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    Moby Dick - ou A baleia

    Herman Melville

    Clube de literatura clássica
    2024
    624 páginas
    20h 48m
    ISBN-13: 9788573267389
    Português Brasileiro
    3.8
    12134 avaliações
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    Favoritos10Desejados25530Avaliaram12134

    Você já deve ter ouvido falar este nome: Moby Dick. É assim que foi batizada a baleia mais famosa da literatura. E o título que Herman Melville escolheu para o seu grandioso romance — o clássico deste mês do Clube de Literatura Clássica. Publicado em 1891, Moby Dick conta a história de um navio que parte em uma longa viagem para fazer dinheiro com a pesca de baleias. O navio é comandado por Ahab, um homem que perdeu uma perna atacado por uma gigantesca cachalote branca — a baleia Moby Dick. Ahab tem uma única ambição: vingar-se de Moby Dick. E ele é capaz de tudo para satisfazer seu desejo de vingança. Isso é o que nos conta Ismael, um jovem tripulante da embarcação de Ahab e que narra as aventuras a bordo desse navio. Conforme a história se desenrola, somos apresentados a um romance muito mais profundo do que o simples relato de uma aventura em alto-mar. Moby Dick é impregnado de simbolismo: desde a escolha dos nomes (em geral, de origem bíblica) até os números e cores presentes na obra, tudo comunica uma realidade que vai muito além da mera viagem marítima. O narrador oferece descrições precisas sobre a pesca às baleias, apresentando ao leitor essa realidade tão inusitada e pouco conhecida atualmente. Além disso, Ismael é um observador atento e reflexivo, que carrega a sua narrativa com instigantes reflexões sobre a natureza humana. Suas reflexões dão densidade à obra, que ultrapassa o mero conflito físico entre Ahab e a baleia: trata-se de um conflito existencial entre o homem e seu destino. Não é à toa que Moby Dick se popularizou com o seu reconhecimento por filósofos e psicólogos do início do século XX — como Albert Camus, o autor existencialista de O estrangeiro. Muito mais que uma aventura pelo oceano em busca de uma enorme baleia, Moby Dick é um mergulho nas profundezas da natureza humana.

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    Paulo Henrique picture
    Paulo Henrique27/03/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Resenha

    Percebo que leitor tem que ter certa força de vontade para chegar ao final deste livro. Os capítulos são relativamente curtos, mas são bastantes (135), e boa parte deles são de descrições e detalhes que, confesso, me foram alguns muito entediantes. Digo com sinceridade que certos capítulos podem ser pulados sem peso na consciência, e isso não afetaria em nada o entendimento completo da história. Talvez um fã da oba discorde de mim e diga que estou depreciando um clássico, enfim. A história em si pode até ser interessante. Ishmael, o protagonista, já nas primeiras palavras do livro diz que decidiu por se aventurar nos mares por não ter nada em especial que o interessasse em terra firme; o oceano era uma forma de espairecimento. Embora ele tenha tido experiência como marinheiro mercante, ele não sabia nada da vida de baleeiro. Portanto, a história é tanto uma novidade para o protagonista quanto para o leitor, que passará a conhecer os meandros dessa profissão que foi muito comum nos séculos anteriores, mas já quase banida do nosso século (exceto por Noruega, Finlândia e Japão, que, pelo que pesquisei, ainda caçam os cetáceos). O que dá um toque de mistério à história é a existência de uma baleia que causa terror a qualquer marujo pela simples menção do nome, por causa da lenda em torno desse gigantesco ser de força anormal e inteligência surpreendente para sua espécie; somado a isso, temos os planos quase psicopáticos do capitão do navio, Ahab, que a qualquer custo busca vingança dessa baleia chamada Moby Dick e que transforma sutilmente a profissão de seus subordinados em um plano pessoal para finalmente caçar a baleia branca. A maior parte do livro, contudo, são de descrições e devaneios do personagem principal, que esbanja observações e termos técnicos náuticos dos quais nós pouco entenderemos. Personagem culto, cheio de referências e, devo dizer, com um bom poder argumentativo, assim Ishmael vai aprendendo a sua nova profissão e o livro ganha um quê de científico ou sociológico: "quanto mais mergulho neste assunto de pesca baleeira e faço avançar minha pesquisa até suas mais remotas fontes, muito mais me impressiona a sua grande respeitabilidade e antiguidade". Mesmo assim, ele mesmo reconhece (será?) o quão mesquinho é por parte do homem caçar centenas de baleias para tão somente garantir a iluminação de lamparinas à óleo: "aqueles eram tempos cavalheirescos da nossa profissão [de baleeiro], quando nos armávamos apenas para socorrer os necessitados e não para abastecer as lamparinas dos homens". Em suma, é um livro longo de uma jornada longa, cheio de detalhes que podem interessar a alguns mas entediar a outros, como foi meu caso. Por fim, reconheço que devemos dar os méritos ao autor, que na época deve ter esmiuçado a fundo a profissão e a época para poder escrever esta obra tão robusta.

    473 curtidas

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