Autora de sucesso nas áreas de cinema, literatura e teatro (Primeira Pessoa, escrita especialmente para Eva Wilma, encontra-se em cartaz há vários anos, percorrendo o país), com 25 livros publicados, quatro dos quais traduzidos nos Estados Unidos, com excelente recepção crítica, Edla van Steen manifesta a sua vocação mais autêntica na prosa de ficção, romances e contos, terreno em que ela se movimenta com naturalidade e inquietação. Cheiro de Amor revela a escritora madura, na plena posse de seus recursos técnicos, instigante, desafiadora, desconfiada da realidade cotidiana, com uma visão implacável da comédia humana, como observa Lauro Junkes no prefácio à obra: "Quase que lembraria Dante: 'Deixai toda esperança, ó vós que entrais por essa selva escura': nos meandros do relacionamento humano, nesse intrigado confronto da mulher com o homem, nesse sobreviver às marcas do tempo, deixai toda ilusão romântica, desalienai-vos de sentimentalismos inconsistentes". Essa a atmosfera dos oito contos do livro, que formam também uma espécie de painel do Brasil dos anos 60, com as suas agitações sociais, a repressão militar, o desaparecimento de pessoas, o crescimento do uso da droga. Mas, o que predomina é a curiosidade e a preocupação com o humano, com os desencontros conjugais, a revelação brusca de uma natureza lésbica (Menor que o Sonho), o vazio existencial terminando pelo suicídio (Nada a Lastimar e O Erro), a vida amorosa de uma mulher livre, que partilha a sua cama com três homens, dois deles irmãos (Cheiro de Amor), a frustração amorosa compensada pela fixação psicológica obsessiva com os astros do cinema (Faz de conta), a carência sentimental de duas irmãs, criadas sem o pai, que vêm o mesmo problema atingir seus filhos (Rainha-do-abismo). Pequenos dramas e comédias, abismos da alma humana. http://www.globaleditora.com.br
