Helen comete um crime, toma a identidade de outra pessoa e se refugia na casa da avó, em uma cidadezinha pacata e cheia de mistérios. A avó é conhecida como "a louca das mariposas" e um ar de hostilidade ronda sua casa.... Ao som de muito heavy metal, segredos perigosos e crenças macabras, esse thriller sombrio marca a estreia de Bruna Corrêa na narrativa longa, explorando de forma frenética e perturbadora as dores do autoconhecimento. (Sinopse escrita com base na divulgação da editora O Grifo)
As Mariposas da Morte -
Bruna Corrêa
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Ver maisUm thriller sobre metamorfoses
As mulheres são as mestras umas das outras. Mas, nem sempre o aprendizado acontece com tranquilidade, já que também somos condicionadas pelo patriarcado a competirmos e nos tratarmos como inimigas, quando, na verdade, deveríamos ser aliadas ancestrais. E é sob a perspectiva dos aprendizados femininos milenares, muitas vezes ocorridos às duras penas e em ciclos de morte e renascimento, que o romance As mariposas da morte, de Bruna Corrêa (@oibrunacorrea) sai do casulo pela editora O grifo (@ogrifoeditora), como primeiro lançamento do Clube Sexta-feira, criado no começo de 2025. Estreia da autora na prosa ficcional longa, já que Bruna participou anteriormente de outros projetos como a antologia de contos Mal-ditas (editora Uratau), As mariposas da morte é um livro que já surge rompendo barreiras ao ser, ao mesmo tempo, um thriller de terror e um romance de formação com um DNA feminista e roqueiro. O livro conta a história de Helena/Helen, uma cantora de heavy metal com guturais potentes e uma psiquê fragmentada pelas muitas violências cotidianas sofridas. De uma relação turbulenta com a mãe, à mágoa pelo abandono do pai, a moça já passou por poucas e boas, incluindo situações como assédio e muita pressão psicológica. A protagonista está em sofrimento emocional agudo quando a histórica começa. Por sentir-se tão podada e incompreendida, ela resolve viajar - ou fugir - para a cidadezinha no interior onde a avó, antiga referência em sua vida e com quem Helena está magoada, vive com a atual esposa. E é a partir da viagem intempestiva de Helena que a narrativa se desenvolve, inserindo outros personagens e elementos à trama, como o guitarrista Juba, seu avô e a banda Ecos do Abismo, o casal dono do bar e do moto clube Freio Podre, os preparativos para um festival de rock durante um grande evento de motociclistas, personalidades fragmentadas e dissociação, uma mineradora que não têm escrúpulos em devastar tudo ao redor, um grupo carola e preconceituoso, um padre bonzinho demais, fronteiras tênues entre delírio e realidade, mariposas vistas como uma maldição demoníaca, mortes inesperadas, lesbofobia e uma caça às bruxas nos moldes medievais. Listando em um só fôlego os temas do romance, mal dá para acreditar que Bruna consegue segurar os acordes de cada pedaço da sua história, sem errar uma só nota. A autora tem uma prosa fluída que se desenvolve em capítulos curtinhos e que sempre puxam o próximo, como os mais eficientes vira páginas, conduzindo os leitores em uma viagem marcada por um texto bem construído, ágil, com ótimas figuras de linguagem que aguçam a imaginação. É simples e sofisticado, com costuras internas impecáveis e a ação muito bem distribuída entre protagonistas e coadjuvantes. Literatura brasileira de ótima qualidade. A caminho da casa da avó, ainda no ônibus interestadual, Helena conhece Jéssica. Filha do vice-presidente do moto clube, Carlão, ela é a típica garota bem resolvida, descolada, assertiva e que toda mulher deseja como melhor amiga, por ser aquela que dá força, bota para cima, mas que também puxa a orelha se precisar, sem pré-julgamentos ou preconceitos. Helena e as demais mulheres de sua família têm piebaldismo, uma condição genética caracterizada pela descoloração em partes da pele e cabelos. Com mechas brancas e um sinal também descolorido e em formato de V na testa, as mulheres da família de Helena são tratadas como bruxas pelos moradores carolas da tal cidadezinha. Tragédias começam a acontecer no local após a chegada de Helena e, claro, as 'bruxas' seriam as responsáveis, na visão do povaréu beato. Enquanto tenta lidar com suas questões psicológicas e familiares, Helena e os amigos Jéssica e Juba começam a investigar as ocorrências sinistras na cidade, bem como algumas mortes ditas acidentais, porém suspeitas. Não dá para contar detalhes das investigações, das mortes e da relação de Helena e sua família com as mariposas, sem revelar partes cruciais da trama e estragar a leitura alheia. Então, paro por aqui nas descrições. O que não pode deixar de ser dito é que o romance de estreia de Bruna Corrêa trata de temas relevantes como meio ambiente, diversidade, dependência química e feminismo sem recorrer ao didatismo ou ao pedantismo. A autora não subestima seus leitores ao explicar o óbvio. Dá seus recados através da protagonista, mas sem cansar e sem proselitismo. Helena se parece com qualquer garota nascida no final dos anos 1990, com suas complexidades, carências, desejos, romances, cicatrizes, conquistas afetivas ou não e a resiliência que só as mulheres entendem muito bem, embora nem sempre saibam de onde tiram essa força. Uma dica: olhar para o passado, para as bruxas que foram queimadas e, principalmente, para as que sobreviveram e repassaram suas lições para as discípulas. Sobre o Clube Sexta-feira A editora O grifo lançou o Clube Sexta-Feira em fevereiro deste ano. O objetivo é valorizar a autoria nacional nos gêneros terror/horror, thrillers e ficção cientifica. Os assinantes recebem seis livros por ano, em envios bimestrais. Atualmente, o clube está com campanha aberta para o envio do terceiro livro. A assinatura, por enquanto, acontece através da plataforma de financiamento coletivo Catarse (catarse.me/clubesexta). Para ter direito ao livro do bimestre, é preciso que o assinante pague dois meses de campanha consecutivos. Cada mensalidade custa R$ 35, totalizando R$ 70 por livro, já incluído o frete. O envio é pelos Correios. Além do livro inédito, são enviados também um marcador temático e brindes que têm relação com o universo ficcional de cada lançamento. Os brindes de As mariposas da morte foram um cartaz no melhor estilo anúncio de show de banda de garagem e uma palheta de guitarra. Os assinantes também são convidados a entrar na comunidade exclusiva no WhatsApp, onde além de discutir literatura, principalmente terror, indicar livros, filmes, séries e postar muitas fotos de pet (somos trevosos, mas fofinhos). Também participam de LCs (leituras coletivas) e de um encontro on-line final com autores, para discutir o livro coletivamente. As mariposas da morte Autora: Bruna Corrêa Gênero: Thriller/Terror Editora: O grifo, 2025 304 págs. *O livro foi enviado na estreia do Clube Sexta-feira. Em julho, ele estará no catálogo da editora para não assinantes. Para mais informações siga @ogrifoeditora ou acesse o site ogrifo.com.br
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