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    A trilogia do amor -

    Betty Milan

    Record
    2010
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8501089117
    Português Brasileiro
    3.8
    6 avaliações
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    Favoritos0Desejados16Avaliaram6

    A TRILOGIA DO AMOR reúne O sexophuro, de 1981, A paixão de Lia, de 1994, e O amante brasileiro, de 2003, as três ficções de Betty Milan sobre o amor. O sexophuro focaliza uma mulher que, diante da falência da vida conjugal, procura fora do casamento uma saída para si. Origina-se no drama de um casamento impossível e termina com a separação e o novo amor que a personagem celebra, o amor da escrita. Como a personagem de O sexophuro, a de A paixão de Lia não encontra solução para si na vida real. Sua história é a de uma mulher que, para compensar a falta do amado, se deixa levar pela fantasia, passando de uma a outra situação imaginária. Da primeira, em que se imagina com ele, para a segunda, em que, dissuadida de encontrá-lo, vai ao bordel em busca dos simulacros e assim sucessivamente. Apartada do resto do mundo, Lia se realiza através da liberdade de imaginar, mas permanece só, do começo ao fim do romance. Já em O amante brasileiro a mulher encontra um parceiro. Por isso o texto é centrado em dois personagens, Clara e Sébastien, que se amam verdadeiramente. O que eles mais querem é o acordo. Porque o amor verdadeiro — flor rara — tem como referência a amizade, e a traição lhe é tão estranha quanto o sentimento de ter sido traído. A comunhão, que a personagem de O sexophuro sequer imagina e Lia só alcança imaginariamente, é vivida de maneira plena por Clara e Sébastien, que são amantes e irmãos de alma. http://www.record.com.br

    Resenhas (2)Ver mais
    Andreia Santana picture
    Andreia Santana18/07/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Três definições possíveis para o amor

    O amor que esvazia-se e vive apenas do desejo, aquele que só se realiza na fantasia e o que se completa mesmo à distância por laços de afeto que não excluem nem o desejo e nem a fantasia. Definir o amor é pretensão, mas a psicanalista e escritora Betty Milan, com a experiência em falar do tema dentro e fora do consultório, ao invés de definições, faz digressões em prosa-poética para o que o poeta Camões batizou de“o fogo que arte sem se ver”. Reunidas e relançadas este ano em A trilogia do amor (Ed. Record), três histórias já publicados anteriormente pela autora: O sexophuro (1981), A paixão de Lia (1994) e O amante brasileiro (2003), mergulham fundo na alma feminina e escavam emoções, camada a camada, ao mesmo tempo em que avalia as relações contemporâneas, misto de lirismo dos últimos românticos e da crueza dos envolvimentos fugazes e virtuais. Ora flertando com a poesia, ora em prosa telegráfica, ou ainda verborrágica como o fluxo do pensamento – dos sentimentos – a escritora tece uma colcha de retalhos da afetividade humana e brinda o leitor com personagens de fácil identificação, mas ainda assim, que parecem saídos de um folhetim. Sem linearidade, as histórias inserem-se umas nas outras, mas não seguem um padrão convencional de começo, meio e final, este sempre em aberto. Prestam-se tanto ao deleite quanto à reflexão e são absorvidas de maneira sinestésica pelo leitor. <b>Desejo primitivo</b> - O sexophuro, como o nome já diz, primeira das histórias de A trilogia do amor, é o desejo primitivo e, a depender do padrão de julgamento, insensato que a personagem – sem nome - sente pelo ex-marido, a ponto de aceitar tornar-se sua amante depois que ambos reconstroem as vidas com outras pessoas. Reduzido ao sexo, o amor nesta novela define-se em gozo e, passado o efeito do orgasmo, transmuta-se em repulsa, culpa e obsessão. O que a personagem de O sexophuro vive, numa definição da própria autora, é o amor servil, escravo do corpo e da vontade do outro para realizar-se. E é com o gancho da vontade que Betty Milan nos apresenta Lia, a personagem solitária e imaginativa da segunda novela de A trilogia. Lia é pura sensação, seus contornos são imprecisos. Perdida na fantasia, ela é diáfana. Das três mulheres retratadas, esta lembra a Joana de Clarice Lispector (personagem central de Perto do Coração Selvagem). O estilo da narrativa também remete á prosa de Clarice. A paixão de Lia concretiza-se na alma da personagem, é toda idealizada e por isso mesmo, sem pudores e fronteiras, sem convenções - ou contenções - sociais, é sem gênero. Apesar da libido à flor da pele, Lia é um anjo, não tem sexo. Inspirada em Zeus, metamorfoseia-se naquilo que sua imaginação dita. Tanto pode ver-se em um bordel da Paris da Belle Époque, quanto servindo ao culto de Afrodite, ou numa visita à ilha de Lesbos; ou ainda, intuir que há misto de dor e prazer no ato de amamentar um filho, criando um vínculo mais poderoso que o próprio parto. <b>Cumplicidade</b> - Se tem a liberdade do amor tecido pela própria vontade, Lia vive a escravidão do amor irrealizado e apenas pressentido. Como uma heroína romântica, ela não está livre da espera por aquele – ou aquela – que a fará completa. Seu amor é infantil e egoísta, pois teme a realização plena. Mas é pelos passos vacilantes de Lia que a autora conduz o leitor até Clara, última personagem e também a mais autobiográfica. É inspirada na coluna de consultório sentimental que Betty Milan manteve primeiro em jornal impresso e depois na internet por vários anos. O amante brasileiro, fechando a trilogia, relata o encontro de um homem e uma mulher cuja distância é incapaz de aplacar seus sentimentos e antes serve a um exercício de autoconhecimento compartilhado, com um amante funcionando como espelho do outro e a internet como o elo de ligação entre os dois. Ao mesmo tempo, a novela, toda escrita em forma de troca de emails entre a personagem e o namorado Sebastién, é a mais “psicoanalisada” e autocentrada das três. Serve de pretexto para a escritora filososar sobre o amor e a incessante busca por compreensão e afeto que, em maior ou menor grau, motiva os amantes na ficção e fora dela. <b>A autora </b>- Escritora, doutora em psiquiatria, psicanalista, blogueira (mantém uma página sobre sexualidade no site da Veja), twitteira... Betty Milan nasceu em São Paulo, descende de libaneses e queria ser escritora desde menina, mas estudou medicina. Autora com oito livros publicados (cinco romances), já teve textos adaptados para o cinema e o teatro. Tradutora de Lacan, depois de ter passado quatro meses como paciente do célebre psicanalista, em Paris, e ter se tornado discípula dele, divide a vida entre São Paulo e a capital francesa. Entre seus livros mais famosos estão O Papagaio e o Doutor (onde narra a convivência com Lacan), Fale com ela (que reúne as cartas de uma antiga coluna de consultório sentimental que manteve na Folha de São Paulo por dois anos) e os três contos reunidos em A trilogia do amor. *<i>Esta resenha que fiz sobre o livro de Betty Milan também foi publicada na edição de 23/10/2010 do caderno 2+, suplemento cultural do jornal A TARDE, em Salvador-BA</i>.

    1 curtida

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    3.8 / 6
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    Betty Milan

    Betty Milan é paulista. Autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. Suas obras também foram publicadas na França, Argentina e China. Colaborou nos principais jornais brasileiros e atualmente é colunista da Veja.com e da Veja. Trabalhou para o Parlamento Internacional dos Escritores, sediado em Estrasburgo, na França. Em março de 1998, foi convidada de honra do Salão do Livro de Paris, cujo tema era o Brasil. Antes de se tornar escritora, formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo e especializou-se em psicanálise na França com Jacques Lacan.

    17 Livros
    12 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Betty Milan