco. Isso causa uma verdadeira comoção primeiro na parteira, depois no pai da criança e em seguida em todo povoado.
Todos começam a desconfiar que o filho não seja do marido, que seja de Tontonto, ou Joaquim João, o outro único branco do povoado que veio para implantar uma barulhenta ferrovia e ficou apelidado de Tontonto por gostar muito da bebida alcoólica de mesmo nome.
No meio de tudo isso Tavita resolve ir embora, não quer perder a poesia que há na sua vida, precisa proteger seu filho e não encontra mais amor e compreensão no marido. Quando vai embora é encurralada no trem por Sal, um antigo conhecido da infância e tão insistente que chega a dar raiva, ele não superou seu amor platônico por ela.
Talita colocou o nome do filho de Khatissa, Manuel Khatissa Mulhovu e foi para a capital. A jornada dessa mulher foi tão intensa e difícil, fiquei com o coração na mão torcendo por ela e ao mesmo tempo com raiva, pois não é incomum esse preconceito e essa perseguição com uma mulher.
Eu gosto muito da escrita do autor, ele tem um modo poético de contar histórias comuns que viram histórias fantásticas de outras perspectivas. Uma história simples de vida de Tácita que não se encaixava mais no seu povoado e resolveu mudar, conquistar seu lugar. Não sem sofrer, mas que apesar disso se reinventou.
Os outros personagens também tem seu destaque em alguns capítulos, mas quem me prendeu mesmo foi Tavita e sua maneira de encarar o mundo. O final foi revelado o que eu já sabia sobre o albinismo, o preconceito e onde a fofoca pode levar. Se você gosta de livros que falam de preconceito, família, amor e resiliência, recomendo que leia este aqui.