Autênticos do MDB, Semeadores da Democracia - História Oral de Vida Política

    Ana Beatriz Nader

    Paz e Terra
    1998
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Criado no início da década de 1970, tendo como principal bandeira a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, o Grupo Autêntico do MDB logo se transformou numa espécie de sementeira da mobilização da sociedade contra o regime militar que, à época, mostrava sua face mais dura, repressora. Isso é fato notório entre os que viveram de perto o processo político nos períodos de Médici e Geisel. O estranho é que antes da feliz iniciativa da professora Ana Beatriz Nader, de transformar a trajetória do grupo em tese de doutorado, o meio acadêmico - às vezes dedicado a temas poucos relevantes da nossa realidade - ainda não tivesse voltado suas atenções para esse edificante momento da História do País. A leitura do trabalho da professora Ana Beatriz tende a abalar mitos desse passado recente e a acentuar; pelo contraste dos comportamentos, a mediocridade a que foi levada a oposição brasileira nesses tempos de pragmatismo e de negação do passado. Nos depoimentos e nas conclusões da professora vê-se que a abertura política, intensificada a partir do governo Geisel, não foi, como pretendem alguns, mera dádiva dos militares, mas resultou da mobilização popular; da ação dos formadores de opinião e das organizações de esquerda que então atuavam na clandestinidade. Direta ou indiretamente, os formadores de opinião foram influenciados pelos Autênticos, que também cumpriram papel de amparo à esquerda perseguida, pela ênfase à questão dos direitos humanos, através de pronunciamentos no Congresso e da articulação com organizações internacionais.

    Resenhas (1)Ver mais
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    Guilherme B.30/12/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Excelente tema, mas...

    A proposta da autora de realizar uma pesquisa acerca do Grupo Autêntico do MDB - articulação entre congressistas através da qual estruturou-se um combate parlamentar a ditadura - é digna de muitos elogios. Infelizmente, como enfatiza a própria autora, trata-se de um tema relativamente esquecido na historiografia sobre o período da ditadura militar. Apesar desse mérito, na minha perspectiva a obra padece de um problema, que é o método escolhido para se reconstruir a história dos Autênticos. Não critico, propriamente, o fato de terem sido colhidos depoimentos de congressistas que participaram do Grupo em determinado momento histórico, mas o fato de ter-se utilizado de uma metodologia de reelaboração dos discursos que poderia inserir a subjetividade da entrevistadora/autora, a comprometer os relatos dos estrevistados. Sem pretender negar a validade acadêmica desse método (História Oral de Vida), me parece que o risco mencionado desvaloriza a obra, mesmo que a autora explicite que não objetiva-se verificar da veracidade dos fatos relatados. Do ponto de vista da obra aqui analisada, o efeito nefasto de tal reelaboração, pelo que pude notar, foi a criação de textos desprovidos de fluência e algumas vezes até de sentido, principalmente devido a profusão de vírgulas inseridas indevidamente. No que se refere ao conteúdo dos depoimentos, evidencia-se a existência de um grupo que teve importante papel em meio a um Congresso muito enfraquecido, de modo a tornar-se referência - mesmo que somente retórica - para boa parte do próprio MDB. Diante de tantas iniciativas audaciosas, que utilizavam-se dos estreitos espeaços institucionais proporcionados pela ditadura, revela-se a relevância de tal grupo para a reconstrução das instituições democráticas, mesmo que os próprios Autênticos reconheçam - de forma muito pertinente, diga-se - a fragilidade dessas instituições.

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