Ulisses, de James Joyce está completando 100 anos de sua primeira publicação e as discussões e polêmicas em torno do livro não se referem apenas ao conteúdo da obra. James Joyce teve uma vida conturbada, com problemas financeiros e de saúde que lhe causaram muitas preocupações e dificultaram seu ofício de escritor. Algumas pessoas auxiliaram Joyce a contornar as dificuldades e propiciar o mínimo de tranquilidade para que ele conseguisse finalizar este que é um dos maiores clássicos e um dos maiores desafios de leitura. Uma destas pessoas foi Harriet Weawer, que já apresentei em um post anterior, uma rica herdeira inglesa que se dedicava, além de causas feministas, políticas e sociais, a questões ligadas à cultura. Nos efervescentes anos 1920, Harriet, apesar de muito discreta e reservada, teve ativa participação em vários eventos de vanguarda. Graças a seus esforços foi possível viabilizar a distribuição de Retrato do artista quando jovem e, principalmente, a edição de Ulisses, sem censura, já que a obra causava furor e exigência de cortes por parte de outras editoras. Inspirado em Odisseia, de Homero, Ulisses foi escrito entre 1914 e 1921 em Trieste, Itália, Zurique, Suíça e Paris, França, e consumiu recursos e a saúde do autor, que teve seu problema de visão agravado no período. Aa cartas de Joyce para Harriet são reveladoras. Podemos conhecer toda a aflição pela qual ele passou e o quanto ela contribuiu para seu bem estar. Uma leitura que apreciei demais. Harriet seguiu como amiga e protetora da família até mesmo depois da morte do autor e acompanhou a criação das obras posteriores a Ulisses, como Finnegans Wake. Recomendo não só para quem leu ou pretende ler as obras de Joyce, como para quem quer conhecer mais sobre o lado humano do autor.
Cartas a Harriet -
James Joyce
Iluminuras
2018
128 páginas
4h 16m
ISBN-13: 9788573215892
Português Brasileiro
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