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    Estranhos Estrangeiros -

    Caio Fernando Abreu

    Companhia das Letras
    1996
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 857164554X
    Português Brasileiro
    4.4
    161 avaliações
    Leram422Lendo14Querem412Relendo3Abandonos7Resenhas2
    Favoritos22Desejados412Avaliaram161

    Este livro é o último projeto de Caio Fernando Abreu. Reúne dois contos novos e um da década de 70, "London, London". Embora tenha ficado incompleto, traça um retrato inesquecível, comovente, da linhagem humana que só pode viver se for na liberdade, afastada da "pátria" normalizadora. São contos escritos com a intransigência e a delicadeza características da prosa de Caio Fernando Abreu.

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    Júlia Kabbas picture
    Júlia Kabbas05/01/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Isso é Caio Fernando Abreu

    No último livro de sua obra, Caio F. desenvolve dois projetos tratando do assunto com o qual sempre soube lidar com maestria: o amor. Na primeira um homem procura incansável por quem se apaixonou, tratado em toda história como "K", num prédio em Paris. Esse cara já andou por toda Europa, e Caio cita vários trechos inteligentes em outras línguas para expressar lembranças dele em suas viagens e na relação com K, que segue confusa e instigante ao estilo de caio até as últimas páginas do conto. A segunda história - devo admitir que a que mais me agradou - trata-se de um encontro de dois homens que se apelidam de Santiago e Pérsio e, ao que tudo indica, tiveram um romance há muito tempo. Os dois homens tecem diálogos ora encantadores, ora agressivos, revelando amores passados e fracassos, com um senso de humor que quase completa as lacunas que ficaram e às vezes fere o sentimento do outro. Com esse livro pude ter a certeza de que Caio é bem diferente do que a impressão que se adquire em redes sociais onde citam suas frases descontextualizadas. Ele é bem mais do que isso dentro de um livro bem escrito, dentro de (e falo da última história) um romance homossexual onde é bem expressa a realidade do relacionamento de dois caras com mais de 30 anos e suas dificuldades desde o tempo da escola pra se reconhecerem dentro de um mundo preconceituoso. Caio é mais do que tudo isso, mais do que frases de efeito, mais do que críticas e preconceitos. Porque mostra que no fim o que importa mesmo, longe de todos os risos e de qualquer ignorância, é isso tudo que parece ser nojento que ele sabe ser o amor. "Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido?" Sim, foi de estranhos estrangeiros que saiu esse trecho tão famoso. E me atrevo a dizer que o amor por um escritor nasce a partir do momento em que você não tem preguiça de ler sua obra e compreender sua grandeza.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 161
    • 5 estrelas53%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Caio Fernando Loureiro de Abreu  profile picture

    Caio Fernando Loureiro de Abreu

    Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. <br /><br />No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas, São Paulo. <br /><br />Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. <br /><br />Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. <br /><br />Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo. Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad. <br /><br />Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde posteriormente veio à falecer.

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Caio Fernando Loureiro de Abreu