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    Os Pensadores: Montaigne (Vol. XI) - Ensaios

    Michel de Montaigne

    Abril
    1972
    506 páginas
    16h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    29 avaliações
    Leram79Lendo17Querem97Relendo3Abandonos6Resenhas2
    Favoritos7Desejados97Avaliaram29

    Como um psicólogo consciente, Montaigne, tanto coloca-se no divã para ser analisado por Platão (ou qualquer outro pensador), como também coloca Platão no divã para ser analisado. Não é porque Platão tem uma estrela gravada na calçada da fama da história da filosofia que ele terá o direito de ser intocável. Se Platão, assim como qualquer outro filósofo, não é um Deus, logo, como diria Montaigne, precisa sentar sobre seu rabo. Isso significa que, a partir do momento em que estamos realizando um “comércio” com os homens, não podemos esquecer que todos estão sujeitos ao erro. Sendo assim, podemos duvidar a vontade deles, da mesma forma como podemos abraçá-los e levá-los para casa para tomar um café. A questão central, para Montaigne, não é quem sabe mais, mas quem sabe melhor: até que ponto, tal conhecimento de tal filósofo tornou a vida dele melhor, mais feliz? De nada vale, nos dirá Montaigne, alguém tocar maravilhosamente um instrumento, se não souber ao menos afinar seus costumes. Se qualquer tipo de saber, supostamente adquirido por uma pessoa não teve nenhuma utilidade para sua existência, não seria melhor que tivesse consumido seu tempo e sua vida jogando bola? Ao menos, desse modo, teria se tornado mais forte fisicamente. O que não podemos perder de vista é o que Montaigne pode nos revelar, ao se colocar no divã para ser perscrutado por outro pensador. Como podemos ser contestados se nos vermos apenas a partir do nosso ponto de vista? Se cada ser humano se vê como Senhor do Universo, como detentor da melhor religião e da melhor cultura, julgando ser irracional, loucura, estranho ou inferior, tudo o que foge da sua razão, é preciso que ele se esqueça quem é, a fim de que a natureza do outro que o analisa possa fazê-lo sair dos limites do seu umbigo. É por isso que Montaigne colocou um “cocar” na cabeça, com a intenção de conhecer os índios, e entender como pensam. O fato de ter convivido com os índios, ainda que por intermédio dos livros, de histórias e um pouco através do diálogo com os que foram levados para a França, e compreendido o sentido da cultura indígena não fez de Montaigne um índio, mas permitiu a ele extrair aprendizados que poderiam ter ajudado a resolver muitos problemas de seu povo francês: desigualdade social, guerras pelo monopólio da Verdade e a vergonha do que faz parte da natureza humana.

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    Ricardo Maia21/03/2021Resenhou um livro
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    O Convite feito para se refletir sobre várias histórias e assuntos

    Se quer entender o que é um Ensaio, esta obra pioneira neste estilo literário de Michel de Montaigne é um histórico e importante exemplo. São vários assuntos e várias histórias relacionadas até com personagens históricos como Cícero, Ovídio, Sêneca e muitos outros mais. Apesar desta obra de Michel de Montaigne ser importante e atual, o mesmo falava dela com muita simplicidade como podemos observar em uma parte do recado ao leitor no início do livro "Assim leitor, sou eu mesmo a matéria deste livro, o que será talvez razão suficiente para que não empregues teus lazeres em assunto tão fútil e de tão mínima importância." Clássico e interessante, Ensaios te desafia a pensar e a aumentar seu intelecto, mas com uma clareza única de Montaigne. Boa Leitura! Sinopse por Ricardo Maia 19/03/2021

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    Michel Eyquem de Montaigne profile picture

    Michel Eyquem de Montaigne

    (Saint-Michel-de-Montaigne, 28 de fevereiro de 1533 — Saint-Michel-de-Montaigne, 13 de setembro de 1592) foi um escritor e ensaista francês, considerado por muitos como o inventor do ensaio pessoal. Nas suas obras e, mais especificamente nos seus "Ensaios", analisou as instituições, as opiniões e os costumes, debruçando-se sobre os dogmas da sua época e tomando a generalidade da humanidade como objecto de estudo. É considerado um céptico e humanista.

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    Michel Eyquem de Montaigne