O narrador de A força do passado, novo livro de Sandro Veronesi, considerado o maior jovem talento da literatura italiana, é Gianni Orzan. Quarentão, Gianni é um bem-sucedido escritor infanto-juvenil, cujo personagem Pizzano Pizza transformou num best-seller. É bem casado, tem um filho de oito anos e nenhuma preocupação. Ou melhor, só uma: seu pai morreu há duas semanas e, como nunca se deu bem com ele, isso lhe dá um certo sentimento de culpa. Mas vai passar. Tudo está indo bem, até que um dia ele pega um táxi clandestino que o leva pelas ruas de Roma como se fosse um trem desgovernado. O motorista tem um revólver na cintura e Gianni está pronto para pular do carro quando o taxista diz a frase que mudaria sua vida: "Então, finalmente Franceschino aprendeu a andar de bicicleta..." Franceschino, ou melhor, Francesco, é o filho de Gianni. E o fato de ele ter aprendido recentemente a andar de bicicleta era um segredo que só o menino, seus pais e seu falecido avô sabiam. Por isso, o pobre escritor desconfia estar diante de um maníaco que anda espionando sua vida e que acaba de sequestrá-lo. Ele entra em parafuso e foge do táxi sem ouvir mais nada. Com medo, ele imediatamente leva a família para um hotel e, depois, para uma outra cidade, onde ficam escondidos. Seu descontrole é risível, mas logo ele terá motivo para ficar ainda pior. Com este livro divertido e empolgante, Sandro Veronesi ganhou dois dos principais prêmios de literatura da Itália, o Viareggio e o Campiello. Ao estilo de Nick Hornby (Como ser legal e Alta fidelidade), o texto é repleto de referências ao mundo pop – astros do cinema americano, personagens de desenho animado e cenas de filmes são sempre citados pelo narrador. O próprio nome do livro, A força do passado, é tomado emprestado de uma poesia de Pier Paolo Pasolini, que Orson Welles lê no filme A ricota, também do cineasta italiano. Em 2002, o romance virou filme, pelas mãos do diretor Piergiorgio Gay.


