Democracia se faz com verdade factual.
Me lembro de um caso que aconteceu em 1994. O proprietário e sua esposa e mais alguns funcionários de uma escola na região de São Paulo foram acusados por duas mães de abusar sexualmente de crianças no horário de aulas. O delegado responsável pelas investigações determinou a prisão dos envolvidos antes do fim das investigações. A escola sofreu pichações e os envolvidos receberam várias ameaças de morte. E para piorar a imprensa fez ampla divulgação já condenando os envolvidos. Depois houve troca de delegado e após um mês do ocorrido, o inquérito foi arquivado por falta de provas e os envolvidos absolvidos. Mas o estrago já estava feito infelizmente. Antes de julgar os envolvidos, se tivesse apurado a veracidade dos fatos, pelo primeiro delegado e a imprensa, não teriam cometidos essas acusações que destruíram as vidas dos envolvidos, pois todos até hoje enfrenta vários problemas, tanto psicológicos e financeiros (alguns já faleceram). Verdade factual são verdades que se obtém da verificação verdadeira e do relato autêntico dos fatos e dos acontecimentos. O exemplo acima mostra quando não há uma verificação honesta dos relatos exatos dos fatos e dos acontecimentos, somos induzidos a acreditar numa mentira ou mentiras considerando-as como verdades. E suas consequências muitas das vezes são irreversíveis. O livro vai explicando a importância da democracia e a verdade factual e nos ajuda a entender o momento que vivemos, onde muitas pessoas considera a mentira como uma virtude, ou pior, muitas não conseguem enxerga quando políticos demagogos usam a mentira como verdade, para tirar vantagens, aliado ao ódio. Também a leitura comenta muito sobre as redes sociais e o seu impacto nas distorções das informações. Na página 13 tem 8 dicas, que considerei muito importante, para verificar se uma informação na rede social é mentira. O autor, brasileiro, explica que a mentira já vem aparecendo na humanidade já há muito tempo e como eles influenciam decisões democráticas. Um exemplo bem atual foi a campanha do Donald Trump para presidência em 2016, onde usou as redes sociais para despejar uma enorme quantidade de mentiras e o pior que a maioria das pessoas não procuravam em verificar a autenticidade dos fatos. O resultado foi que os Estados Unidos tiveram um presidente ameaçando a todo tempo a democracia norte américa. Uma outra parte do livro considerei muito curiosa foi como a informação foi inventada por uma teoria matemática. Foi nessa teoria, que começa a surgir a era de dados e daí caminhando em direção aos algoritmos que são usados pelas inteligências artificiais (IA) pelas redes sociais hoje em dia. O autor faz uma crítica a esses algoritmos, pois eles acabam criando bolhas, separando um grupo de pessoas das outras. E cada bolha é direcionando um conjunto de informações. Imagine uma bolha que possui ódio de um candidato. A IA irá fornecer informações que incentiva mais ódio, sem uma verificação da veracidade dos fatos. Como autor diz, as redes sociais mais segregam do que integram. Devido ao grau de monopólio das redes sociais, elas não importam se as notícias são verdadeiras ou falsas, elas só querem quantidade. E o pior, como autor alerta, as pessoas acabam sendo mão de obra grátis, pois elas alimentam essas redes com notícias, falso ou verdadeira, pensando que estão somente se divertindo. E essa atitude das redes sociais, pode ajudar um país virar uma tirania. Todo ditador ou autoritário não sabe lidar bem com fatos e por isso que eles atacam a verdade factual. Um exemplo recente foi o escândalo dos gastos do governo federal em 2020 com a compra produtos alimentícios como leites condensados. Um jornal pesquisando no portal da transparência do governo, achou estranho o gasto com esses produtos e fez uma matéria questionando o porquê dos gastos. Incrível que parece, o site no outro dia saiu do ar e o presidente, numa entrevista em um encontro com artistas e autoridades rebate o caso do leite condensado atacando a imprensa, mandando pra-pqp. O autor já previra esse comportamento de um ditador no livro (p 68). O livro também comenta a questão das agências de notícias que espalham notícias fraudulentas e citou o caso da Rússia na eleição dos Estados Unidos em 2016. Também citou o exemplo do Google, cujo preocupação está mais nas estatísticas dos links recebidos, dizem que é bom, isso é bom suficiente (p72). A leitura nos faz refletir que devemos mudar a nossa postura e não sair aceitando tudo que aparece nos meios de comunicação inclusive as redes sociais e procurar exigir das autoridades políticas um amplo debate na criação de leis para evitar a programação de mentiras, onde se valoriza as verdades factuais. A leitura poderá ser densa em alguns momentos, mas tendo paciência, como eu tive, será muito gratificando e recomendo a todos.
