Torto arado (Trilogia da Terra #1) - Edição comemorativa

    Itamar Vieira Junior

    Todavia
    2024
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-10: 6556927198
    Português Brasileiro

    <b>Livro fundamental da literatura brasileira e sucesso universal em uma caprichada edição em capa dura e com texto revisado pelo autor.</b> Não restam dúvidas de que, meia década depois de sua publicação original em língua portuguesa e diante da aclamação universal de que tem sido objeto, <i>Torto arado</i> se im­põe, a cada dia que passa, como um raro exemplar da nossa vida literária: um clássico do nosso tempo. Um livro que parece amalgamar de maneira exemplar o gosto pela narrati­va bem construída que não se furta a pincelar aqui e ali um vocabulário que lhe dá certa cor local e um inconformismo radical diante da violência colonial e da lógica escravocrata que ainda perduram no Brasil. Um livro essencial e agora em edição especial revista pelo autor.

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    Bookster Pedro Pacifico23/02/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Torto Arado, de Itamar Vieira Junior

    Não tenho dúvidas de que 2020 foi o ano do “Torto arado”. Vencedor de dois prêmios literários de extrema relevância (Prêmio Jabuti e Oceanos), o livro de Itamar também conquistou o gosto do público leitor. E com tanta crítica positiva sobre o livro, fica até difícil fazer comentários, seja pelo risco de ser repetitivo, seja pelo medo de fazer algum comentário que possa ir contra a opinião do público. Por meio da voz das irmãs Bibiana e Belonísia, o autor constrói de forma sensível e humana a herança de um passado escravagista que perdura no território brasileiro, mais especificamente no sertão baiano. E quando a gente fala em dar “voz” às personagens, Itamar dá voz aos silenciados. Talvez seja esse o significado por trás da marcante cena que inaugura a narrativa e que vai perseguir os moradores de Água Negra: a mutilação de quem desde criança já está condenado à submissão social. É a mutilação pela memória. Ao redor de Bibiana e Belonísia, outras vidas são apresentadas ao leitor. Histórias muito bem entrelaçadas por Itamar e que deixam clara a dureza da vida no sertão nordestino. Vive-se com muito pouco, porque não se pode ter mais. Deve-se obedecer para poder seguir vivo e manter viva a família. Se de um lado há poucos que se aproveitam dessa situações, são tantos aqueles que sofrem para sustentá-la. Todo esse cenário é acompanhado não só pelo leitor, mas também por Santa Rita Pescadeira, uma entidade que já há muito tempo compartilha o sofrimento desse povo cheio de fé. Uma leitura fluida, mas que merece o seu próprio tempo para capturar tamanha densidade em poucas páginas. É refletir sobre a denúncia de uma sociedade que ainda é profundamente marcada pelo seu passado em que a escravidão era tolerada. Se depois de tanto tempo uma lei veio para proibir, será que a realidade realmente obedeceu a letra que mancha o papel? Nota: 10/10

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