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    O verso do ser -

    Creso Balbuino

    Revan
    2007
    241 páginas
    8h 2m
    ISBN-24: 8571063567_9788571063563
    Português Brasileiro
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    Existe outra realidade. Em torno dessa máxima, que já arrebatou desde filósofos como Nietzsche a poetas como Fernando Pessoa, desenvolve-se a trama vivida por Urbano, o protagonista de O verso do ser, segundo romance do escritor Creso. O motivo condutor nasce a partir da despretensiosa leitura de notícia publicada em jornal: um crime ocorrido em outra cidade e o desejo de investigar a realidade que o circunda. E se a memória, apressada, teima em nos avisar que estamos diante de uma imitação de Truman Capote (A sangue frio), o autor não subestima a inteligência de seus leitores e, pronta e habilmente, desnuda a falsa paródia, afastando-a logo nas primeiras páginas, com eficiência, como se arrancasse a folha do livro. Daí em diante é um mergulho vertiginoso na narrativa fortemente entrelaçada, enriquecida por personagens de características marcantes, e logo estamos em meio a uma sufocante sucessão de tramas e enredos que vão se entretecendo e se fechando com o virar das páginas, como uma rede cujas malhas se estreitam no arrastão. A sensação é de um asfixiar lento, paulatino, prenunciado, como se o ar fosse se esvaindo a cada página e o fôlego somente pudesse ser recuperado no final, do outro lado da caudalosa travessia. Depois de ler este romance, algumas marcas ficarão como a lembrança - a cada novo tilintar de um sino de vento - de Marcela, a doída lembrança de Urbano, não por acaso, homônima de outra igualmente doída Marcela, de Brás Cubas. No final do mergulho, o leitor se dará conta, junto com Urbano, de que a realidade aparente aos nossos sentidos não é a realidade em si. Ficção e realidade confundem-se. Urbano, Creso, autor, personagem, quem representa o quê? A última lufada de ar ainda será necessária na tentativa de responder às perguntas: Quem somos nós? Qual realidade não é mera representação? Qual é o anverso do verso do ser?

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