Parece que eu fui a única pessoa que conheço que leu o livro sem jamais ter ouvido falar no filme Soylent Green. E olha que eu me considero um cinéfilo de carteirinha.
O que mais chama a atenção neste livro não é a estória em si e nem os seus personagens, mas sim o contexto no qual a estória está inserida. Um mundo superpovoado, aonde a capacidade da sociedade em se manter está comprometida é o pano de fundo e o principal atrativo. A rotina de racionamento de água e comida, a falta de energia (um dos personagens, Sol, pedala uma bicicleta para conseguir eletricidade para seus aparelhos domésticos) e a falta de perspectiva têm um profundo impacto nas pessoas. Parece que todos os personagens sofrem de apatia crônica e quando finalmente tentam mudar algo, o resultado é quase sempre pior.
E possível facilmente encontrar várias menções a necessidade de controle de natalidade, impacto da poluição, etc. Como o livro foi escrito em 1966, podemos talvez afirmar que ele foi de certa forma um precursor do que defendemos hoje como crescimento sustentável.
Adicionalmente, existem ainda outros detalhes interessantes que chamam a atenção. A falta de bens industrializados, a existência do mercado negro, a volta do transporte baseado na força muscular e o fato de que os ricos são sempre ricos enriquecem ainda mais o texto.
O estilo de Harrison é bem tranquilo e de fácil leitura (outros de seus livros são mais frenético e um pouco mais divertidos). Eu escrevo isso pois li o livro em inglês , já que o mesmo não parece ter sido publicado no Brasil (apesar de ser possível encontrar uma edição portuguesa)
Se você viu o filme, talvez você fique um pouco decepcionado, já que na adaptação para o cinema a estória foi bastante alterada.
Osmar
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