Meu primeiro contato com a escrita do autor Anthony Burguess (mesmo autor de laranja mecânica) foi simplesmente surpreendente. Imagina viver em um mundo onde a homossexualidade é incentivada e usada como recurso para o controle de natalidade e ter mais de um filho não é aceitável e a religiosidade ficou praticamente inexistente.
Beatrice-Joana e Tristam Foxe acabam de perder um filho, e se eles tiverem mais filhos serão punidos, pois neste novo mundo com governo burocrático, não importa se o único filho daquela família está vivo ou morto. A lei aceita apenas um filho e ponto final, mas Beatrice-Joana acaba engravidando. Mas o filho não é de Tristam, mas isso acaba prejudicando e mudando radicalmente a vida deles para sempre.
?Se você esperar o pior das pessoas, jamais poderá se decepcionar.?
Com uma narrativa que intercala o ponto de vista entre Tristam e Beatrice-Joana, conhecemos este futuro distópico e insano criado pelo autor. É uma leitura que exige atenção, embora a linguagem não seja difícil de entender tudo é muito complexo nesta história que vai além do controle de natalidade. Esta obra nos leva a refletir até que ponto o ser humano pode chegar.
Foi uma leitura intensa, os personagens são questionadores e estão inconformados com o rumo que o mundo tomou, e isso tornou a história ainda mais intrigante, porque eu não conseguia sentir muita empatia por eles, mas entendia algumas de suas ações.
Sementes malditas é uma leitura desafiadora, que te tira da zona de conforto e que é impossível não mexer com o leitor.