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    Uma questão pessoal -

    Beppe Fenoglio

    berlendis & Vertecchia
    1986
    159 páginas
    5h 18m
    ISBN-10: 8586387304
    Português Brasileiro
    3.5
    8 avaliações
    Leram10Lendo0Querem14Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos1Desejados14Avaliaram8

    "O vento soprava da direção de Alba, largo, baixo, tenso. 'Tinha também aquele outro fato mais grave', pensava Ivan. A ponte minada de San Rocco. Até as plantas e as pedras sabiam que estava minada. Pouco antes do povoado, Ivan estava atrás de Milton uma centena de metros e o tinha perdido de vista por causa de uma ribanceita. A preocupação com a ponte tinha-lhe passado pela cabeça por acaso, e então, apesar de o baço estar latejando, Ivan tinha desabalado ladeira acima e chegara à ribanceira exatamente a tempo de ver Milton entrar na ponte com o passo implacável e cego de um autômato."

    Resenhas (3)Ver mais
    Maira Giosa picture
    Maira Giosa09/10/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Uma Questão Pessoal é um livro bonito, mas inacabado. O autor, Beppe Fenoglio, faleceu em 1963 antes de conseguir terminá-lo e, assim, a narrativa - que poderia ter sido grandiosa - termina (obviamente) de modo abrupto e rápido demais. Fenoglio conta a história de Milton, um partisan (partigiani, no original) da região de Alba que se envolve nas guerras de guerrilha pelo interior italiano enquanto relembra Fulvia, a garota por quem é apaixonado. É já durante a guerra, quando Fulvia está longe de seu alcance, que ele fica sabendo que ela talvez estivesse envolvida com Giorgio, um amigo de infância de Milton e camarada de guerra. Desesperado ao descobrir que Giorgio foi capturado pelo exército de Mussolini, Milton parte em uma busca frenética pelas redondezas para encontrar a paz de espírito que lhe foi roubada e a resposta para seu coração inquieto. Tudo que ele faz a partir de então é pensando em seu grande amor. Mas muito além do romance - que recebe algumas pinceladas aqui e ali - a obra retrata de maneira fiel o cotidiano dos partisans, as dificuldades e pequenos alívios, a estreita relação com a população local e, claro, os medos e ansiedades destes "soldados" que combateram tanto o exército do "Duce" quanto o exército alemão que entrou na Itália como apoio do Eixo. É uma premissa fascinante, que dá pena de se saber incompleta. Jamais saberemos o desfecho para as angústias de Milton dentro ou fora da guerra - mas até isso dá um brilho a mais ao livro. Quer saber se mesmo assim eu o recomendo? Basta ler o prefácio desta edição, no qual Ítalo Calvino afirma ser esta a obra-prima de seu tempo, aquilo que todos os autores de sua geração aspiraram fazer. A mim, me convence!

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 8
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas13%
    Beppe Fenoglio profile picture

    Beppe Fenoglio

    Filho de um açougueiro partidário de Filippo Turati e de uma dona de casa, Beppe desfrutava, graças ao açougue de seu pai, de uma vida privilegiada. Desde pequeno mostrou-se um garoto inteligente e aluno modelo. Era apaixonado pela língua inglesa e chegou a traduzir algumas obras para o italiano. Em 1940 se matricula na faculdade de letras da Universidade de Turim e frequentou-a até 1943 quando foi chamado pelo exército e mandado para Ceva (Cuneo) e depois para Pietralata (Roma). Com o fim da Segunda Guerra Mundial, Fenoglio começa a dedicar-se integralmente à atividade literária. Em 1949 lança seu primeiro conto chamado Il trucco, publicado sob o pseudônimo de Giovanni Federico Biamonti. Em 1950 conhece Italo Calvino e Natalia Ginzburg. Cinco anos depois publica a tradução do livro de Samuel Taylor Coleridge chamado A Balada do Velho Marinheiro. Em 1960 casa-se com Luciana Bombardi e um ano depois nasce a filha Margherita a quem dedica dois contos La favola del nonno e Il bambino che rubò uno scudo. Logo depois descobre um problema nas vias coronárias que se agrava em 1962 quando se encontra em Versilia (região da Toscana) para receber um prêmio por seu conto Ma il mio amore è Paco. Por causa da doença muda-se com sua família para Bossolasco, uma cidade localizada na província de Cuneo a 800 metros de altitude. Menos de um ano depois os médicos descobrem um câncer em seu pulmão. Em 18 de fevereiro de 1963 falece em consequência desse câncer.

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    1 Seguidor

    Beppe Fenoglio