Berkeley afirma que o mundo é uma coleção de IDEIAS percebidas pelos sujeitos pensantes: as MENTES.
Não é possível afirmar, para o autor, que os OBJETOS da realidade são coisas em si, isto é, que possuem substratos materiais que os tornam objetos existentes em si mesmos, sem intermédio das mentes.
É impossível e, portanto, ingênuo afirmar a existência material desses objetos, pois não podemos perceber as suas qualidades primárias em si mesmas, como extensão, figura e movimento, tampouco a substância material de que são formados, sem experimentar o conjunto total de atributos, incluindo cores, sabores e texturas.
Nesse sentido, os objetos só existem na medida em que são percebidos por coisas pensantes: o "ser" dos objetos é ser percebido (esse est percipi - SER É SER PERCEBIDO).
Os objetos equivalem, então, às ideias, e estas não são somente representações dos objetos, senão eles mesmos. Dessa forma, Berkeley tenta refutar o princípio de que o conhecimento adequado é a correspondência entre as ideias, entendidas como representações, e os objetos.
A obra do autor considera apenas mentes e ideias, quer dizer, substâncias mentais e ideias, tomadas como coisas e seres, respectivamente.
As mentes são coisas SIMPLES, INDIVISÍVEIS e ATIVAS. Elas formam ideias, suscitam-as (SUSCITADORAS). Por outro lado, as ideias são inertes e passivas: dependem das substâncias mentais que as suscitam ou imaginam.
Há as mentes humanas e a Mente de Deus. As ideias supostamente formadas, de modo exclusivo, pela "razão" humana são complexas e irreais, frutos da imaginação; as ideias advindas das mentes enquanto percebem os objetos em experiência são reais, porque provêm da Mente Infinita.
Deus causa as ideias dos sentidos nas mentes humanas: o espírito divino ilumina as almas dos homens. Os objetos da realidade são ideias suscitadas por Deus; pensamento divino. Deus suscita enquanto pensa. No fundo, fazemos parte do pensamento divino que pensa sobre si mesmo. Deus, para citar Aristóteles, é pensamento do pensamento: o puro ato é pensar do pensar.