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    Diálogos Sem Fronteira - Correspondência

    Sergio Faraco, Mario Arregui

    L&PM
    2009
    248 páginas
    8h 16m
    ISBN-13: 9788525419415
    Português Brasileiro
    3.3
    3 avaliações
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    Mario Arregui, contista uruguaio; Sergio Faraco, contista brasileiro, do Sul do país. Dois ficcionistas-artesãos, escravos da palavra exata, tradutores e proprietários rurais unidos e separados pelo Prata e pela cultura platense, de idades distintas mas nos quais a amizade surgiu com igual força. Em 1981, após ter deparado com alguns livros de Arregui, Faraco decidiu-se a traduzir e organizar no Brasil uma compilação dos contos do autor. O contato primeiramente feito com fins profissionais evoluiu para uma troca assídua de cartas escritas em espanhol que incluem recomendações de livros, impressões sobre o ofício e a carreira de ficcionista, consultas sobre as melhores opções de tradução de um termo, discussões sobre os rumos da política mundial, sobre as crises e as ditaduras características da América Latina na segunda metade do século XX e comentários sobre a família e o dia a dia - a vida, em suma. Tal insuspeita amizade pegou “Dom Arregui”, como carinhosamente o chamava Sergio Faraco, em idade já avançada. A mesma durou de 1981 a 1985, quando Arregui faleceu, de causas naturais. Durante esses anos, ambos se viram pessoalmente uma única vez. O presente livro traz as cartas trocadas durante esses pouco mais de quatro anos de correspondência e faz o retrato do surgimento e do crescimento dessa afetuosa amizade – “monumento anônimo, maravilhoso, em permanente construção, feito de ar, de trabalho, de nostalgia e de sonho”, segundo Martín Arregui, filho do autor uruguaio. Testemunho do convívio de duas mentes criativas, este é um importante documento sobre dois grandes nomes das letras latino-americanas.

    Resenhas (1)Ver mais
    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino31/01/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    diálogos na fronteira

    Por sugestão do industrioso Roberto Cataldo ainda antes de ler "A cidade silenciosa", que resenhei há pouco, encomendei este "Diálogos sem fronteira". Nele estão reunidas cartas, escritas por Sergio Faraco, brasileiro do Alegrete, e por Mario Arregui, uruguaio de Trinidad, entre julho de 1981 e fevereiro de 1985. A edição original, publicada em 1990 no Uruguai, coligiu um número bem menor das cartas, o que valoriza em muito esta edição brasileira. Faraco tinha quarenta anos quando teve a iniciativa de escrever a editora de Arregui no Uruguai solicitando sua autorização para a tradução e eventual publicação no Brasil de alguns de seus contos. Arregui (uns vinte e cinco anos mais velho) responde a carta e a partir daí uma amizade epistolar se inicia (eles só se encontraram uma única vez, na feira do livro de Porto Alegre de 1984, quando "Cavalos do amanhecer" foi lançado). No início as cartas tratam de questões técnicas de tradução. Aos poucos as cartas passam a englobar também questões pessoais. Na verdade desde o início Arregui trata Faraco como um "publisher" mais do que um tradutor, repassando a ele dúvidas editoriais, financeiras, pedindo a ele opiniões sobre seus projetos literários. Apesar de forte e significativa a obra de Arregui é pequena (ele não publicou mais do que cinquenta contos, muitos realmente bons, mas no conjunto trata-se de uma obra bastante irregular). À época desta troca de cartas praticamente todos os contos já havia sido publicada, - à exceção do póstumo "Ramos generales". Parte do trabalho de Faraco envolve selecionar dentre os contos publicados no Uruguai aqueles que comporiam os livros a serem lançados no Brasil. Através das cartas Arregui se apresenta quase sempre inseguro, tímido, transferindo a Faraco decisões sobre a própria construção dos contos, seus títulos, fechamentos, a estrutura deles, além de outras questões editoriais. "Diálogos sem fronteira" é um livro que conta a história de uma amizade sutil, um encontro de dois sujeitos com muitas afinidades (ambos marxistas, preocupados com questões sociais, ligados a produção primária). O livro inclui um prefácio e algumas cartas assinadas pelo filho de Arregui (Martin), um artista plástico muito ligado ao pai que também tornou-se amigo de Faraco. Curiosamente a capa do livro induz a uma troca de identidades, pois a foto de Faraco é de um senhor mais velho, enquanto a de Arregui é de um jovem senhor, o que - ao menos para mim - indica que a troca de papéis entre eles (a troca do papel de pupilo e o papel de mentor) não é algo a ser desconsiderada, por mais trivial e irrelevante que seja. Enfim, acho que é o tipo de livro que ajuda a entender melhor a obra dos dois missivistas. Bom divertimento. [início 01/12/2010 - fim 26/12/2010] "Diálogos sem fronteira", Mario Arregui, Sergio Faraco, Porto Alegre: editora LP&M, 1a. edição (2009), brochura 14x21 cm, 244 págs. ISBN: 978-85-254-1941-5 [edição original: Mario Arregui & Sergio Faraco: Correspondência, editorial Monte Sexto (Montevideo), 1990]

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    Sergio Faraco

    Sergio Faraco nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1940. Nos anos 1963-5 viveu na União Soviética, tendo cursado o Instituto Internacional de Ciências Sociais, em Moscou. Mais tarde, no Brasil, bacharelou-se em Direito. Em 1988, seu livro A dama do Bar Nevada obteve o Prêmio Galeão Coutinho, conferido pela União Brasileira de Escritores ao melhor volume de contos lançado no Brasil no ano anterior. Em 1994, com A lua com sede, recebeu o Prêmio Henrique Bertaso (Câmara Rio-Grandense do Livro, Clube dos Editores do R.G.S. e Associação Gaúcha de Escritores), atribuído ao melhor livro de crônicas do ano. No ano seguinte, como organizador da coletânea A cidade de perfil, fez jus ao Prêmio Açorianos de Literatura - Crônica, instituído pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Em 1996, foi novamente distinguido com o Prêmio Açorianos de Literatura - Conto, pelo livro Contos completos. Em 1999, recebeu o Prêmio Nacional de Ficção, atribuído pela Academia Brasileira de Letras à coletânea Dançar tango em Porto Alegre como a melhor obra de ficção publicada no Brasil em 1998. Em 2000, a Rede Gaúcha SAT/RBS Rádio e Rádio CBN 1340 conferiram ao seu livro de contos Rondas de escárnio e loucura o troféu Destaque Literário (Obra de Ficção) da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre (Juri Oficial). Em 2001, recebeu mais uma vez o Prêmio Açorianos de Literatura - Conto, por Rondas de escárnio e loucura. Em 2003, recebeu o Prêmio Erico Veríssimo, outorgado pela Câmara Municipal de Porto Alegre pelo conjunto da obra, e o Prêmio Livro do Ano (Não-Ficção) da Associação Gaúcha de Escritores, por Lágrimas na chuva, que também foi indicado como Livro do Ano pelo jornal Zero Hora, em sua retrospectiva de 2002, e eleito pelos internautas, no site ClicRBS, como o melhor livro rio-grandense publicado no ano anterior. Em 2004, a reedição ampliada de Contos completos é distinguida com o Prêmio Livro do Ano no evento O Sul e os Livros, patrocinado pelo jornal O Sul, TV Pampa e Supermercados Nacional. No mesmo evento, é agraciada como o Destaque do Ano a coletânea bilíngüe Dall’altra sponda/Da outra margem, em que participa, ao lado de Armindo Trevisan e José Clemente Pozenato. Ainda em 2004, seu conto “Idolatria” aparece na antologia Os cem melhores contos brasileiros do século, organizada por Ítalo Moriconi. Em 2007, assina contrato com a Rede Globo para a realização de uma microssérie baseada no conto “Dançar tango em Porto Alegre”, com direção de Luiz Fernando Carvalho. No mesmo ano, recebe o prêmio de Livro do Ano - Categoria Não-Ficção, da Associação Gaúcha de Escritores, pelo livro O crepúsculo da arrogância, e o Prêmio Fato Literário - Categoria Personalidade, atribuído pelo Grupo RBS de Comunicações. Em 2008, recebe a Medalha Cidade de Porto Alegre, concedida pela Prefeitura Municipal, e tem seu conto “Majestic Hotel” incluído na antologia Os melhores contos da América Latina, organizada por Flávio Moreira da Costa. Em 2009, seu conto “Guerras greco-pérsicas” integra a antologia Os melhores contos brasileiros de todos os tempos, organizada por Flávio Moreira da Costa. Em 2010, recebe da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre o Prêmio Joaquim Felizardo (Literatura). Seus contos foram publicados nos seguintes países: Alemanha, Argentina, Bulgária, Chile, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, Luxemburgo, Paraguai, Portugal, Uruguai e Venezuela. Reside em Porto Alegre.

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