Tancredo Fala de Getúlio -

    Valentina da Rocha Lima, Plínio de Abreu Ramos

    L&PM
    1986
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Pela palavra fluida, experiente e carregada de sabedoria de Tancredo Neves, surge neste livro um depoimento histórico sobre o personagem e o político Getúlio Vargas. Este trabalho, realizado por Valentina da Rocha Lima e Plínio de Abreu Ramos, da Fundação Getúlio Vargas, se constitui num precioso documento, não só pelas revelações de Tancredo - o colaborador e o espectador privilegiado da vida política de Vargas, - algumas até então inéditas, mas também pela oportunidade do registro de uma face fundamental da personalidade de Tancredo Neves: sua clareza intelectual e sua capacidade de expressar o conhecimento e a compreensão que tinha da história do Brasil. A segunda parte de Tancredo fala de Getúlio apresenta uma notícia biográfica realizada pelos pesquisadores do Cpdoc da Fundação Getúlio Vargas, onde o leitor terá um completo e atualizado levantamento da vida política de Tancredo Neves.

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    Elpidio Coutinho picture
    Elpidio Coutinho23/12/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Uma visão pessoal...um alerta para que a história não se repita enquanto farsa.

    Em uma entrevista concedida aos professores Valentina R. Lima e Plínio A. Ramos (Programa de História Oral/Cpdoc-FGV),a última antes de sua morte, o ex-presidente Tancredo Neves fala sobre a personalidade do também ex-presidente Getúlio Vargas ("Vargas nunca seria político de oposição, jamais seria, porque ele era sobretudo um homem que acreditava no poder quase como quem acredita numa divindade") e, ao se referir ao segundo governo de Vargas (1951-1954), afirma: "Até a sua morte, ele foi o mais democrata dos presidentes da República". Relembra os acontecimentos que culminaram com o suicídio de Vargas ("...ele não enfrentou, em nenhum momento, uma oposição democrática, Getúlio enfrentou, desde o primeiro momento, uma oposição subversiva. Os homens da UDN, sobretudo a UDN militar, nunca se conformaram com a derrota que lhes foi infringida), ("...se tivesse feito concessões às forças reacionárias, às forças conservadoras, Vargas teria governado até o fim"). Vejo algumas semelhanças entre esse período e o que vivemos hoje, quando a grande mídia, o empresariado e uma parte derrotada do espectro político, não tendo como oferecer alternativa política para à popularidade do governo junto à opinião púlbica, parte para a oposição subversiva, como chamou Tancredo. Denúncias(muitas infundadas), panfletos que circulam anônimos nas redes sociais repetem a velha cantilena de 1954. Notem que algumas expressões dos tempos da "República do Galeão", tais como "mar de lama", "maior escândalo de corrupção do país" ressurgem hoje como manchetes na grande mídia e na internet. Lá atrás, em 1954, o suicídio de Vargas conseguiu adiar o golpe por 10 anos. Será que hoje, quando poucos conhecem o que ocorreu ontem, impedirá que a história se repita como farsa? Fica o alerta!

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