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    A boa fortuna -

    Mary Gordon

    Bertrand Brasil
    2002
    322 páginas
    10h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.6
    10 avaliações
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    Favoritos0Desejados12Avaliaram10

    Mônica Szabo, pintora de meia-idade bem-sucedida, vê a sua vida se transformar quando, em uma palestra em sua galeria, faz a seguinte pergunta; 'Onde estão os modelos masculinos?' E imediatamente ecoa da platéia uma resposta; 'Bem aqui!'. É a voz de B (assim ela passará a chamá-lo), milionário do mercado de futuros que acompanha a carreira da artista e lhe oferecerá tudo que ela deseja para aprimorar o seu desempenho profissional; tempo, espaço, apoio financeiro incondicional, sexo quando assim ela desejar (e nunca quando ela não quiser), e ele próprio como modelo. A partir das sessões de pintura, o peculiar relacionamento de Mônica e B vai se modificando. A artista inicia uma nova e controversa série de telas inspirada em mestres da Renascença italiana, na qual uma figura semelhante à de Cristo não é retratada como morta, mas como o que ela chama de 'pequena morte', oriunda do êxtase pós-orgásmico.

    Resenhas (2)Ver mais
    Bárbara Breda picture
    Bárbara Breda07/07/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O universo da mente feminina....

    Bom, ler esse livro é passear pelo universo da mente feminina. Apesar de a personagem falar diversas e diversas vezes sobre a forma masculina que encara a própria vida e o mundo, ela pensa como mulher, em várias coisas ao mesmo tempo, se preocupa com a perfeição das coisas, das pessoas, dos seus atos. É através desse ponto de vista que vivenciamos as experiencias artísticas e amorosas da personagem. De forma dinamica, sentimos na pele as vontades que ela tem, as coisas que ela faz. Monica nasceu artista, nasceu sabendo o que queria fazer da vida. Estudou, casou, teve filhas, e de alguma forma, refez sua vida quando percebeu que isso não estava funcionando. Divorciou-se, virou independente, satisfez suas vontades mais feministas, mas precisava, invariavelmente, trabalhar paralelamente além do exercício da criatividade e da pintura, para sobreviver. As pessoas simplesmente a consideravam ótima, mas um cara, o tal "B", via em sua arte, possibilidades infinitas. Ele fez, portanto, uma proposta irrecusável, e Monica, obviamente, aceitou. Deu-se inicio às grandes experiências na vida de Monica, aquelas que são financiadas por outra pessoa, que são vividas aos extremos. Alguns anos depois, "B" precisa de ajuda, já que, como executivo do ramo das ações, arriscou e perdeu todo o dinheiro que tinha. Monica, graças as apresentações feitas por "B" algum tempo antes, conhece pessoas que a ajudam e financiam sua arte, assim como "B" fazia antes, o que lhe dá condições para ajudá-lo. O que eu mais gostei desse livro foi, que apesar do ponto de vista feminino/masculino, você consegue a todo momento, enxergar pelo ponto de vista da mãe, da pintora, da amante, da feminista, da cidadã. O que eu menos gostei, foi da dificuldade em evoluir os pontos de vista polêmicos, a dificuldade em expor as coisas de forma mais simples e compreensíveis. De qualquer forma, é um bom livro, em alguns momentos reflexivos, em alguns momentos explanativos. Demorei pra ler, e acuso sem dó a dificuldade supra-citada da autora em usar uma linguagem mais direta e mais objetivamente simples, e por isso, mereceu 03 estrelas.

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