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    Uma escola assim, eu quero pra mim -

    Elias José

    FTD
    1993
    32 páginas
    1h 4m
    ISBN-10: 8532210457
    Português Brasileiro
    3.9
    74 avaliações
    Leram187Lendo44Querem423Relendo7Abandonos3Resenhas5
    Favoritos3Desejados423Avaliaram74

    Na escola da cidade, há meninos e meninas de todas as origens. Rodrigo, que veio da roça, tem uma maneira de se expressar que difere da de seus colegas. Isso é motivo de chacota e de implicância por parte de sua professora e dos colegas. Rodrigo sofre, se cala e cogita voltar para a roça, onde é bom em suas habilidades. No entanto, entra em cena outra professora que age de modo diferente e ajuda Rodrigo a desabrochar como aluno, longe de medos ou inibições. Em Uma escola assim, eu quero pra mim, Elias José aborda a recepção do outro, o preconceito, a aceitação da diversidade já na fase da infância e do aprendizado escolar.

    Resenhas (5)Ver mais
    Daiane da Silva picture
    Daiane da Silva09/06/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Em seu livro "Nas arte-manhas do imaginário infantil", a escritora Fátima Miguez discorre sobre o uso da literatura no ensino básico tomando como um dos exemplos o livro "Uma escola assim, eu quero pra mim", de Elias José. [Pág. 29] "A história começa descrevendo uma situação ainda muito comum. O cenário é a sala de aula e os personagens tipificam essa escola tradicional, onde o aluno-personagem, o protagonista Rodrigo, chega à escola, "doidinho para aprender a descobrir os segredos que havia no encontro das letras", conforme nos informa o narrador. A professora-personagem, dona Marisa, autêntica representante dos valores do passado, prefere investir na cobrança dos exercícios e na punição dos erros. Ainda compondo essa cena inicial, nessa turma de alfabetização, encontramos, também, o objeto livro sendo utilizado de forma mecânica através da cartilha, livro menos atraente. O personagem Rodrigo, que veio do interior para a cidade com uma história de vida diferente dos amigos da escola, foi o maior prejudicado nessa imposição do saber. Foi, inclusive, desrespeitado pela própria professora. E, com isso, "ele não conseguia ler, escrever ou entender por que 'Ivo viu a Eva'. 'A Eva viu a uva'. 'Didi deu um dado ao Dodó'... 'A bola bateu bem na boca do Beto'. Tudo era tão chato e duro, pior do que dobrar a língua para falar problema. (...) Sentia-se menor, mais magrinho e ignorante, queria desistir da escola, voltar para o sítio", segundo nos conta o sujeito da narrativa. Até que, numa das cenas de autoritarismo da professora, que resultou na punição de Rodrigo, ele juntou seus objetos e saiu voando da classe". No portão da Escola acabou encontrando a diretora que o convenceu a voltar, pois dona Marisa ia sair de licença e seria substituída por uma nova professora, dona Celinha. Aqui começa, então, um outro movimento narrativo, a escola tradicional com sua proposta estereotipada de ensino da leitura, representada por dona Marisa, vai ser deslocada e, em seu lugar, surge a escola construtivista, portadora de novos procedimentos em relação à leitura. Dona Celinha, porta-voz dessa nova proposta educacional, na visão do narrador "chegou, magra e pequenina, dizendo ôi, sorrindo, dando bom-dia (...) falou da beleza que era saber ler, viajar com os livros, suas personagens e histórias encantadas". E, mais adiante, ainda observa o narrador "Dona Celinha escolheu um dos livros e leu gostoso. Parecia mesmo uma viagem. Os seus olhos vivos corriam a sala. A voz engrossava ou afinava de acordo com a personagem (...) Ria, espantava-se e fazia a turma gargalhar, quando acabou, todo mundo perdeu a vergonha inicial e pediu mais histórias. (...) Nos outros dias todos, dona Celinha lia histórias e poemas. Inventava sempre mil formas de ensinar". Logo, através do livro e da sua integração com a própria vida, a personagem dona Celinha ia priorizando o imaginário de seus alunos, possibilitando, assim, a construção da leitura dentro de uma relação afetiva-prazerosa. Destaca-se, também, a importância dada às atividades relacionadas as artes que são sempre, na narrativa, motivadas a partir da leitura de uma história infantil. E, assim, Rodrigo e seus colegas passaram a vivenciar a leitura como ato coletivo, social e, também, como experiência individual. A partir do livro literário e no processo da leitura, a sala de aula virava "teatro, floresta, país muito frio ou muito quente". E, ainda, conforme o narrador "histórias mudaram de fim. Personagens de dois ou três livros se misturaram." Muita vriação, recriação, recreação e alegria passaram a fazer parte do dia-a-dia daquele grupo escolar. E, com esse clima espontâneo, Rodrigo teve a oportunidade de recobrar sua identidade, sua história de vida e "contou histórias vividas com caboclos, vacas, bezerros, família e plantas." E, para finalizar, dona Celinha, professora substituta, teve que se despedir da turma com muitos "choros, reclamações e abaixo-assinados dos pais". De volta à classe dona Marisa que, segundo o narrador, "entrou na sala de aula mais solta com a cara feliz", encontrou sua turma mais unida e reivindicando mudanças. A professora, observa o narrador, "viu que teria de inventar novos caminhos..." E, aderindo á prática já incorporada ao grupo, de leituras de histórias na sala de aula "foi ficando menos grande, depois quase criança. Muito bonita, doce, e feliz em ensinar". Ela também aprendeu que ler é ver com os olhos e o coração livres para ver e sentir. A leitura do texto literário, situada assim, no espaço intermediário entre ler e o viver, passou a seu um dos meios daquelas crianças-personagens escaparem das cobranças clicherizadas da Escola tradicional, para alcançarem outros caminhos de leitura do mundo. trazendo à luz o velho e o novo na sala de aula, simbolizadas pelas professoras Marisa e Celinha, o texto metaforiza a importância da renovação no sistema educacional brasileiro. Só libertando o imaginário da criança é que ela conseguirá descobrir as várias possibilidades de conhecer e interpretar a vida, as pessoas, o mundo... A leitura enquanto ato individual, espontâneo e interior não deve ser manipulada como dever de sala de aula, pelo contrário, ela deve ser expressão de um sentimento íntimo de prazer. É o prazer de ver, ler e descobrir o mundo através da Literatura. Uma escola assim, que adote uma prática literária democrática, é o que se quer para todas as crianças."

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    Elias José

    Elias José nasceu em Santa Cruz da Prata, distrito do município de Guaranésia, Minas Gerais, em 25 de agosto de 1936. Viveu em Guaxupé/MG com sua esposa Silvinha e seus três filhos: Iara, Lívia e Érico. Além de escritor, Elias José foi professor de Literatura Brasileira e de Teoria da Literatura na Faculdade de Filosofia de Guaxupé (FAFIG), tendo atuado também como vice-diretor, diretor e coordenador do Departamento de Letras e como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na Escola Estadual Dr. Benedito Leite Ribeiro. Começou a publicar em 1970, quando a Imprensa Oficial de Minas Gerais lançou "A Mal-Amada", uma surpreendente coleção de minicontos, com apoio de Murilo Rubião, que reunia contos publicados em suplementos literários do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Portugal. Antes disso, já tinha conquistado o segundo lugar no Concurso José Lins do Rego da Livraria José Olympio Editora, em 1968. Depois publicou "O Tempo, Camila" e o "Inquieta Viagem ao Fundo do Poço", este, ganhou o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro como Melhor Livro de Contos e, ainda, o prêmio Governador do Distrito Federal como Melhor Livro de Ficção de 1974. Elias José tem contos e poemas traduzidos e publicados em revistas literárias e antologias de autores brasileiros no México, Argentina, Estados Unidos, Itália, Polônia, Nicarágua e Canadá. Foi, por várias vezes, selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para representar o Brasil em feiras de livros internacionais. Foi ainda jurado de vários concursos literários, ministrou cursos, oficinas e palestras, participou de vários congressos de educação, lingüística e literatura. Faleceu aos 72 anos, vítima de complicações de uma pneumonia, enquanto curtia férias com a família, em Guarujá, no litoral paulista, no dia 02 de agosto de 2008. Fontes: foto e briografia: http://iceliasjose.blogspot.com

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