Sempre quis ler O Apanhador no Campo de Centeio para satisfazer a minha curiosidade de descobrir por que, afinal, este livro é tão famoso. Confesso que, a príncipio, me decepcionei um pouco com a história, que não tem nada demais: um adolescente, literalmente de saco cheio da escola/amigos/vida, depois de saber que ia ser expulso, foge do colégio. Aí se dá a história, tudo o que acontece na vida de Holden em tão pouco tempo, alguns dias na cidade de Nova York, em que ele espera para voltar para sua casa e ver a reação de seus pais ao saber que ele foi expulso do colégio - de novo.
Várias coisas acontecem, envolvendo uma prostituta, um cafetão, briga com seu colega de quarto, porres, encontro com uma namorada, devaneios sobre a menina que sempre esteve em sua cabeça, encontros aleatórios com taxistas, freiras e com sua irmã mais nova... Entre todos os acontecimentos, a narrativa de Holden vai revelando algumas coisas que aconteceram em sua vida que, embora fossem acontecimentos fortes, são tratados de forma simples, casual.
Eu acho que é aí que está a singularidade do livro, o ponto que o eternizou: a narrativa. Nunca tinha lido uma narrativa que se parecesse tanto com a realidade, com as gírias usadas, a forma que o pensamento é feito sem censuras, e as emoções e as angústias que acompanham Holden durante toda a história.