Procura-se alguém que saiba turco. Ao atender a este inusitado anúncio publicado no jornal de uma metrópole europeia, a estudante turca Pelin é introduzida na casa de Rosella Galante. Rosella, uma velha senhora que se refugiara em Istambul durante a Segunda Guerra Mundial procura alguém que possa ajudá-la a não perder a memória: “Se esquecer o turco, temo que tudo o que vivi desapareça silenciosamente”. A intensa amizade que vai se estabelecendo entre as duas mulheres envolve o leitor; são dramas humanos, amores e paixões que vão desfilando aos nossos olhos, ao mesmo tempo que, apesar da diferença de gerações, elas se percebem falando “a mesma língua”.
As preces são imutáveis -
Tuna Kiremitçi
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Ver maisMantendo as lembranças
Um anúncio de jornal diferente: Procura-se alguém que saiba turco. Pagamento satisfatório. Experiência não é importante. Dá-se preferência a não fumante. Rosela é uma senhora idosa e solitária. Vive numa cidade (imagino que seja Paris) com sua gata e Zelda, uma empregada quase muda, que lhe serve há 30 anos. A senhora está doente e sente que seu tempo está acabando. Ela vive nesta cidade europeia há 60 anos. Todos seus amigos e familiares estão mortos, e para ela o que resta na vida agora é lembrar. E suas melhores lembranças são do período que viver em Istambul, e seu medo maior é esquecer a língua, e assim esquecer seu passado. Razão para o anúncio no jornal. E quem responde ao anúncio é a jovem Pelin, que veio morar neste país após brigar com o pai, e que busca uma maneira se tornar independente deste que mesmo a distância a segue controlando. No começo Pelin estranha aquele anúncio, no primeiro encontro elas não sabem como se portar, a diferença de idade entre as duas é grande, portanto, a Istambul que ambas conhecem também é diferente, mas aos poucos a confiança entre elas vai se formando, e ambas percebem que podem se ajudar bastante. Pelin é uma garota extremamente solitária que não confia em relacionamentos, já que sua mãe trocou sua família por um outro homem e seu pai acabou arrumando uma namorada bem mais jovem. Já a velha Rosela tem bastante história para contar, pois é judia, nascida na Alemanha, de onde conseguiu sair com a ajuda do marido no início do nazismo, indo para Istambul, onde passou a conviver com a família do marido, mas onde acabou conhecendo um outro amor. Em um livro formado 100% por diálogos, vamos acompanhar o encontro destas duas personagens singulares e perceber que aquilo que parece extremamente cruel na juventude, pode ser um simples tremor para aqueles que já viveram muito mais tempo. E que nem sempre podemos julgar as atitudes dos outros, principalmente quando envolvem amor. E que a solidão, como consequência da vida ou por escolha, não é boa, e mesmo que cada uma tenha suas crenças, as preces são imutáveis, pois as pessoas sempre buscam o mesmo conforto.
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