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    O menino camelô -

    Cyro de Mattos

    Atual
    1990
    32 páginas
    1h 4m
    ISBN-10: 8570563906
    Português Brasileiro
    3.7
    3 avaliações
    Leram7Lendo1Querem1Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados1Avaliaram3

    O Menino Camelô faz parte da coleção "Caderno de Poesia", que focaliza o cotidiano infantil, levando a criança a explorar seus sentimentos e suas fantasias, por meio da brincadeira das rimas e do jogo de sons, ritmos e imagens. - APCA Grande Prêmio de Literatura Infatil

    Resenhas (1)Ver mais
    Eduardo picture
    Eduardo20/06/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "O menino camelô, a poesia e o professô"

    VÔO TRISTE E VÔO ALEGRE Enquanto a andorinha na tarde, sozinha viaja tristinha, de flor em flor voa o beija-flor num miniventilador ---- Este poema aí de cima é um dos meu preferidos do livro "O menino camelô" (nome de um dos poemas), de Cyro de Mattos. Não preciso dizer, novamente, que o público alvo é o infantojuvenil, mas que é uma poesia destinada pra todo mundo, né? Bem, gostei também de poemas como "Urubu", que é muito simples, quase bobo, se a gente lê com pressa. Mas se para pra pensar... quem seria, quem seria esse "Urubu na valeta/de guarda-chuva e maleta" ou o "Urubu na escola/dá lições de vida? São poemas divertidos, alguns bem delicados, outros toscos - com tom nonsense (adoro ^^). Mas todos fazem pensar. As ilustrações são do excelente ZeFlávio Teixeira, em tons meio "apagados": marrom, creme, laranja, diferente da habitual enxurrada de cores. Na verdade, trata-se de uma coleção da editora Atual, reunindo quatro títulos de poesia, com projetos gráficos semelhantes. O livro tem dimensões um pouco maiores que o comum;eu gostei. Outro de que gostei muito: O AMIGO-FOLHAGEM Lá vem o Amigo-Folhagem trazendo na sua bagagem o verde de todas as folhas, o verde de todos os mares. Lá vem o Amigo-Folhagem dizendo na sua passagem que não tem medo de leão e muito menos de visagem. Lá vai o Amigo-Folhagem pássaros cantam nas árvores dois pousam em seus ombros, o sol desfia ouro pelos ares. Lá vai o Amigo-Folhagem na direção da floresta, leva bichos, Manhã e Noite como companheiros de viagem. Tem no Vento um velho amigo que o acalenta quando dorme. Selecionei esse poema pela sua delicadeza, e também por achá-lo muito propício para uma discussão sobre a singeleza da poesia [pensando em uma sala de aula], muitas vezes feita de cantos, retalhos e detalhes; um poema bom para nos fazer pensar em que consiste o ofício do poeta, como um poema se constrói. Muitas perguntas podem ser feitas ao poema: - Por que será que palavras como "Vento", "Manhã" e Noite" estão em maiúsculas? -Repararam no movimento "Lá vai/Lá vem", sendo que o Amigo Folhagem vai nas duas primeiras estrofes e vem na terceira e na quarta? Por quê, qual a intenção (ou intenções) dele? - E esse Amigo-Folhagem? Seria algum bicho, alguma planta conhecida? Ou seria alguém inventado pelo poeta? Não lembra o Bicho-Folharal, aquele das histórias populares? (que tal ler com os alunos a história antes?) Eu ainda não sou professor, tenho certeza que preciso aprender muito ainda para saber apresentar futuros alunos aos livros, mas amor por poesia já tenho, e acho que é um primeiro passo. E, também, é claro que não sou a favor de aulas-cirúrgicas, em que poemas são destrinchados e contabilizados como se fossem coisas óbvias. Poesia é pra se curtir, e só. Mas quem curte, indaga, pois tem curiosidade. Assim é que eu vejo o caminho para trabalhar poesia na escola. E, bem, um poema pode (e o bom poema é assim) ter várias interpretações. As crianças, imaginativas como são, são o público ideal para esses poemas bem feitos, multiplicadores de imagens e palavras, encontrados em livros como "O menino camelô".

    1 curtida

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    3.7 / 3
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas33%
    Cyro de Mattos profile picture

    Cyro de Mattos

    Cyro de Mattos é contista, cronista, poeta, novelista, ensaísta e autor de livros infanto-juvenis. Já publicou 38 livros, no Brasil e em Portugal (2), Itália (2) e Alemanha (1). Recebeu prêmios importantes, no Brasil e exterior, e, entre eles, o Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, o APCA e o Internacional de Poesia Maestrale Marengo d’Oro, em Gênova, Itália, por duas vezes. Foi três vezes Finalista do Jabuti. Participou como convidado do III Encontro Internacional de Poetas da Universidade de Coimbra, em 1998. E também na Feira do Livro em Frankfurt, 2010. Está presente em 48 antologias, no Brasil e exterior.

    5 Livros
    2 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Cyro de Mattos