DISCIPLINA DE ATIVIDADES ACADEMICO-CIENTIFICO-CULTURAIS Licenciatura em Filosofia
Apresentado por determinação do
Centro Universitário Claretiano
CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO
Ênfase - Livro XI
As confissões de Santo Agostinho, ou Agostinho de Hipona (cidade onde foi bispo), é uma obra autobiográfica. Sua vida fora marcada por inquietações como um homem do mundo, carnal. Travou longas batalhas espirituais a procura de respostas a inquietações que o consumia. Foi filósofo platônico e depois encontrou Deus em sua conversão, depois disso fora ordenado sacerdote, embora não fosse este seu desejo.
Pode-se fazer uma releitura do estilo agostiniano, como uma busca incansável da Verdade, que se completa em Jesus Cristo. A transcrição de suas palavras incita o ser humano a ter fé para entender, para que este entendimento leve-o a crer verdadeiramente.
O livro em questão enfatiza principalmente as relações entre Deus e o tempo, que o remete a conclusão que o tempo somente começou com a criação, ou seja, quando o mundo começou a ser, a existir. No ato de falar de Deus fomos criados (Gêneses – Bíblia Sagrada).
“O que é, pois, o tempo?
Se ninguém mo perguntar, sei o que é;
mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não sei:...”
(Santo Agostinho, Confissões, Livro XI Cap.14 ).
O ser humano sempre percorreu longos caminhos investigativos no intuito de prolongar sua vida, sua existência. Certamente, nota-se no discurso agostiniano não somente um discurso de cunho psicológico (a noção do antes e do depois que as coisas gravam em nossa alma.), mas primeiramente existencialista. A busca pela eternidade e a preocupação com vida-morte sempre permeou as mentes da criação de Deus. O inconformismo da finitude no tempo “Kronos”, apesar de ser a imagem e semelhança do Pai (Deus), um Ser eterno, o levou a questionar sua efêmera existência, conseqüência do pecado adâmico e reflexo natural do pensar cíclico do tempo, onde tudo tem um começo e um fim. Desde os primórdios o ser humano sempre viveu encarcerado ao tempo, ele não aceita a morte física, esta constantemente a pensar o tempo, e busca incansavelmente a vida eterna, mas ignora sua impossibilidade terrena, e com isso se priva de vislumbrar uma gloria maior que há de vir, o encontro entre Criador e criatura e então gozar da eternidade celestial. Pois afinal o que é vida eterna? Somente a Palavra divina tem a resposta verdadeira.“ A vida eterna é essa: “Conhecer ao único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste
A Bíblia sagrada relata que existe um tempo para nascer; outro para pra crescer e outro para morrer, dando a entender que são três períodos da vida, bem marcados, na linha do tempo, falando da finitude humana, ou seja, da sua fase temporal humana.
O homem intuiu o tempo, o mediu (pensou) e criou parâmetros, baseados no movimento dos astros, para indicar inicio; fase intermediaria e fim de um dia. Mas como medi-lo? Somente quando o tempo está decorrendo é que posso percebê-lo e medí-lo, pois não se pode medir o tempo passado que já não existe ou mesmo o futuro que ainda não chegou.
Para Agostinho não existem coisas futuras nem passadas, nem se pode afirmar: passado, presente e futuro, mas deve-se dizer que há três tempos: o presente respeitando às coisas passadas, o presente respeitando às coisas presente, o presente respeitando às coisas futuras Portanto, não existe aquilo que está para vir nem aquilo que passou.
O tempo para Agostinho não é outra coisa senão uma distensão da alma, ou seja, é a existência do eu no tempo.
O tempo é tempo porque passa, pois senão passasse já não seria tempo, mas sim eternidade.
Obviamente não se pode se pode falar de Agostinho somente em termos de um discurso filosófico, mas sua vida esteve permeada pela teologia. O autor faz uma análise profunda à luz da Bíblia, sobre a necessidade do ser humano de ter de confessar a Deus as suas culpas. Mas se Ele tudo sabe, se é dono do tempo, por que então ter de fazê-la? Porque Ele é misericordioso e digno de todo louvor, e é o seu amor que constrange e impele à confissão. Pois somente quando as misérias e pecados são levados a Deus e aos pés da cruz, é que o amor Dele é manifestado e sua preciosa graça derramada aos corações. O santo parece filosofar sobre as vissitudes da vida.
Agostinho segue em orações e súplicas, apelando a Deus que o faça compreender as Escrituras sagradas. O desejo de meditar na Lei do Senhor, o anela a aplicação do Espírito, para que o ilumine e o oriente à compreensão necessária. Construindo metáforas baseadas nas orações; cânticos e poemas do livro de Salmos; faz uma extensão das suas indagações. Cita os horrores dos homens diante da majestade e ira do Senhor ao defender seu povo e conseqüentes gerações; relembra o Salmo 1 daqueles que não se sentam na roda dos pecadores, mas antes tem o prazer em meditar dia e noite na Lei do Senhor. Agostinho busca a Deus, como Davi, relembrando-o que é misericordioso e coloca-se à vontade de Deus, para que Ele o use conforme o seu querer e pede que o limpe de toda mentira, engano e temeridade, para que tenha intrepidez na sagrada Palavra.
Quanto ao Tempo ; somente Deus pode resolver este enigma. O espírito do ser humano é que anseia compreender tal enigma enredado, pois o tempo somente permanece nele mesmo.
Como afirma Santo Agostinho: O tempo não é apenas uma sucessão de instantes separados. É um contínuo indivisível.
A solução mais plausível é fixar os olhos em Deus, pois foi Ele que criou toda a humanidade, e é nEle que desponta a verdade. Somente em Deus reside toda a eternidade. Com tudo parecendo tão volátil, é melhor não medir, mas sim, atentar as sílabas que ficaram impressas na memória, algo que permanece gravado nela.
O Deus eterno, Criador de tudo e de todos, convida o ser humano a humildade e que possa estar com os ouvidos espirituais abertos para ouvir a sua Lei e entender seus desígnios, e o único tempo a ser uma preocupação constante é aquele impresso em seu espírito e que mede o fim de seus dias terrenos, abrindo-lhe uma janela no tempo, mescla de presente, passado e futuro que o levará rumo à eternidade celestial, onde o único tempo importante não é o Krónos, mas o Kairós, o tempo de Deus.
A obra de Agostinho mostra que ele recorre por vezes a Deus em clamor e suplicas, constrói paráfrases retóricas, e valendo-se do seu espírito em aflição, tenta na verdade uma sintonia com Deus em busca de respostas a seu questionamento a respeito do tempo.
REFÊRENCIAS
AGOSTINHO, SANTO – Confissões, Livros VII,X e XI- Coleção Textos Clássicos de Filosofia - Trad.Espírito Santo,Arnaldo do/ João Beato/ Castro Mais de Souza Pimentel, Maria Cristina-Lusofia Press- Universidade da Beira Interior-Covilhã -2008.
Bíblia Sagrada –NVI (Nova Versão Internacional)
História Básica da filosofia, Editora Nerman, São Paulo, 1988
SITES
www.mundodosfilósofos.com.br
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