OLHOS VERMELHOS - Crônicas Indesejadas Num Lento (E Inútil) Mergulho Em Direção Ao Nada No País Dos Bruzundangas E Outros Escritos

    Elenilson Nascimento

    Clube de Autores
    2010
    228 páginas
    7h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    “Há alguns anos a Lygia Fagundes Telles escreveu que no Brasil havia três espécies em processo de extinção: a Árvore, o Índio e o Escritor. Hoje, depois de tantas labutas, eu vou muito mais além, já substituí o escritor pelo leitor. Está claro que não é mais o escritor que está em processo de extinção, mas sim o leitor que anda por demais fugidio. O que poderá fazer o escritor sem o leitor, que é o seu maior cúmplice? Num país como o Brasil, de tanto atraso e miséria, considero OLHOS VERMELHOS – CRÔNICAS INDESEJADAS NUM LENTO (E INÚTIL) MERGULHO EM DIREÇÃO AO NADA NO PAÍS DOS BRUZUNDANGAS E OUTROS ESCRITOS um livro muito engajado. Procuro mostrar, através dessas crônicas, o que ficou por trás das notícias neste começo de século XXI que parece que ainda não começou, o que não se tornou do conhecimento público que ainda pode ajudar na compreensão de alguns fatos que vão compor a história contemporânea do Brasil e de alguns lugares do mundo, onde vou transformando as minhas denúncias em gritos ecoados na multidão. O leitor vai encontrar revelações sobre política, episódios pitorescos, a decepção com a educação, impressões de viagens, o papel da mídia, o imediatismo da imagem, a sociedade tecnocrata, a falta de liberdade, as minhas revoltas e o poder da linguagem.misturados ao sabor dos fatos que testemunhei. Se mais recentemente os episódios como o ataque a Berlusconi e mesmo as sapatadas na direção de Bush mostram que aumentou a intolerância do povo com os políticos, o leitor pode constatar aqui que todos ainda falam em destruir o sistema mas que sempre acabam colocando um mostrengo bem pior no seu lugar. Não é exagero algum chamar essa primeira década do século XXI de “era iPod”, mas o amordaçamento da cultura há de equivaler ao silêncio do próprio Brasil pois também somos feitos de escuridão. Dizem que as melhores coisas surgem quando ninguém está mais olhando. Se OLHOS VERMELHOS, que saiu do epílogo do ano de 2006, tivesse chegado a tempo nas listas de melhores da crítica, certamente teria mudado a ordem das entrelinhas.”

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    Elenilson Nascimento11/07/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    RELANÇAMENTO DE “OLHOS VERMELHOS - CRÔNICAS INDESEJADAS NUM LENTO (E INÚTIL) MERGULHO EM DIREÇÃO AO NADA NO PAÍS DOS BRUZUNDANGAS E OUTROS ESCRITOS”

    “Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão... e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte alguma.” Por Elenilson Nascimento Talvez eu amargue uma vida inteira um limbo literário do qual nem a morte ainda possa me libertar, mas não estou muito preocupado com isso. E, em torno desse marasmo, repensando na escola e na biblioteca, me ocorreu a analogia com uma frase de um carpinteiro naval amigo de longas datas, sobre a construção dos barcos de madeira. Disse-me ele: quando se constrói um barco realizando um sonho, a alma que habita o tronco das árvores vai aos poucos se integrando com a alma do próprio sonhador e ali começa a história de ambos, que nunca mais se dissociam um do outro, barco e construtor. Mas falar de barcos, leituras, sonhos e livros é um movimento natural e recorrente para mim, tanto no meu convívio com alguns amigos como nas minhas linhas tortas, da mesma forma que deveriam ser indissociáveis a escola da biblioteca, estas da cultura, e obviamente os agentes sociais dos livros e multimeios de leitura, produzindo todos juntos uma onda orgânica e realimentadora do saber. Porém, infelizmente, nada disso acontece no Brasil. Escolas não ensinam mais nada. Bibliotecas andam vazias. Livros não são mais abertos. E ídolos são jogadores e pagodeiros sem verve e sem tino, mas com suas contas recheadas – coisa que está longe de acontecer com esse autor clandestino. Fora que escritores são uma espécime em extinção.E foi exatamente esta visão que eu tive para a apresentação desta 2ª edição desse meu livro de crônicas “Olhos Vermelhos - Crônicas Indesejadas Num Lento (E Inútil) Mergulho Em Direção Ao Nada No País Dos Bruzundangas E Outros Escritos”, lançado anteriormente em 2006, e agora, relançado pelo Clube de Autores. Mas essa visão, contudo, se deu pelo viés do "na-prática-não-é-isto-que-acontece". Mas o interessante, e aí aparece o mérito dos meus textos, é que eles se coadunam indiferentes às preferências dos meus leitores já acostumados com as minhas linhas tortas em blogs ou em jornalzinhos discretos, pois, se um opta pelo registro in loco da referência que remete o leitor ao rodapé e dali às estantes das bibliotecas propriamente ditas, o outro escolhe o subterfúgio da expressão coloquial, para, ambos, criarem imagens que podem remeter o leitor crítico à sua própria produção e analise, se quiser. São 40 crônicas escritas entre 2003 e 2006 e publicadas em sites, blogs e todo tipo de meio eletrônico, onde faço o meu compasso como se tivesse combinado com um outro autor, refiro-me à conhecida afirmação de Paulo Freire: "A leitura de mundo precede a leitura da palavra". Então, textos como “1 Grama de Plata Queimada, Por Favor!”, “Preâmbulo”, “Não Aprendi a Dizer Eu Te Amo”, “Independência Ou Morte?”, “Queixe-Se! Exerça Esse Direito”, “Os Tributaristas” e nas demais crônicas desempenham o papel de desafiar o senso comum– a ideia é afirmar que a leitura está definitivamente introjetada no modus vivendi do homus sapiens, mas o texto e a crítica estão ali antes de tudo. Pulsando, gritando, chocando, sendo rejeitadas e, acima de tudo, alertando. Mas ainda estamos lendo, inclusive lendo nas entrelinhas deste próprio livro que ensina a ensinar a ler. No texto chamado de “Monólogo Só” pareço descrever o caso de uma criança que abre os olhos e lê o teto, os corpos gigantes das pessoas curvadas olhando para dentro do berço, depois ela lê as árvores, o vento, os animais, as coisas ao redor e aquilo que lhe servem à boca, quando um belo dia todos os substantivos são reapresentados a ela com este sobrenome e um nome próprio descobre a palavra, as regras escritas e começa a ler o mundo novamente, agora através do letramento. E essa parece ser a função do escritor. Joga tudo no ventilador. Sacudir o leitor. Ignorar os “nãos” dos acadêmicos, refazer a sua trajetória. “Olhos Vermelhos” trata do “absurdo do mundo moderno e da vida”, mas talvez pague um preço por não se enquadrar nas correntes estéticas desse começo de século. E autor inclassificável talvez eu seja, mas confesso: tenho um orgulho danado de poder escrever e ser lido, mesmo que ainda por muito poucos. Talvez um dos traços mais marcantes em minhas linhas seja o grande poder de atração e de conquistar a simpatia de alguns. Curiosamente, qualidade só contrabalançada pelo meu oposto: a extrema facilidade com que posso desagradar rapidamente. Se para uns sou um “escritor aguçado” e com “algum futuro”, para muitos sou apenas um “propagandista de mim mesmo”. E que venham as especulações! Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão... e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte alguma. E a propósito, a hiper organicidade textual nessa resenha é abordada também em “Olhos Vermelhos” de modo sintético, mas com mérito que merece destaque, posto que o assunto é tão necessário quanto extenso, é tão desconhecido quanto afugenta àqueles que dele conhecem pouco ou nada, criando um escudo de inibição, no caso principalmente dos educadores – leia com atenção o texto “Queimar as Roupas e Abandonar os Papéis”. E, na verdade, a resistência em discutir e interagir parte, naturalmente, da insegurança do próprio autor, que, de um lado, não domina ainda esses equipamentos de defesa e, de outro, também se sente excluído. Em suma, apesar de um livro datado, “Olhos Vermelhos” parece gritar: “Desfrute mundano da riqueza ouvindo a teologia da prosperidade. E foda-se!”. (“OLHOS VERMELHOS - CRÔNICAS INDESEJADAS NUM LENTO (E INÚTIL) MERGULHO EM DIREÇÃO AO NADA NO PAÍS DOS BRUZUNDANGAS E OUTROS ESCRITOS” de Elenilson Nascimento, crônicas, 2ª edição, 228 págs, Clube de Autores – 2010) >>> CLIQUE AQUI e adquira o livro direto com a editora: http://clubedeautores.com.br/book/22169--OLHOS_VERMELHOS_______________________________________

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