The Price of Inequality: How Today's Divided Society Endangers Our Future (English Edition)

    Joseph E. Stiglitz

    W. W. Norton & Company
    2012
    449 páginas
    14h 58m
    ISBN-13: 9780393089066
    Português Brasileiro
    Resenhas (1)Ver mais
    Gustav Barbosa picture
    Gustav Barbosa09/04/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É recorrente a discussão sobre os efeitos da desigualdade econômica na sociedade. Há os que afirmam que as diferenças de riqueza são produto do mérito de cada indivíduo, sendo a desigualdade um fator inerente de qualquer sociedade. Joseph Stiglitz, no entanto, aborda em The Price of Inequality como a desigualdade é produzida por uma série de instrumentos políticos e econômicos que perduram há décadas, como ela gera problemas que atingem a sociedade como um todo e como é possível diminuir essas diferenças sociais dentro de um país. Em princípio, o autor apresenta o cenário de desigualdade dos EUA, onde 20% da população mais rica recebia mais que os 80% mais pobres juntos, na época da escrita do livro. Ele mostra como esse desbalanço foi crescendo nos últimos 30 anos e como os mais pobres ganharam menos proporcionalmente e até perderam renda a despeito da crescente riqueza dos mais ricos. Fala também como a qualidade de vida dos mais pobres foi deteriorada especialmente após a crise de 2008 e como essa população continuou acreditando (em geral) no American Dream, apesar de os EUA serem o país mais desigual entre os mais desenvolvidos. O autor apresenta os mecanismos que moldaram a desigualdade americana com o passar dos anos. O rent seeking, prática de aumento de renda sem aumento de riqueza, é apresentado pelo economista como um desses mecanismos. Por meio de políticas de anticompetitividade, práticas predatórias de mercado e lobbying, o mundo corporativo foi capaz de aumentar seus lucros sem gerar mais riqueza para a sociedade, tudo isso com ajuda dos atores políticos. Além disso, o mundo político também contribui para a desigualdade criando leis que precarizam o trabalho ou levam ao desemprego; deixando de taxar heranças e grandes fortunas; subsidiando a concessão de recursos públicos; não garantindo uma educação de qualidade para o mais pobre; não realizando um programa de redistribuição de renda eficiente; além de diversos outros pontos. Todo isso gera problemas para o país. A desigualdade contribui para a diminuição da produtividade e da eficiência, a estagnação do crescimento, a produção de mais instabilidade social e econômica, além de interferir no processo democrático, que deixa de operar no sistema “uma pessoa, um voto”, para usar o sistema “um dólar, um voto”. Essas deformações do tecido social também são refletidas nos meios de informação, que passam a coadunar com os interesses dos mais ricos ao invés dos da sociedade como um todo. Por fim, o autor apresenta um vislumbre do que podemos ter pela frente. A luta contra a desigualdade é difícil, mas pode haver algum resultado. Uma reforma econômica precisa ser feita, apesar de toda reação contrária que exista pelos que hoje se beneficiam do atual sistema. Os excessos do sistema financeiro, com seus juros exorbitantes e suas práticas de evasão fiscal, devem ser cortados; a competitividade real deve ser estimulada; concessões de recursos naturais devem ser melhor discutidas e atividades que produzam prejuízo à natureza devem ser impedidas ou duplamente taxadas; o sistema de imposto deve ser progressivo, com os mais ricos pagando pelo pedaço maior da fatia. Enfim, são vários os aspectos que precisam ser repensados se quisermos uma sociedade mais justa e igualitária.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    0 / 0
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%