Eu, Aos Pedaços é uma coletânea de 2010 reunindo diversas crônicas escritas por Carlos Heitor Cony ao longo de sua carreira. Um deleite para quem é fã do escritor.
Seus textos estão aqui agrupados em nove seções: infância, família, jornalismo, cotidiano, viagens, reflexões, relações, personagens e política.
As duas primeiras (infância e família) mostram um Cony fascinado pela imponente figura paterna e um adolescente que não viu muita vantagem ao estudar em um seminário; em jornalismo, não só mas também conta os bastidores de sua profissão; cotidiano contém excelentes doses de sua bem humorada observação da vida carioca; viagens, temos uma amostra da ostentação de um cidadão do mundo; em reflexões, relações e personagens, notamos a habilidade de Cony com as palavras ao sintetizar em textos curtos e envolventes os seus sentimentos ou as histórias de vida de outrem.
A última seção também é sobre um assunto do qual Carlos Heitor Cony nunca escreveu e também nunca se importou em escrever com propriedade. Apesar de não ser um de seus assuntos preferidos, obviamente que o autor não era um ser alienado politicamente. E as últimas palavras de 'Eu, Aos Pedaços' deixam isso evidente. Aqui estão seus relatos sobre a perseguição política que sofreu durante a ditadura militar na década de 1960. Impressões de agora (de quando o livro foi lançado) e da época da repressão política através de textos publicados naquele momento e todas as suas repercussões e implicações políticas.
Dizem que a leitura nos faz viajar o mundo sem sair de casa. Ler este livro nos faz conhecer o mundo sob um outro ponto de vista. Um ponto de vista privilegiado e posto habilmente em palavras por ninguém menos que Carlos Heitor Cony.