A segunda-feira começa no sábado

    Arkádi Strugátski, Boris Strugátski, Mateus Acioli, Yuri Martins de Oliveira

    Editora Aleph
    2026
    323 páginas
    10h 46m
    ISBN-13: 9788576577515
    Português Brasileiro

    "Uma paródia encantadora tanto da cultura institucional soviética quanto da própria fantasia e da ficção científica." — Publishers Weekly O jovem programador Sacha, natural de Leningrado, parte de carro rumo ao norte da Rússia para visitar alguns amigos na longínqua Soloviéts. No caminho, à beira da estrada, encontra dois sujeitos peculiares que lhe pedem uma carona até essa cidade que não é exatamente o que parece. Por obra do acaso ou do destino, o que começa com um gesto de camaradagem termina em uma inusitada oferta de emprego no misterioso Instituto de Pesquisa Científica em Magia e Bruxaria — um lugar inusitado onde mágica, ciência e o funcionalismo público se encontram para investigar "a felicidade humana" e "o sentido da vida". Neste clássico da literatura soviética, os irmãos Strugátski mais uma vez demonstram sua genialidade ao mesclar o fantástico, a ficção científica e até mesmo o surrealismo em uma trama que não renuncia ao bom humor e à estranheza para satirizar a corrida científica de seu tempo.

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    Rogerio Lopes22/03/2026Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Considerando ser esse meu terceiro contato com a obra dos irmãos Strugatsky, acredito estar bem acostumado ao estilo e a forma de escrita desses autores para dizer com certeza de que não foi um estranhamento com os autores o quê dificultou minha experiência com esse livro. Muito menos uma falta de contato com autores russos. O problema aqui vai além da estranheza, aliás anunciada na sinopse. A Segunda-Feira Começa no Sábado de Arkady Strugatsky e Boris Strugatsky nos é apresentado como uma mistura de Sci-Fi, fantasia e sátira e ok esses elementos estão presentes e são reconhecíveis, agora se funcionam ou não é outra história. A narrativa é composta por três histórias e um posfácio fictício atribuído a um dos personagens. Apesar de existir uma lógica sequencial entre as narrativas existe uma incômoda sensação de incompletude, de que algo não está sendo dito ou comunicado adequadamente. Não leio em russo, então não posso avaliar diretamente a qualidade da tradução. Elogio a imensa e necessária quantidade de notas, mas sim, eu tenho a impressão de que temos aqui um problema de tradução. Por diversas vezes senti o texto confuso, truncado, o que atrapalhou bastante a leitura. Falando ainda sobre essa edição da Aleph para além do interessante texto de Letícia Mei me parece que dada a complexidade referencial do texto a edição peca em não trazer mais material de apoio. O texto de Mei aliás já nos dá algumas pistas de que A Segunda-Feira Começa no Sábado é um texto altamente referencial, não somente do contexto social e político da antiga URSS como também da cultura eslava, O texto dos autores está o tempo todo se reportando a textos e lendas desconhecidas para nós ocidentais. Partes da obra são citações diretas de outras obras russas, uma teia de intertextualidade quase que impenetrável. É um texto de eslavos para eslavos à semelhança de certos romances ingleses com menções extremamente específicas sobre Londres. Outro ponto que incomoda é a tentativa megalomaníaca dos irmãos Strugatsky, ao tentar demonstrar a hierarquia burocrática do Instituto que descrevem, atirar ao leitor uma quantidade excessiva de entes míticos, tornando o texto maçante e cansativo, principalmente porquê rapidamente o leitor se dá conta de que é um recurso inútil. Salvo um ou outro personagem, os citados nunca mais serão citados. São páginas e páginas de uma ronda maníaca, despropositada, insana e inútil. Ok, certamente alguém dirá que tal recurso advém do tom surrealista da obra, mas convenhamos, mesmo um quadro de Dali tem pontos onde quem interage consegue se firmar. Não é o nonsense pelo nonsense. Pelo menos metade do livro é um amontado de fatos que não parecem conversar entre si. Falas e situações que não obedecem a uma estrutura lógica (o que novamente me leva a desconfiar da tradução). Certas imagens são extremamente difíceis de imaginar, falta ser dado ao leitor elementos com que interagir, para de fato adentrar o universo proposto. A impressão que fica ao encerrar A Segunda-Feira Começa no Sábado de Arkady Strugatsky e Boris Strugatsky é de ter escutado uma conversa sobre uma terceira pessoa, sobre a qual quem ouve conhece muito pouco, uma conversa cheia de entrelinhas e meio ditos só acessíveis aos interlocutores inteirados de todos os fatos. Com a devida vênia, acho que as editoras precisam entender que mais do que um livro bonito e bem acabado os leitores, ainda mais em obras mais complexas, necessitam de boas traduções e bons textos de apoio. Talvez em algum momento eu volte a esse texto numa edição em inglês e assim talvez tenha mais elementos para apreciar o que foi proposto aqui.

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