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    Sobre o Fundamento da Moral (Coleção Clássicos: Filosofia) -

    Arthur Schopenhauer

    Martins Fontes
    2001
    226 páginas
    7h 32m
    ISBN-10: 8533614950
    Português Brasileiro
    4.2
    30 avaliações
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    Ensaio escrito pelo filósofo alemão para concorrer ao prêmio "Sobre o Fundamento da Moral", em janeiro de 1840. Nele, Schopenhauer apresenta os fundamentos da ética, que tem por base a metafísica.

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    Felipe Correia Pimenta29/01/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A ética de Schopenhauer

    O fundamento da moral foi a primeira obra que eu li de Schopenhauer e, desde então, esse filósofo alemão tornou-se uma das minhas referências na filosofia. Partindo de uma crítica à filosofia moral de Kant, Schopenhauer demonstra como esse cometeu uma espécie de “monstruosidade filosófica” ao identificar o ato de caridade e de amor ao próximo com o agir racionalmente. Nunca antes de Kant, diz Schopenhauer, isso havia sequer sido imaginado. O que esse livro maravilhoso e muito humano tenta estabelecer é um tipo de moralidade que não dependa da Bíblia e nem de Deus, uma vez que o comando da ética Kantiana “tu deves” só tem valor e poder partindo de uma ordem divina. Outro tipo de moral completamente rejeitada por Schopenhauer é aquela que parte do Estado ( desejo de Hegel e de todo esquerdista), pois conceder a essa instituição o poder de tirar dos homens a liberdade individual é, no fundo, pavimentar o caminho para uma nova inquisição, guerras religiosas e outros tipos de perseguição ( a história dos século XX provou esse fato). Rejeitada a moral vinda de uma ética religiosa, de um comando do tipo “tu deves” e a moral estatal, Schopenhauer propõe uma ética baseada na compaixão por todos os seres vivos. Segundo ele, essa é a única maneira de evitarmos o egoísmo no momento de ajudar ao próximo, porque já não pensamos que ao fazer isso estamos agindo racionalmente ou evitando futuras penas do inferno. O filósofo cita essa passagem de Calderon para provar o que prega: “que entre el ver Padecer y el padecer Ninguna distancia habia.” As dores do próximo fazem você se identificar com o sofrimento alheio, e com isso o sentimento de compaixão é despertado. O mais surpreendente na ética de Schopenhauer é a sua preocupação com os animais. Não que isso seja totalmente novo, pois as civilizações asiáticas não estabeleciam uma grande separação entre os homens e os outros seres vivos. Na Grécia antiga a escola de Pitágoras via os animais com muito respeito. No ocidente isso foi perdido, de acordo com Schopenhauer, por causa da influência judaica no Cristianismo. Essa opinião de que os animais não possuem alma e que estão nesse mundo exclusivamente para servir ao homem pode ser vista, infelizmente, nas obras de São Tomás de Aquino. A filosofia moderna vai repetir esse pensamento com Descartes. Na prática o tratamento dado aos animais no Cristianismo sempre foi superior ao judaísmo, no entanto a igreja continua negando que os animais possuam alma, o que é algo incompreensível pela simples observação do quanto muitos animais podem agir com bondade. Na filosofia de Schopenhauer os homens e os animais são vistos como uma manifestação de Vontade. Esses últimos são nossos companheiros de sofrimento nesse mundo, e o agir com compaixão em relação às mazelas dessa vida vale tanto para a ajuda aos homens como para os animais. A ética de Schopenhauer é baseada no testemunho dos antigos gregos e Hindus; não é bíblica e nem depende de Deus. Como Schopenhauer é o maior dos escritores em filosofia ao lado de Platão, seus livros não necessitam da explicação de professores universitários para serem entendidos. Não partindo nem de Deus nem da razão, o pensamento de Schopenhauer estava destinado a ser condenado tanto pelas universidades quanto pelos religiosos. O reconhecimento do valor de sua filosofia veio pelas artes, pela literatura e, especialmente, pela psicologia.

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    Arthur Schopenhauer

    Pessimista em sua visão do mundo, considerou ser a Vontade a última e mais fundamental força da natureza, que se manifesta em cada ser no sentido da sua total realização e sobrevivência. O conceito de Vontade deste filósofo diz respeito a algo infinito, uno, indizível, e não a uma vontade finita, individual, ciente. Ela estaria presente no homem, como em toda a natureza. Para Schopenhauer, a realidade é vontade irracional, onde o finito nada mais é que mera aparência da realidade. A vontade infinita, traz com ela a característica da insaciabilidade, sendo então algo conflituoso que geraria dor e sofrimento ao homem. Foi seminarista até os 14 anos. Iniciou estudos de medicina na universidade de Gottingen, mudando depois para filosofia, na universidade de Berlim. Sua tese Vierfach Wutzel der Zats uber zurechern Grund ( "Sobre a quádrupla raiz do princípio da razão suficiente") foi escrita em 1813. O difícil convívio com sua mãe com certeza marcou sua personalidade mas ela lhe permitiu conhecer intelectuais como Goethe (1749-1832), que freqüentavam sua casa em Weimar, centro da vida cultural alemã em sua época. Com a herança recebida do pai pôde viver sua vida de solteiro com relativo conforto e inteiramente entregue ao seu trabalho intelectual. Seu principal livro, Die Welt als Wille and Vorstellung ou "O Mundo como vontade e representação" (1819), embora o seu livro Parerga e Paraliponema (1851) seja o mais conhecido.

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    Arthur Schopenhauer