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    Poesia Completa e Prosa Seleta: Manuel Bandeira -

    Manuel Bandeira

    Nova Aguilar
    2020
    2644 páginas
    3d 16h 8m
    ISBN-13: 9788521001294
    Português Brasileiro
    4
    1 avaliação
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    A Editora Nova Aguilar, dando continuidade ao seu trabalho de publicação de grandes autores da literatura brasileira e estrangeira, traz ao público leitor o box com dois volumes da Poesia completa e prosa seleta de Manuel Bandeira, considerado por muitos um dos maiores poetas que o Brasil teve e um dos escritores que mais influência exerceu no meio literário nas últimas décadas. Organizada pelo crítico literário e ensaísta André Seffrin, esta edição traz em seu primeiro volume todos os livros de poesia de Bandeira já publicados, ao lado de textos escritos em sua homenagem, uma alentada fortuna crítica sobre sua produção poética e um segmento bastante ampliado do teatro poético traduzido pelo autor, o qual havia sido parcialmente publicado na primeira edição da Aguilar, de 1958. No segundo volume, os leitores tem à sua disposição uma seleção bem representativa da inigualável prosa do escritor. Destacam-se aqui, além de importantes textos de fortuna crítica acerca da prosa de Bandeira, os livros de crônica mais célebres do escritor: Crônicas da província do Brasil, Flauta de papel e Andorinha, andorinha. Cumpre sublinhar ainda a presença neste volume de Itinerário de Pasárgada (reflexão autobiográfica de Bandeira), de seu famoso Guia de Ouro Preto e de uma compilação de seus principais escritos no campo da crítica literária e de artes.

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    Laércio Becker picture
    Laércio Becker25/02/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Na prosa, a edição de 1958 é melhor

    Comprei essa edição de 2020 na esperança de que seu volume 2, de prosa, seria melhor que a clássica de 1958. Dei com os burros n'água. A de 1958 é mais completa. Vou provar. A edição de 2020 até que começa bem. A apresentação de André Seffrin é superior à “Nota editorial” de Afrânio Coutinho. Depois vem uma “Fortuna crítica”, que a edição de 1958 não tem. Embora conte com apenas quatro textos (de Sérgio Milliet, Antônio Carlos Villaça, Carlos Newton Jr. e Ângelo Oswaldo de Araújo Santos), num total de 12 míseras páginas (p. 14-25). Isso sem contar uma “Notícia sobre Manuel Bandeira”, de Otto Maria Carpeaux, inexplicavelmente perdida (p. 768-74) em meio aos “Ensaios literários” de Bandeira (p. 600-825). No “Itinerário de Pasárgada”, enquanto a edição de 1958 contava apenas com uma “Nota preliminar” de Franklin de Oliveira, a de 2020 faz um cotejo entre várias edições, como explica Carlos Newton Jr. em notas de rodapé no texto “Critérios da edição”. Como se vê, a edição de 2020 largou bem. Mas é um cavalo paraguaio. Começa a diminuir o ritmo nas “Crônicas da província do Brasil”. Eu imaginava que incorporaria as fontes dos textos, identificadas na edição da Cosac Naify (2006). Em vez disso, ainda dispensou a “Nota preliminar” de Otávio Tarquínio de Sousa, da edição de 1958. Mas o desastre mesmo está na “Flauta de papel”. Em relação à edição de 1958, deixa de republicar 89 crônicas e a “Nota preliminar” de Afrânio Coutinho. Ainda assim fica com mais crônicas que a péssima edição da Global (2014, reedição reduzida da primeira, de 1957, sem as 13 originárias de “Crônicas da província do Brasil”) e que a “Seleta de prosa”, organizada por Júlio Castañon Guimarães para a Nova Fronteira (1997). Vamos aos números: 213 crônicas na edição de 1958, 124 na de 2020, 60 na da Nova Fronteira e 46 na da Global. No capítulo seguinte, “Andorinha, andorinha”, a edição de 2020 se recupera, já que a edição de 1958 é anterior a esse livro organizado por Drummond (de 1966). Mas podia ser melhor. Primeiro que seleciona apenas 92 crônicas das 285 desse livro. Segundo que, até onde pude perceber, não restaurou a originalidade dessas crônicas, já que foram mutiladas por Drummond. Sim, mutiladas por Drummond, por que o espanto? Eduardo Coelho restaurou a originalidade de 9 delas na coletânea “Melhores crônicas”, publicada pela Global, em 2003. Em “Gonçalves Dias”, a edição de 2020 não republica a “Nota preliminar” de Odylo Costa Filho e a “Iconografia”. O que, cá entre nós, não faz grande diferença. Quanto ao “Guia de Ouro Preto”, sem novidades. Nos “Ensaios literários”, o desequilíbrio é menor. A edição de 2020 não republica a “Nota preliminar” de Antônio Cândido e uma “Autocrítica” de Bandeira (não datada, que não se confunde com a de 04.11.1956, da “Flauta de papel”, que a edição de 2020 também não republica). Em contrapartida, publica uma “Oração de paraninfo” de 1949 (que não se confunde com outra de 1945, que consta em ambas as edições). Outra vantagem da edição de 2020 é a republicação do verbete “A versificação em língua portuguesa”, também posterior à edição de 1958, já que saiu originalmente na enciclopédia Delta Larousse, de 1960. No capítulo “Crítica de artes”, a edição de 2020 só não republica a “Nota preliminar” de Murilo Mendes. No “Epistolário”, a edição de 2020 é superior, com 144 cartas, contra 117 da edição de 1958 (e apenas 10 na “Seleta de prosa” de 1997). Mas volta a perder conteúdo ao não publicar um “Índice onomástico”, tal como o da edição de 1958. As bibliografias são diferentes, porém não consigo concluir qual edição é melhor nesse quesito. Por fim, um último cartão amarelo: a edição de 2020 não tem títulos correntes, ao contrário da de 1958. Em resumo, para quem já tem a edição de 1958, a de 2020 não é uma inutilidade completa, sobretudo por causa do “Epistolário”. Mas para quem tem a de 2020, a de 1958 é imprescindível, principalmente por causa da maior quantidade de crônicas da “Flauta de papel”.

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    Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho

    Foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Possuía um estilo simples e direto, foi o mais lírico dos poetas. Abordava temáticas cotidianas e universais, às vezes com uma abordagem de "poema-piada", lidando com formas e inspiração que a tradição acadêmica considera vulgares. Mesmo assim se valeu de formas colhidas nas tradições clássicas e medievais. Em sua obra de estreia (e de curtíssima tiragem) estão composições poéticas rígidas, sonetos em rimas ricas e métrica perfeita, na mesma linha onde, em seus textos posteriores, encontramos composições como o rondó e trovas.

    109 Livros
    529 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho