"Uma dinâmica levedura espiritual lançada na vida do mundo para a reorientação das mentes dos homens, a edificação de suas almas e a correção de sua conduta." Descrição das Palavras Ocultas por Shoghi Effendi. "As Palavras Ocultas não são um compêndio, nem uma exposição metódica. É uma nova criação. Foi obtida pela destilação das Sagradas Fragrâncias. É um foco em que todas as Grandes Luzes do passado se unem numa só Luz..." George Townshend
As Palavras Ocultas de Bahá'u'lláh -
Bahá'u'lláh
a unidade fundamental por trás de todas as religiões
Bahá’u’lláh foi o nome adotado pelo iraniano Mírzá Husayn-'Alí (1817-1892) ao proclamar ser o Mensageiro Divino anunciado nas profecias e ao fundar a Fé Bahá'í. “As Palavras Ocultas”, escrito em 1858, foi descrito pelo autor como contendo os versos revelados a Fátima, filha do fundador do Islã Maomé, pelo Espírito Santo personificado no Arcanjo Gabriel. O livro é dividido em duas partes, Árabe (com 71 versos) e Persa (82 versos), dentre os quais reproduzo o verso 44 do Persa, que me marcou especialmente: “Ó COMPANHEIRO DE MEU TRONO! Nenhum mal deves tu ouvir, nem ver; não te rebaixes, nem suspires, nem chores. Nenhum mal deves falar, para que não o ouças falado a ti; nem aumentes as faltas alheias, a fim de que as tuas próprias não se afigurem grandes. Não desejes a humilhação de ninguém, para que não se torne evidente a tua própria humilhação. Vive, pois, os dias de tua vida, os quais são menos de um momento fugaz, mantendo sem mancha a tua mente, imaculado teu coração, puros teus pensamentos e santificada tua natureza, de modo que, livre e contente, possas abandonar essa forma mortal, recolher-te ao paraíso místico e habitar, para todo o sempre, no reino eterno.” Tais ensinamentos, como praticamente tudo o que li nessa bela obra, poderiam perfeitamente ter sido pronunciados (com pequenas diferenças de linguagem) por Jesus, Krishna ou Buda. É muito reconfortante e inspirador confirmar, vez após outra, que todas as religiões foram fundadas sobre as mesmas verdades essenciais. Perceber a unidade fundamental por trás das diferenças superficiais é trilhar de fato o caminho ensinado pelos grandes mestres. Toda briga em nome de Deus nasce apenas da cegueira do ego, e só pode conduzir ao sofrimento e à ignorância. Essa percepção de que todas as religiões falam do mesmo e único Deus, cada uma a seu modo, deveria ser como um farol a guiar o caminho na interpretação das escrituras de todas as religiões. Confio que será assim que as pessoas estudarão os textos sagrados, em um futuro não muito distante. Essa abordagem plural pode nos livrar de grandes perigos. Por exemplo, se consideramos o Verso 45 (e os dois seguintes) da parte Árabe, sem fazer uma referência cruzada a outras escrituras, podemos ser levados a interpretações radicalmente opostas: “Ó FILHO DO SER! Busca a morte de mártir em Minha senda, satisfeito com Meu prazer e grato por aquilo que Eu ordeno, para que Comigo possas repousar, sob o dossel da majestade, atrás do tabernáculo da glória.” Uma interpretação literal desse verso pode levar a grandes erros. Contudo consideremos uma famosa fala de Jesus: “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa, este a salvará.” (Lucas 9:24, e também Mateus 16:25 e Marcos 8:35). Aí teremos condições de interpretar sob nova e auspiciosa luz o conceito do Jihad, a “Guerra Santa”, que deveria ser travada no interior de cada homem (exatamente como a guerra descrita no Mahabharata hindu), entre seu lado egóico e seu lado divino. E não, de modo algum, uma guerra entre “fiéis e infiéis”. Seria um Deus muito pequeno alguém que desejasse que os homens se matassem (ou mesmo se ofendessem) em Seu nome. Detalhe: por grande sincronicidade, li esse livro logo após assistir à excelente série “Messiah” (https://www.netflix.com/br/title/80117557) no Netflix. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/02/as-palavras-ocultas-bahaullah.html
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