Anita sempre foi uma garota diferente das outras. Ao viajar para participar de uma competição de natação em Boa Vista-RR, um acidente ocorre...Ela e mais dois amigos, Bruno e Lucas, perdem-se na Floresta Amazônica... Tal incidente mudará suas vidas e levará Anita a descobrir sua verdadeira identidade e os mais profundos segredos dessa floresta: o que consequentemente, implicará em difíceis escolhas. Uma estória com romance, aventura e fantasia, que mistura detalhes da Amazônia, lendas indígenas, mitologia grego-romana e, sobretudo, amor pela natureza.
BELAS ÁRVORES -
LAURA CAVALCANTE
Todas as vezes que me perguntam sobre o quê é este livro, tenho que pensar um pouco. Até hoje não sei ao certo. Começo, por influência das palavras de Alvares de Azevedo, desculpando-me: "São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor." Certa vez refleti mais um pouco acerca deste assunto e me lembrei das aulas de Literatura sobre o Arcadismo. Este livro poderia ser considerado como um "neo-arcadismo", acho eu. Fugere Urbem, mitologia grega, amores não concretizavéis... Entretanto, com um diferencial: Seu cenário é a floresta amazônica, mas especificamente em algum lugar na fronteira entre Amazonas e Roraima. Há muita descrição do lugar para que o leitor que nunca tenha conhecido uma mata equatorial posso se encontrar na trama. Por isso, é uma discreta exaltação à natureza. Os personagens são adolescentes da cidade de Manaus, minhas tenras - mas esforçadas- tentativas de iniciação literária, que se veem perdidos na floresta e instigados a descobrir seus mistérios. Com efeito, não são de personalidades sutis e complexas, mas também não são superficiais. Chegam a atrair a atenção do leitor. Os elementos fictícios como as dríades, criaturas que eu emprestei da mitologia greco-romana, apenas dando retoques mais tropicais e amazônicos, parecem encaixar-se perfeitamente no lugar onde a história se passa... (Dríades, ninfas das árvores, por que não existiriam na maior floresta tropical do mundo?) É um livro de poucas páginas, de tímidos rebuscamentos, pois possue o ritmo ágil e meio cinematográfico do jovem, deixando escapar, por vezes, traços da dramaticidade de tragédias gregas ou shakespearianas (com uma morte trágica e de moral ecológica, por exemplo). Acima de tudo, é o tímido grito de uma jovem que busca de um modo incomum salvar sua floresta: escrevendo. Tornando as árvores, criaturas vivas e cheios de sentimentos e temores, busquei sensibilizar as pessoas para darem atenção às nossas ricas matas brasileiras. No final, a protagonista depara-se com um dilema, em que talvez o leitor também fique preso: voltar à sua vida normal (à sua cidade, seus amigos e seu conforto) ou ficar na floresta( defendendo as árvores e as belas criaturas que ela abriga, apesar dos perigos)? E assim vamos acompanhando o amadurecimento de Anita, e ficando a cada página mais fascinado com o que realmente existe debaixo das copas das belas árvores amazônicas. OBS: a continuação deste livro já está pronta à espera de publicação e está bem melhor que o primeiro livro.
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