Resenha - Night School
Já tinha um tempo que estava de olho nessa releitura. A lembrança que tenho quando li os dois livros (Escola Noturna; e Escola Noturna - O Legado) é de ter gostado bastante. Foi uma leitura empolgante e bem divertida. Infelizmente a editora Suma não seguiu com a série que é composta por 5 livros no total, tendo só publicado dois volumes aqui no Brasil. Sendo assim decidi tocar a série em espanhol. Precisei reler o primeiro livro (dessa vez em espanhol) para me lembrar de muita coisa (apesar do medo do que seria essa releitura, já que minha mente mudou bastante desde 2015), e vou reler o segundo para tocar com a série. Eu me lembrava só de alguns pontos desse livro, mas quando entrei nessa releitura percebi o quanto havia esquecido de muita coisa, muitos detalhes, nomes, muitos acontecimentos, ou de como certos acontecimentos que eu lembrava se desenrolavam. Foi gostoso relembrar tudo isso… Mas no fim, minha opinião sobre o livro mudou sim. A forma como eu via e amava esse livros já não é mais a mesma após essa releitura. Eu gostei do que eu li, porém juguei muito mais a fundo muitas coisas que eu não julguei ou reparei em 2015. Uma dessas coisas foi o abuso sofrido pela protagonista… Mas já vou chegar nessa parte (não falarei aprofundamente por questão de spoilers). Primeiro vamos falar sobre como estou me sentindo com essa releitura. Apesar de ainda gostar do livro, eu já não consigo sentir todo aquele alvoroço amoroso que senti na época em que li pela primeira vez. A história é boa, é divertida e até gostosinha, mas é muito exageradamente dramática. É aquele livro beeeeem adolescentezinho, bem bobinho mesmo. Algumas pessoas não ligam e até gostam, mas eu já acho um pé no saco. O fato da protagonista se fazer de sonsa o tempo todo e se perguntar diversas vezes questões extremamente óbvias e que estava na cara dela só pra fazer uma ceninha de drama (dar aquele “ar” ao livro de: “será?”), me deixaram de cabelo em pé. No sentido: “não tenho saco para isso!” Essa foi uma das principais coisas que me deixaram irritada durante a releitura. Outra coisa que eu também já não tinha saco era para o triângulo amoroso. Eu já não tenho paciência pra nenhum livro com triângulo amoroso, já passei dessa fase. O triângulo desse livro é sem pé nem cabeça, a protagonista simplesmente tem fogo no rabo mesmo. Sente tanta faísca pelos dois rapazes que até parece que incorporou o próprio festival de fogos de artifícios. Depois que acontece uma agressão da parte de um dos garotos, ela segue sentindo as faíscas pelos dois de qualquer forma… 🤷🏼♀️🤦🏻♀️ Kkkkkkk aí meu Deus, o engraçado é olhar pra trás e perceber como eu não via um problema nessa situação!!! 🤭 Allie começa esse livro toda rebelde, até pisar na escola e do nada ela se transforma em alguém totalmente distinta do que foi apresentado nas primeiras 10 páginas. Allie é a típica protagonista em que tudo gira em torno dela, tudo e qualquer coisa ou alguém nesse livro parece existir ou ter uma função que apenas condiz com a existência dela. Tudo ou qualquer coisa precisa dela. Por exemplo: se temos um perseguidor, ele tá seguindo a ELA. Se temos um mistério, diz respeito a ELA. Se temos um romance/triângulo amoroso é com ELA. Se temos um problema, então ele é derivado de algo que tem relação com ELA. Só ela. Não importa se Allie está ciente ou não das coisas, tudo gira em torno dela. Sem falar que essa personagem é muito bobona. Em 2015 eu diria que ela é uma personagem divertida daquela “super demais e descolada”. A adolescente de 2015 achava incrível a rebeldia e a alta atenção que essa protagonista recebia. Hoje, aos 26 anos, eu digo apenas que Allie é uma menina no centro do seu universo, irritante, sonsa demais e dramática além da conta. Me dava muita gastura o fato de ela não fazer as perguntas certas. Allie não está ciente de absolutamente nada do que está acontecendo, e quando ela vai encontrando as peças do quebra-cabeça para montar, ela precisa de algumas respostas, e quando tem a chance de fazê-las ela não as faz especificamente… Ela faz as perguntas erradas e ainda continua no escuro, e depois ainda reclama que continua no escuro 🤦🏻♀️🤷🏼♀️ Ô raiva dessa sonsa!!! Carter é o único personagem que eu salvo em toda a história. O engraçado é que na minha primeira resenha da primeira vez que eu li eu tinha uma visão completamente diferente dele, e não era boa… mas também não era nada ruim. Era uma visão totalmente diferente de como vi agora kkkkk. Eu lembro de ter gostado dele sim, mas não era grande coisa. Hoje eu me imagino me dando um belo de um tapa na cara da Bia de 15 anos 😆 Carter é um garoto simples, sensato, pé no chão e que parece ter mais neurônios do que qualquer personagem desse livro. A simplicidade dele faz o charme dele. Eu gosto muito da inocência que ele aparenta (mas só aparenta mesmo), ele é um jovem mais na dele. Ele é muito tranquilo, é alguém que tem aquilo de “faço o que faço por tais motivos e não preciso dar satisfação a ninguém se no fim decidirem julgar errado sem saberem dos fatos”… e bom, se as pessoas não sabem os motivos então (como já é um péssimo costume do ser humano) elas apenas o julgam pelo ato sem saberem dos fatos/motivos, e Carter não se importa de corrigir o julgamento de ninguém porque ele não liga se estranhos decidirem o julgar de tal modo. Não faz diferença pra ele como fica a imagem dele, porque ele não tá ali para se pintar como um garoto bonzinho e certinho. Ele não precisa provar nada pra ninguém. Sylvain… O que dizer sobre esse… Esse ser peculiar?! Gente… eu morro com a minha resenha antiga desse livro! Kkkkkk Cada coisa que eu disse naquela resenha, só Jesus na causa🤦🏻♀️… uma delas é que Sylvain é um fofo. Meu deus! É uma pena que o Skoob não tem a função de deixar ter a resenha antiga, e a resenha nova para os casos de releitura! Assim vocês veriam o quanto a minha opinião é diferente da primeira resenha! Sylvain entrou na história como o típico garoto desejado pela escola toda: o Deus que todas as garotas anseiam, mas não tem. O garoto popular e irresistível que arrasa corações e faz as garotas perderem o fôlego, etc. Bom, esse personagem é o clichê do livro. É um personagem que no início me veio apresentado dessa forma, e não se mostrou nada mais do que um jovem que se achava toda vez que estava perto de Allie… Até pouco antes da metade do livro, Sylvain não fedia e nem cheirava. Era um tanto faz. Mas as coisas mudaram em um determinado ponto, e eu passei a ter nojo dele. Vamos falar do “grande acontecimento” desse livro. A questão do abuso/violação que a protagonista sofreu em um determinado momento… É até difícil conseguir expressar o quanto eu estou em choque com a pouca importância que a autora deu a esse ato. É como se a autora tivesse colocasse aquele intento de violação contra uma jovem só para dar aquele drama de mocinha indefesa para que um outro mocinho fosse lá salvar ela antes que fosse tarde demais. A personagem Allie ignora de tal forma o acontecimento durante o livro que fico chocada! Em momentos picados ela pensa sobre o que aconteceu, mas é nítido o quão pouco a sério ela leva o que lhe aconteceu. Tipo como se tivesse sido uma confusão qualquer e não um grave intento de violação contra sua pessoa, onde alguém tentou força-la a fazer algo que não queria, onde alguém não ligava se ela estivesse pedindo pra parar ou se estivesse machucando ela… A autora deu tão pouca bola/importância a um acontecimento tão terrível como se realmente não tivesse sido nada… Enfim, no geral até que foi uma leitura razoável e bem nostálgica, leitura rápida e fluida, divertidinha... Mas o livro é um pouco infantil e imaturo e obviamente minha visão hoje em dia sobre essa história não é positiva em comparação a primeira vez que li em 2015.
