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    Diego e Frida -

    J.M.G Le Clézio

    Record
    2010
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8501087785
    Português Brasileiro
    4
    60 avaliações
    Leram105Lendo6Querem102Relendo0Abandonos2Resenhas4
    Favoritos6Desejados102Avaliaram60

    Quando Frida Kahlo anunciou que iria se casar com Diego Rivera, seu pai logo soltou um comentário ácido: “Serão as núpcias de um elefante e de uma pomba.” Todos receberam com ceticismo a notícia do casamento da moça problemática e de saúde frágil com o gênio dos murais mexicanos, duas vezes mais velho do que ela e com o triplo de seu peso, uma reputação de ogro sedutor, um comunista ateu com importante papel político no México revolucionário. Em uma prosa lúcida e envolvente, Le Clézio percorre essa estranha história de amor que se constitui e é expressa pela pintura. E em um dos momentos mais sensíveis de seu texto, descreve o momento no qual a parceria artística e amorosa se dilui quando, com 46 anos, Frida morre, deixando a insuportável lembrança de seu ardor, de sua beleza inquieta no reflexo de espelhos vazios. Apesar do turbilhão de privilégios que cercam Diego, a solidão é enorme. Ele morre em 1957, três anos depois de sua companheira. DIEGO E FRIDA conta a história de um casal fora do comum, desde o encontro, o passado carregado de Diego, a experiência de dor e solidão de Frida, a passagem deles pela revolução até a relação de ambos com Trotski e Breton, a aventura americana e a fascinação que Ford exercia sobre eles. O papel, enfim, dos dois na renovação do mundo da arte. Este é o retrato emotivo e bem pesquisado de um casal indestrutível, mítico, tanto perfeito quanto contraditório. http://www.record.com.br

    Resenhas (4)Ver mais
    Anica Bitten picture
    Anica Bitten04/08/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Diego e Frida: Biografia (J.M.G. Le Clézio)

    Meu primeiro contato com a pintora mexicana Frida Kahlo foi através do filme Frida (2002), uma adaptação de Frida: A Biography of Frida Kahlo de Hayden Herrera. Como pareceu uma personagem forte cuja biografia se confunde de forma muito interessante com a obra, fiquei bastante interessada quando soube da publicação no Brasil do livro Diego e Frida: Biografia, do vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2008, J.M.G. Le Clézio. Inicialmente fiquei preocupada que fosse muito parecido com o que já tinha assistido, mas o comprometimento em falar não só de Frida, mas também de seu marido Diego Rivera, acabam por garantir uma nova perspectiva sobre a história. E Le Clézio conduz muito bem essa biografia, mesclando a narrativa sobre a vida dos dois artistas de tal modo que deixa clara a ideia de que tudo o que fizeram jamais teria a mesma beleza se nunca tivessem ficado juntos. Apesar da importância da arte tanto para Frida quanto para Diego, outra constante que fica clara já no Prólogo é a presença da política. Os dois tinham modos diferentes de pensar sobre o tema, mas a todo momento os ideais políticos dos protagonistas se mesclam com suas criações. Assim como o amor de um pelo outro acaba servindo como elemento para a obra, por isso da importância de conhecer a história não só sob o ponto de vista de Frida (como acontece na cinebiografia), mas também de Diego. E é interessante observar o quanto Diego domina a narrativa de Le Clézio até o momento em que o casal entra em crise. A sensação que Le Clézio passa é de que Diego produz de forma muito mais constante do que a esposa, que costuma fazer suas melhores pinturas nos momentos de maior dor (o acidente, a perda do filho, as traições do marido, etc.). É como se Frida utilizasse a obra muito mais como uma forma de escapar da realidade, enquanto para Rivera era um modo de expressar seus ideais. Um ponto interessante é que a narrativa é essencialmente cronológica, mas alguns flashforwards antecipam o que está por vir na vida das protagonistas, criando um efeito interessante no momento em que o momento antecipado finalmente acontece, como por exemplo um dos abortos sofridos por Frida. É como se o autor separasse algo no passado para que o que era narrado não fosse julgado pelo ato apenas, mas por tudo o que ele envolvia antes de acontecer. Talvez o único aspecto negativo seja uma certa repetição de termos e frases, soando quase como se fosse um refrão. Em algumas passagens funcionava bem, até justamente por causa da técnica do flashforward, mas em outras dava simplesmente a sensação de que eu estava relendo uma página por engano. Mas fora isso, Diego e Frida: Biografia é realmente um livro extremamente interessante, até pelo cuidado de Le Clézio na pesquisa sobre o casal. Várias passagens são transcrições ipsis litteris de cartas e trechos de diários, o que garante um caminho bem distante do tomado por certos biógrafos que “romanceiam” a partir de acontecimentos. Uma dica: anote os nomes das obras para dar uma consultada no Google depois.

    6 curtidas

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    Avaliações

    4 / 60
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas48%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas2%
    Jean-Marie Gustave Le Clézio profile picture

    Jean-Marie Gustave Le Clézio

    Jean-Marie Gustave Le Clézio, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2008, nasceu no ano de 1940, em Nice, na França, mas suas origens também nos levam à ilha Maurício, onde nasceram seus pais. Formou-se em letras e, em 1963, aos 23 anos de idade, ganhou o prêmio literário Renaudot pelo seu livro Le procès-verbal. De lá para cá, publicou contos, novelas, romances, ensaios e livros de literatura infanto-juvenil. No Brasil, foram publicados os títulos: O deserto (Brasiliense, 1986), A quarentena (Companhia das Letras, 1997) e Peixe dourado (Companhia das Letras, 2001). Atualmente, vive entre Albuquerque, no Novo México, a ilha Maurício e Nice.

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    19 Seguidores

    Jean-Marie Gustave Le Clézio