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    Amanhecer na colheita (Jogos Vorazes #0.5) -

    Suzanne Collins

    Rocco
    2025
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-10: B0D67BBNVX
    Português Brasileiro
    4.7
    7294 avaliações
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    Quando você está fadado a perder tudo que ama, pelo que ainda vale a pena lutar? Ao amanhecer do dia da colheita da Quinquagésima Edição dos Jogos Vorazes, o medo toma conta dos distritos de Panem. Nesse ano, em comemoração ao Massacre Quaternário, o dobro de tributos será levado de suas casas. No Distrito 12, Haymitch Abernathy está tentando não pensar muito nas suas chances de ser sorteado – só quer sobreviver ao dia e passar um tempo com a garota que ama. Mas, ao ser escolhido, todos os sonhos de Haymitch desmoronam. Ele é separado da família e da namorada e enviado para a Capital com outros três tributos do Distrito 12: uma menina que considera quase uma irmã, um rapaz viciado em calcular chances e apostas, e a garota mais arrogante da cidade. Conforme os Jogos se aproximam, Haymitch compreende que está tudo armado para o seu fracasso, mas parte dele deseja lutar... e deseja também que essa luta reverbere muito além da arena mortal.

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    Queria Estar Lendo24/03/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha: Amanhecer na Colheita

    Já é um fato que a Suzanne Collins só escreve um livro de Jogos Vorazes quando tem algo a dizer. O do Snow se relacionava muito à ascensão do extremismo e do fascismo em governos modernos, e Amanhecer na Colheita é a peça que faltava ao quebra cabeça desse universo, abrindo não com apenas um, mas quatro epígrafes relacionadas à imbuídas em propagandas, submissão política e a vagarosidade com que se nascem as revoluções. É aniversário de dezesseis anos de Haymitch Abernathy, e é também o dia da Colheita. Essa é a edição de número 50 dos Jogos Vorazes. O Segundo Massacre Quaternário. Neste ano, os Distritos devem enviar o dobro de tributos para competir na Capital. 42 crianças sorteadas para que apenas uma saia vitoriosa da arena. Haymitch é um dos escolhidos. Ele não sabe se tem chance de sobreviver aos jogos, mas quer tentar. Pela mãe, pelo irmãozinho, pelo seu grande amor, Lenore Dove. Junto aos outros tributos do Distrito 12, ele decide que vai tentar sobreviver. Junto a outros tributos de Distritos menos afortunados, eles decidem se aliar para fazer força com os números. O problema é que cada pequeno ato rebelde contra a Capital, seja ele uma fala ou uma ação, gera consequências. E Haymitch vai vivenciar isso na pele. Se A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes é um prequel que constrói o grande vilão da saga, Amanhecer na Colheita é uma lente de aumento sobre um dos personagens mais interessantes que existiam em Jogos Vorazes. Ao contar a história do Haymitch, Suzanne Collins encaixa uma peça que eu nem sentia que estava faltando, mas que, ao completar o quebra-cabeça dessa saga, finaliza o cenário que ela começou a construir. Esse livro é muito parecido com Jogos Vorazes em questão de estrutura. Ouso dizer, propositalmente também. Ela está contando a história de outro tributo sendo enviado para outro massacre dentro de uma arena patrocinada por uma capital sádica que mostra o poder que tem sobre 12 distritos através do medo e do circo. Mas também está contando a história de um personagem que já conhecíamos, e sobre o qual estamos conhecendo facetas nunca antes mostradas. Haymitch é (para nós, porque é para Katniss) um mentor bêbado que já desistiu da vida e das vitórias, relegado ao fracasso do Distrito 12 de novo e de novo e de novo nos Jogos Vorazes. Haymitch é, para nós, em Amanhecer na Colheita, um garoto apaixonado, cheio de vida e de expectativas. Ele é um filho dedicado, um amigo querido, uma paixonite apaixonada. Ele é malandro, carismático, e é sorteado para o Segundo Massacre Quaternário em uma situação para lá de corrupta, que ilustra muito bem o controle que a Capital tem sobre tudo e todos nos Distritos. A história dele também se inicia com um ato de coragem e, perpendicularmente a isso, de rebeldia. Em outras circunstâncias, ele e Katniss são personagens espelho um do outro. Os dois odeiam a Capital pelo que estão sendo forçados a fazer, mas, diferente dela, os atos rebeldes de Haymitch são sempre premeditados. Ele é um malandro, e sabe que pode usar isso a seu favor. E também tem a questão do que é ofertado a ele, uma vez visto como o tributo rebelde da vez. Uma chance de atrapalhar os planos da Capital. Uma chance de causar nos Jogos Vorazes. De ser mais do que um tributo, mas um ato revolucionário. Esse dilema que se instaura no Haymitch é o que faz a curva fechada, levando Amanhecer na Colheita para outro caminho. A estrutura ainda é a mesma: colheita - desfile - entrevistas - jogos - sobreviva. Mas tem esse pequeno detalhe que acrescenta tensão e confusão; o que ele vai fazer, com o que é ofertado? Quão rebelde é o garoto da Costura? O quanto ele está disposto a sacrificar de si mesmo para que os seus jogos signifiquem alguma coisa além da tortura e do massacre? Não apenas Haymitch, mas os outros 3 tributos que vêm do 12 com ele formam um leque interessante de personagens. Em especial Louella, a garotinha de quem Haymitch cuida como uma irmãzinha, e Maysilee, afrontada e nem um pouco temerosa com a língua afiada que estala em direção a quem entre em seu caminho. A minha favorita, disparada. Outra personagem de grande importância é Lenore Dove. Membro do Bando, ela é uma cantora com um coração revolucionário. É também o amor da vida do Haymitch, responsável por dar a ele o símbolo que o acompanha nos Jogos Vorazes e por ser a âncora que o sustenta quando a sua mera existência parece prestes a derivar para longe. "- Então, o 12 tem uma lunática, um computador e uma cobra. O que você é? - Um incômodo." O Segundo Massacre Quaternário é o ano dos jogos em que o dobro de tributos foi levado para a arena. E não apenas a logística disso, mas o que significa ter mais crianças e adolescentes reunidos, no aguardo do dia em que serão enviados para o abate, é muito bem explorado pelo livro. Amanhecer na Colheita é uma história que surpreende mesmo lidando com o previsível. Já sabemos que o Haymitch venceu essa edição dos Jogos Vorazes. Já sabemos que ele se tornou um mentor bêbado e traumatizado. Mas o livro lida justamente com as perguntas que transformam a história dele na peça final do quebra-cabeça: como e por quê? Eu vi muitos comentários temerosos de esse se tornar um livro que glorifica os jogos vorazes e apenas se aproveita de um personagem querido para entreter os leitores com a crueldade do Massacre Quaternário, mas está bem longe disso. As frases de abertura ilustram o que se encontra no livro: o perigo da manipulação midiática e o poder que uma história mentirosa tem quando bem contada com a ajuda do poder vigente. Especialmente no momento em que estamos vivendo, com os governos que têm tomado posse, com o aumento da presença de extremistas na mídia, com grandes empresas se afastando da diversidade, rumo ao conservadorismo, Amanhecer na Colheita é um livro muito atual. "Eles não vão usar nossas lágrimas como entretenimento." Vivemos constantemente conectados, alvos de um bombardeio de informações a cada segundo. Redes sociais são controladas por absurdos fascistas (se você por acaso acha que a Capital é outra coisa que não uma ditadura extremista, por favor leia com os olhos abertos), propagandas falsas rodam a internet sem nenhum filtro, IA's se tornam cada vez mais comuns, roubando e reutilizando sem controle. A história do Haymitch é sobre manipulação. Nós somos manipulados por ela, do começo ao fim, e nos prova que o pouco que conhecemos sobre todos esses anos de Jogos Vorazes pode ter sido manipulação também. Fala sobre o poder da mão firme da Capital e da história que ela quer contar. Como a revolução já existia desde os primórdios, mas pequenas faíscas não se sustentam sem o combustível certo. Um incêndio só destrói quando bem orquestrado; uma revolução só nasce quando tem o poder para resistir. É, sim, impossível falar dessa história sem fazer um alarde. No fim das contas, nós somos a Capital, representando o público que acompanha o espetáculo. Mas também somos os rebeldes, conhecendo os pormenores do que nossos personagens pensam, espiando nos cantos que o olho que tudo vê não pode chegar. É um convite a olharmos para a nossa realidade e aos absurdos que têm ganhado força nela. Se não fizermos nada agora, para onde estamos caminhando? O sol continua nascendo, isso é inevitável, mas para que mundo ele está nascendo é que realmente importa. Para a Colheita ou para a liberdade? Ainda que o tom melancólico e devastador impere sobre a jornada do Haymitch, tem um epílogo que destrói seu coração e também traz um pouco de alívio ao que vivenciamos. A edição da Rocco, na versão digital, tá ótima, com a tradução impecável da Regiane Winarski. Mal posso esperar para ter o meu físico na estante! Amanhecer na Colheita é um estudo de personagem e do poder com a perspicácia de uma autora que surge do absoluto nada para colocar seus leitores para pensar. É um convite a olhar para esse circo midiático que é a Capital e como isso é traduzido para o nosso mundo. Enquanto líderes de grandes potências acenam e sorriem para as câmeras, histórias de horror são apagadas da História.

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    Suzanne Collins profile picture

    Suzanne Collins

    Suzanne Collins é escritora e roteirista de programas infantis, formada em escrita dramática pela New York University. Fez vários roteiros para a Nickelodeon. Entre 2003 e 2007, Suzanne escreveu os cinco livros da série de fantasia “The Underland Chronicles”. Em 2008, lançou “The Hunger Games”, primeiro livro da trilogia homônima. A inspiração veio quando ela assistia TV: mudando de canal, viu um reality show que passava ao mesmo tempo em que outro canal transmitia cenas da Guerra do Iraque. Suzanne inseriu essa junção num contexto de mitologia grega e em suas noções de efeitos de guerra. "The Hunger Games" está na lista de best-sellers do The New York Times há mais de sessenta semanas e sua adaptação cinematográfica foi lançada no começo de 2012

    91 Livros
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    Connecticut, EUA

    Suzanne Collins