Do simbólico ao racional - Ensaio sobre a gênese da mitologia grega como introdução à filosofia

    Lourenço Leite

    EGBA
    2001
    215 páginas
    7h 10m
    ISBN-10: 857505029x
    Português Brasileiro
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    Daiane Menezes picture
    Daiane Menezes18/04/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Livro didático

    Este é o primeiro livro de Lourenço Leite, um estudioso no campo da Filosofia e atualmente professor na Universidade Federal da Bahia. Nesta obra ele nos permite viajar desde os primórdios do mundo (pelo ponto de vista mítico grego) até o nascimento da filosofia como consciência e racionalidade. O primeiro capítulo fala do nascimento da mitologia. Primeiros deuses como Gaia, Cronos, Urano etc. E também faz menção ao surgimento do mundo. Na mitologia judaica (cristã) o mundo surgiu a partir de Deus, jardim do Éden, Adão e Eva etc. Mas na mitologia grega, o mundo foi surgindo de dentro para fora, ou seja, das profundezas da terra para a sua superfície. E tem a presença de quatro potestades primordiais: Gaia (terra), Caos, Eros e o Tártaro. Já do segundo capítulo em diante, descreve sobre a crença humana (da época na Grécia) que julga o homem ser incapaz de modificar sua vida e seu futuro. Logo eles defendem que tudo que acontece é da vontade dos deuses e das moîras (musas filhas de Zeus que tecem o futuro das pessoas, elas decidem quem morre, quem vive etc.). Para o homem da época o mundo era cheio de incertezas, mistérios, incógnitas... assim, a linguagem simbólica o saciava pois esta poderia mitigar o seu coração ao trazer o mito para explicar este mundo tão desconhecido. Na mente do homem primitivo, sempre existiria algo a mais por trás dos fenômenos naturais. Como se no interior de todas as coisas se escondia uma divindade, exemplo, o que causava um relâmpago era um deus. Era através dos mitos que se explicavam as mutações ocorridas na natureza. Mas aí entra a filosofia que é iniciada pela objetivação da razão. Através da filosofia/razão, os gregos começam a entender que o mundo pode ser modificado, que o homem tem algum poder sobre a própria vida e a natureza. Mas aqui ainda está naquela fase dos Physicos ou Pré-Socráticos (acreditam que o homem faz parte da natureza e não é algo fora dela). Uma filosofia ainda muito arraigada à mitologia. Nos capítulos que se seguem até o final, já se começa a pensar na razão. Surge então o conceito de livre arbítrio. Através dos filósofos socráticos o homem começa a olhar para o mundo com outros olhos. Ainda influenciado pela mitologia, porém com uma visão mais racional. Contudo, alguns gregos não conseguem se desvencilhar completamente da crença e tramam a morte de Sócrates (conhecimento particular, o livro não cita morte de Sócrates). Para mim, os mitos são algo necessário para a formação do caráter dos indivíduos. Acredito que o homem precisa da fé/crença para viver. Algo que norteie seus princípios e limites éticos. No meu ponto de vista, o livro "Do Simbólico ao Racional explicita que precisamos da crença, da fé. Cada um no seu jeito. Os gregos permeados pela mitologia e os ocidentais pela religião. Nem os filósofos são taxativos em relação à razão a ponto de abnegarem a crença. Ainda hoje, o homem tem se dado conta que, mesmo em meio a todas as possibilidades de objetivação do real, algo permanece oculto e indecifrável. Indico a todos que se interessem pelo tema, mas que, assim como eu, ainda não o compreenda completamente. Este é um livro proposto para neófitos por conter prolegômenos de filosofia. Contudo, não se trata de uma leitura simples e fluida, as vezes será necessário a busca de palavras no dicionário, outras uma volta no parágrafo para melhor entender o conteúdo e outras ainda, uma pausa para digerir o que foi lido. Ao final do livro você encontrará alguns adendos (que eu achei muitíssimo interessante) contendo: o Glossário Etimológico; o Genealogia Hesiódica; o Correspondência entre deuses latinos e gregos; o Orixás do candomblé e deuses gregos o Heróis da mitologia grega; o Alfabeto grego; o Amálgama dos mitos com os signos do zodíaco; o Numerologia mítica; o Sugestão bibliográfica. Boa leitura!

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